Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista geral da exposição “Busca Pólos”, Centro Cultural de Vila Flor, Guimarães


Texto visual de Carla Filipe


Mafalda Santos, “1999-2006”, desenhos, grafite s/ papel, 2006


A Mula - feira de fanzines, de Marco Mendes e Miguel Carneiro


Carla Filipe, “Área Periurbana I”- uso privado sem cadeado”, 2006


Gustavo Sumpta, “Amigo do meu amigo não é meu amigo”, Performance, 2006


Manuel Santos Maia, “Alheava-Derrotados”, Teatro, 2006


Conversa sobre “Plural-parte 1”, Projecção vídeo de João Sousa Cardoso e Daniela Paes Leão

Outras exposições actuais:

COLECTIVA

1º CICLO EXPOSITIVO 2026


Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, Lisboa
CATARINA REAL

SUSANA PILAR

NOT ALONE


Galleria Continua (Paris - Marais), Paris
FILIPA BOSSUET

JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO

21 MINUTES POUR UNE IMAGE


CAPC - Círculo de Artes Plásticas - Sede, Coimbra
CONSTANÇA BABO

WILFRID ALMENDRA

HARVEST


Galeria Municipal de Arte de Almada, Almada
CARLA CARBONE

RITA MAGALHÃES

FACE A FACE – RITA MAGALHÃES E A NATUREZA-MORTA NA COLEÇÃO DO MNSR


Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto
MARC LENOT

SUSANA ROCHA

LEAKING BODIES


Plato (Porto), Porto
SANDRA SILVA

ANDRÉ ROMÃO

INVERNO


Galeria Vera Cortês (Alvalade), Lisboa
MARIANA VARELA

PEDRO CASQUEIRO

DETOUR


MAAT, Lisboa
CARLA CARBONE

HUGO LEITE, ED FREITAS E THALES LUZ

EU SOU AQUELE QUE ESTÁ LONGE


Espaço MIRA, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

ANNE IMHOF

FUN IST EIN STAHLBAD


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
MAFALDA TEIXEIRA

ARQUIVO:


COLECTIVA

Busca Pólos




CENTRO CULTURAL VILA FLOR
Avenida D. Afonso Henriques 701
4810-431 Guimarães

23 SET - 16 DEZ 2006

Busca Pólos, Solos e Colectividades

O trabalho de campo, prática emprestada pelas bases da Antropologia clássica, constitui, no presente, uma forte possibilidade metodológica de criação estética, ao fundar-se em duas direcções contíguas: a experiência de terreno e a construção colectiva.

João Sousa Cardoso, in “Antropologia e estética: uma alternativa do trabalho de campo”, Olímpico, nº 0.



A exposição que está de momento patente no Centro Cultural Vila Flor, “Busca Pólos” um projecto do Salão Olímpico, ao contrário do que se tem vindo a verificar em alguma comunicação de imprensa, não pretende ser uma “exposição retrospectiva dos últimos anos” da actividade de uma “galeria” sediada no Porto. O Salão Olímpico, que desde Novembro de 2005 deu por encerrado a sua actividade, esteve sempre longe do modus operandi artístico tradicional e institucional. O Café Olímpico da Rua Miguel Bombarda na cidade do Porto disponibilizou uma área da sala de jogos situada na cave que durante dois anos foi dinamizada por Carla Filipe, Eduardo de Matos, Isabel Ribeiro, Renato Ferrão e Rui Ribeiro, todos artistas da Faculdade de Belas Artes do Porto com a excepção deste último, um entusiasta formado em economia que procura reflectir, juntamente com todos os outros que consolidaram o projecto, o estado da arte em Portugal. O terreno circunscrito pelo Salão Olímpico, por estas e por outras características, é a continuidade do tracejar de uma estratégia artística paralela e autónoma que diverge do actual sistema das artes. A solicitação é de facto de outra ordem, um espaço já ocupado e habitado com regras que antecedem o projecto, foi contaminado por propostas artísticas de periodicidade mensal. Uma invasão consentida que no final teve repercussões indesejadas, sendo a vandalização de um trabalho o culminar de uma tensão que ditou o seu fim.


“Busca Pólos” aparece como a primeira exposição pós-encerramento, a convite de Ivo Martins, dividida entre o Centro Cultural Vila Flor em Guimarães, patente até 16 de Dezembro, e o Pavilhão de Portugal em Coimbra que inaugurará a 21 de Outubro. Ao contrário do que se poderá ter previsto, a exposição concentra-se em problematizar a possibilidade de transferência, sublinhando as palavras de Eduardo de Matos, “não se pretende contudo criar nem uma ruptura com o passado, nem sedimentar uma continuidade, mas antes, criar uma possibilidade de pensamento e acção sobre uma situação presente”. Centralizada no trabalho individual de artistas, ou grupo de artistas, que se manifestaram no Salão Olímpico, “Busca Pólos” procura reunir posições num campo comum de discussão. Constatar uma energia que flui e que se pretende desprendida de um espaço e de um tempo específico, a vontade de sondar sem que se proporcione uma medida. Apesar do molde da exposição ter uma aparência mais institucional, adquirida também pela colaboração com a Fundação Serralves, não elimina o trabalho de campo concretizado e alcançado, de que nos fala João Sousa Cardoso, na medida em que o projecto Salão Olímpico quis agregar diferenças que se desenvolvem em acções distintas, pontos de contacto de uma construção colectiva — detectar a tal energia. Por tudo isto, a exposição terá, antes de mais, de se legitimar a si própria. Tendo em consideração a acção e os posicionamentos inerentes às propostas individuais apresentadas, porque estas são cúmplices desde o início, assim como os pressupostos do projecto, “espera-se que o resultado seja correspondente à captação de uma intensidade e que as obras sejam de qualquer modo um sinal disso mesmo. Um resultado e não um fim”, transcrevendo uma frase do texto visual de Carla Filipe.


A transferência para outra plataforma, para outro molde de apresentação e discussão, criou desafios aos artistas que aceitaram participar — a maior parte destes tem oscilado as suas intervenções entre os espaços geridos por si e as galerias mais atentas aos seus percursos. Se por um lado uns reflectem a intensidade e as afecções presentes, noutros a concretização fica aquém do entusiasmo sincero que qualquer ocasião séria despoleta. Pela expectativa criada, pelas condições que o centro cultural impôs à montagem, ou por desadequação de alguns trabalhos a este novo contexto, existem situações dispersas pela exposição que perdem pela falta de afirmação. Não se quer repartir os artistas em duas linhas distintas, os que cumprem e os que não cumprem, pois cada caso exige uma análise individual. Nem se sente a necessidade de nomeação, tomar partido de uns por outros, se se considerar que o projecto é um e está próximo do ensaio dessa transferência. Uma experiência de ensaio que se deseja, de facto, mais conseguido por todos na segunda etapa. De uma comunhão com tal intensidade exige-se um resultado de uma cultura-em-acção, aquela de que nos fala Artaud, que se processa continuamente dentro de cada um de nós como um novo órgão, uma espécie de segundo hálito.


A transferência, por outro lado, vem abrir o campo de acção do projecto e consolidar uma situação anteriormente impossível, a concomitância num mesmo espaço de intervenção de diversos manifestos e discursos artísticos: a performance, o cinema, as artes plásticas, o vídeo, o teatro e feira de fanzines. No decorrer da exposição vai ser editado um livro, com lançamento agendado para o dia 25 de Novembro no “Busca Pólos” de Guimarães. Coordenado por Manuel Santos Maia, reúne textos e documentação que acompanharam o processo do Salão Olímpico, e acrescenta trabalhos inéditos. Um objecto de importância relevante que vai deixar em registo os bons e os maus momentos de um trabalho transdutor da energia que se repercute na constante necessidade de catalisar o meio desajustado.



Aida Castro