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AUGUSTO ALVES DA SILVADie schönste Fahne der WeltGALERIA PEDRO OLIVEIRA Calçada de Monchique, 3 4050-393 Porto 22 SET - 28 OUT 2006 Imagem e Acontecimento“Isto e muito mais foi dito por várias participantes no evento. A verdade é que foi uma vergonha a maneira como as nossas “divas” foram tratadas! Para além disto sabemos também que os crachás de participação foram atirados como se lança comida a piranhas para o meio dos participantes. Sem dúvida uma atitude vergonhosa por parte de muita gente que mais não queria que publicidade… É verdade que acabou por ser bonito e que temos mulheres de guerra mas as mesmas podem queixar-se de não ter atingido muito mais por estes pormenores vergonhosos…” Postado por UltraBraga em http://claques-portugal.blogspot.com/ No documento que anuncia os artistas seleccionados para a edição de 2006 do BESphoto diz-se de uma série de trabalhos de Augusto Alves da Silva testemunharem “a coerência da sua estratégia deceptiva em torno da imagem fotográfica”. Se entendermos como deceptiva uma tomada de consciência dos processos de solidificação do nosso conhecimento do mundo em instantes do falso, então na exposição agora patente na Galeria Pedro Oliveira, o artista continua a seguir este caminho. Tomando um acontecimento real e produzindo imagens num registo formal e quase clássico, o autor plagia, de distância segura, a estética da propaganda num subtil esforço de denúncia. Tomando como objecto uma iniciativa da Federação Portuguesa de Futebol financiada pelo Banco Espírito Santo, pela SIC e produzida pela “Realizar Impact Marketing”, um evento que juntou 18 788 mulheres na formação da maior e “mais bela” bandeira do mundo, Alves da Silva capta a euforia e o ridículo de um momento que pretendeu representar “as mulheres de Portugal”. Invocando a língua alemã através do título, o trabalho obriga-nos a relacionar este acontecimento com o primeiro evento de massas organizado com o objectivo de ser mediatizado através da imagem em movimento, os Jogos Olímpicos de 1936 em Berlim, que tiveram a honra de ser o primeiro acontecimento televisionado da História. Também este evento, muito mais recente, foi televisionado. Foi-o sob o pretexto do apoio à selecção e da “glória” da entrada numa coisa tão profundamente imbecil e destituída de qualquer interesse que não seja a exploração económica da estupidez, como os recordes do Guinness. Infelizmente as semelhanças entre estes dois momentos não ficam por aqui e atingem, ainda que com diferente gravidade, o mesmo âmago de perigo. Tanto um como o outro giravam à volta da construção ficcional de uma bandeira, sendo que no nosso caso era a portuguesa e no primeiro e original a nazi. O tema é, em ambas as situações, a construção de um orgulho nacional. Independentemente da diferença óbvia e fundamental entre os fins, o que ressalta através do trabalho de Alves da Silva é a profunda familiaridade entre os meios. Ainda que a estética totalitária de Leni Riefenstahl tenha sido aqui substituída pela linguagem grosseira do directo contemporâneo e haja, por enquanto a possibilidade de uma distância crítica (como se pode ler no comentário retirado da blogosfera que cito acima), as semelhanças são evidentes e isso pode ser visto claramente através da sobreposição de um olhar reflexivo, como funciona aqui o trabalho fotográfico de Augusto Alves da Silva. É através de um processo de quase mimese das imagens que Riefenstahl apresenta no seu “Olympische Spiele” (“Olímpia”, na tradução portuguesa) que o artista subverte o acontecimento; pela citação localiza-o numa nova estrutura de sentido. É a fotografia contra a televisão. Sem a verborreia e o encadeamento narrativo e que era suposto emoldurá-las estas imagens podem servir um propósito contrário, revelando a estrutura do engano e as metodologias do “impact marketing” que impõem o acontecimento e, em simultâneo, retiram ao espectador o tempo para o pensar.
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