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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes.

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JOANA ESCOVAL

MUTAÇÕES. THE LAST POET




MUSEU COLEÇÃO BERARDO
Praça do Império
1499-003 Lisboa

13 FEV - 19 ABR 2020


 

 

[Com os museus temporariamente fechados por todo o mundo, a Artecapital continua a publicar críticas de exposições interrompidas devido à Covid-19]

 

 


 
Na exposição, "Mutações-The Last Poet", que inaugurou em fevereiro no Museu Coleção Berardo e encerrou pouco depois, Joana Escoval transforma toda a arquitetura do espaço numa labiríntica instalação site-specific e a linearidade do habitual percurso expositivo é desafiada. Esta reconfiguração arquitetónica e a sua imprevisibilidade como meio - provavelmente a mais interessante utilização deste espaço até aqui – contém o ápice da exposição.
 
A génese do trabalho de Joana Escoval insurge-se numa sucessiva tentativa de investigar as oscilantes fronteiras delimitadoras entre a natureza e o humano, na ânsia de as extinguir totalmente. Se Antoine Lavoisier enunciava que «na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma», que apontava para uma infinita ciclicidade de toda e qualquer matéria, então o trabalho de Joana Escoval é a sua exata correspondência e materialização. De facto, é-nos possível presenciar essa transformação da matéria e interação nesta exposição, sabendo-se que algumas das peças escultóricas criadas em metal por Joana Escoval (à semelhança da natureza) sofrerão uma natural e inevitável oxidação progressiva, durante o período da exposição.

 

Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes.

 

Efetivamente, a transformação da matéria e o fluxo da energia são centrais na prática artística de Escoval, em especial fenómenos causados pela natureza. A natureza empresta-lhe os elementos clássicos (terra, ar, água, fogo) e os materiais que lhes derivam (metal ou a madeira) para criar as suas obras, que em parte apresenta intactas, em bruto (como a rocha vulcânica); outra parte altera e trabalha (como as esculturas metálicas). A escrutinada eleição de materiais tão dispares esteticamente quanto a rocha vulcânica e o ouro – com que trabalha e depois transfere para o espaço expositivo – é realizada a partir de processos criteriosos de escolha focados no processo, tendo a origem dos materiais um papel crucial na conceção das peças – como que a deslocação trouxesse uma significância quimérica ao seu encontro. Para Joana Escoval, que já viveu na Madeira, em Florença e em Berlim, tais informações seriam naturalmente irrelevantes, não fosse a busca incessante da artista pelo material ideal e a sua inerente significação, parte elementar na sua prática artística.

 

Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes.

 

O mais identificável e, porventura, o mais intrigante na obra de Joana Escoval é o carácter imaterial inseparável de muitas das suas peças. Apesar da robustez e amorfia dos materiais que utiliza - como a rocha vulcânica, o ouro ou o metal – as obras que cria são delicadas e frágeis, extrapolando a materialidade e o formalismo dos seus constituintes, para criar algo propício de desencadear significações metafisicas, elevação espiritual ou até mesmo sentido poético.
Esta “Mutações- The Last Poet”, evidencia substancialmente essa característica imaterial da sua obra, uma vez que, numa primeira observação, o que parece ser exibido é a arquitectura do espaço, as salientes curvas, quase labirínticas, que percorrem as paredes da galeria; e não as peças da artista. Todas as obras aqui apresentadas se destacam pela sua intrínseca subtileza, especialmente evidente nas peças escultóricas I would rather be a tree, 2017-2020, ou I would rather be a storm, 2020, de capilares ramificações feitas de metal, percetíveis no espaço apenas pela praticável aproximação do espectador.

A renovada arquitetura do espaço materializada em contornos orgânicos, formando um corredor ondulante, incita o espectador a percorrer um trilho, não visível e não antecipável (que se revela inesperado e abrupto), à medida que se encontra no espaço com as obras da artista. De forma cifrada, as obras criadas pela artista, coexistem num todo contínuo, em mutação e inalterável equilíbrio.

 

 

Francisca Correia 
Aluna de Programação e Produção Cultural na ESAD.CR. Encontra-se neste momento a realizar um estágio curricular na Artecapital, na área de produção e divulgação de conteúdos.

 



FRANCISCA CORREIA