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JONATHAN ULIEL SALDANHAHHY & THE KAMPALA UNIT E FLO / SEKELEMBELECENTRO CULTURAL DE BELÉM Fundação Centro Cultural de Belém Praça do Império 1449-003 Lisboa 21 FEV - 21 FEV 2022
HHY & The Kampala Unit é um projecto musical e performativo criado por Jonathan Uliel Saldanha. Este projecto pretende pesquisar o hibridismo da música electrónica criando um lugar exploratório onde o dub, o techno, a percussão visceral e os sopros marciais se misturam. Desta forma, nasce um espaço onde a repetição de sons e batidas hipnotiza o corpo conduzindo-o a um universo de paisagens sintéticas. Este concerto faz parte do conjunto de espectáculos da curadoria do artista português que terá lugar no Centro Cultural de Belém (CCB). Carta Branca a Jonathan Uliel Saldanha procura desenvolver uma curadoria que nos revela novos mundos. Este concerto teve lugar dia 29 de Janeiro no pequeno auditório do CCB e tem a co-produção do Teatro Municipal do Porto. Jonathan no computador criando texturas sonoras, disparando frases rítmicas e controlando os volumes de todos os instrumentos na mesa de mistura. Florence Lugemwa, artista e activista ugandesa, no trompete esculpindo a plasticidade melódica da paisagem e Sekelembele, artista congolês, na percussão desenhando o fio condutor da música que se está criando. O som do trompete de Lugemwa é manipulado através de efeitos como echo e reverb, desconstruindo o som clássico deste instrumento. A percussão de Sekelembele é uma mistura entre pads electrónicos que proporcionam uma vasta gama de sons e instrumentos acústicos como pratos de bateria e chocalhos. O concerto começa com um dj set de Florence Lugemwa e Sekelembele. A artista ugandesa abre a pista de dança através de sons metálicos, escuros e flutuantes. Lugemwa coloca-nos num lugar futurista onde habitam a artificialidade e um certo imaginário futurista. Sekelembele dá seguimento ao dj set imprimindo ritmos da cena alternativa electrónica ugandesa, nomeadamente afro-house e kuduru, imbuídos numa atmosfera hardcore que dá continuidade ao imaginário artificial futurista ainda agora referido. Simultaneamente, dança freneticamente energizando a sala e o público. O ambiente da sala de espectáculos é povoado pela escuridão da luz negra, exaltando o branco das roupas dos espectadores e as cores fluorescentes das roupas dos artistas. A plateia é uma pista de dança, todos e todas estão de pé a dançar, algo bastante incomum num espaço institucional como o CCB. Na plateia, de frente para os músicos, vê-se uma pessoa com uma máscara tribal laranja fluorescente colocada na parte de trás da sua cabeça. A máscara está de olhos postos no público. Esta figura tem vestida uma t-shirt com um grande smile amarelo acompanhado pela frase Bless This Acid House, uma referência clássica à cultura underground da free party e do acid techno. Ela faz parte do espectáculo, coloca uma certa performatividade e invoca um certo espírito ritualístico no concerto que estamos a assistir. São vários os momentos onde vemos Sekelembele a dirigir-se a esta figura. Fá-lo de forma teatral-performativa com recurso a gestos amplos e lentos. Sekelembele parece pedir-lhe permissão para continuar, ou um sinal de que tudo está a ir na direcção certa. A figura em questão responde-lhe afirmativamente abanando a cabeça e levantando o seu braço direto.
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