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COLECTIVAPAUSA | LIVROS - PARTE IVPLATAFORMAS ONLINE 23 MAR - 31 AGO 2020
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O projeto PAUSA teve a autoria e curadoria de Sérgio Parreira.
"Búzio" Caderno literário, Edição de António Aragão, 1956. Fui apanhada nestes dias de quarentena numa das minhas vindas à Madeira, longe de casa e dos meus livros. No entanto há livros que pela sua e minha história, faço questão de os ter, ler, reler, tocar… no meu atelier no Funchal. Destaco BÚZIO, Caderno literário, uma edição de António Aragão de 1956, com colaboração de Edmundo Bettencourt, David Mourão-Ferreira, Eurico de Sousa, Esther de Lemos, Herberto Helder, Jorge Sumares e J.Escada, além do próprio António Aragão. “Fonte” de Herberto Helder é para ser lido, lido, relido no silêncio da voz alta… Funchal, 30.04.2020
'1950-2012 Selected Poems' de Adrienne Rich e as 'Metamorfoses' de Ovídio, em tradução de Paulo Farmhouse Alberto, foram dois dos livros a que voltei durante a quarentena. O primeiro compila alguns dos poemas que Rich publicou até à sua morte, em 2012. "The Burning of Paper Instead of Children", "North American Time" e "Tonight No Poetry Will Serve" são três dos textos que lhes recomendo. O segundo, sem o qual não se pode entender a mitologia clássica nem a pintura e escultura do século XV ao XIX, reúne, em 15 livros, grande parte dos mitos mais fundamentais do mundo antigo greco-latino.
“Escritos dos mestres zen” Penguin Books - Great Ideas | THE TRUE PATH. “Pouco antes de Ninakawa falecer, o mestre zen Ikkyu visitou-o. 'Deverei guia-lo?', Perguntou Ikkyu. Ninakawa respondeu: 'Vim aqui sozinho e vou sozinho'. Que ajuda achas que poderias fornecer? 'Ikkyu respondeu: 'Se crees que realmente pode ir e voltar, isso é uma ilusão. Deixa-me mostrar-te o caminho em que não existe ida ou regresso'. Com estas palavras, Ikkyu revelou o caminho tão claramente que Ninakawa sorriu e faleceu. Histórias Zen. Algumas tradicionais, outras de Mujū.”
"Coleção de areia", de Italo Calvino. Para quem, como eu, tanto estima a memória e a influência sedutora dos ‘objetos’, este belo livro, originalmente publicado em 1984 e que reúne uma série de ensaios das décadas de 70 e 80, oferece-nos uma sequência de ensaios para entender o diferente, aquilo que se mostra como culturalmente esquisito, afastado no lugar e no tempo.
"Sonhos" de Walter Benjamin, Edições Sr. Teste. Os ‘Sonhos’ do Walter Benjamin deslocam-nos para o lugar extremo em que nos vemos como a um desconhecido, um ser diante da sua morte - o seu segredo. Entre a complexidade do inconsciente e consciente, transição entre sonho e consciência sem cisão, constituindo pensamento íntimo. A estes sonhos são associadas algumas imagens da Clara Sanchez Sala.
“O Sabor das Trevas: Romance-alegoria dos tempos amargos” de José Gomes Ferreira. O sabor das trevas | romance-alegoria dos tempos amargos” um livro escrito por José Gomes Ferreira em 1976. Não sei bem qual foi a razão que me levou a folhear este livro agora. uma coisa é certa, as frases deste livro nunca deixaram de me surpreender… ‘Capítulo V - Agora seguiam ambos pela cidade, nus e de mãos dadas, perdidos naquela multidão de cegos tateantes que, graças a dispositivos ilusórios de cores várias, supunham que possuíam olhos e viam a realidade que lhes convinha ver.
“Why I’m Still A Communist” um livro de artista de Pedro Pousada. Why I’m Still A Communist é um livro do artista plástico Pedro Pousada, meu colega no Colégio das Artes e no departamento de arquitectura da Universidade de Coimbra e foi editado pela Stolen Books. Ele diz que os desenhos deste livro “discutem o sujeito humano”, como “criatura suja e teimosa feita de biologia e cultura”. Ficamos esclarecidos quanto às razões pelas quais é, e continua, comunista. Pelo menos saberemos que, para ele, ser comunista é uma coisa que se pode explicar assim, na complexidade destes desenhos, nestas personagens de corpos de forma instável, atentos ao mundo e num permanente desejo de mudança.
“Verifique se o mesmo” de Nuno Ramos. Há artistas plásticos que são também escritores, bons escritores. Nuno Ramos é um deles.
“Full Surrogacy Now” (2019) de Sophie Lewis. Na utopia de Lewis, a família não desapareceu; ela é escolhida, mais selvagem, mais abundante e menos restrita. Bad news for heteronormative ideology.
Full Surrogacy Now (2019) de Sophie Lewis.
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