Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista do concerto. Imagem: cortesia CCB.


Vista do concerto. Imagem: cortesia do artista.


Vista do concerto. Imagem: cortesia do artista.


Vista do concerto. Imagem: cortesia do artista.


Vista do concerto. Imagem: cortesia do artista.


Vista do concerto. Imagem: cortesia do artista.

Outras exposições actuais:

COLECTIVA

1º CICLO EXPOSITIVO 2026


Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, Lisboa
CATARINA REAL

SUSANA PILAR

NOT ALONE


Galleria Continua (Paris - Marais), Paris
FILIPA BOSSUET

JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO

21 MINUTES POUR UNE IMAGE


CAPC - Círculo de Artes Plásticas - Sede, Coimbra
CONSTANÇA BABO

WILFRID ALMENDRA

HARVEST


Galeria Municipal de Arte de Almada, Almada
CARLA CARBONE

RITA MAGALHÃES

FACE A FACE – RITA MAGALHÃES E A NATUREZA-MORTA NA COLEÇÃO DO MNSR


Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto
MARC LENOT

SUSANA ROCHA

LEAKING BODIES


Plato (Porto), Porto
SANDRA SILVA

ANDRÉ ROMÃO

INVERNO


Galeria Vera Cortês (Alvalade), Lisboa
MARIANA VARELA

PEDRO CASQUEIRO

DETOUR


MAAT, Lisboa
CARLA CARBONE

HUGO LEITE, ED FREITAS E THALES LUZ

EU SOU AQUELE QUE ESTÃ LONGE


Espaço MIRA, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

ANNE IMHOF

FUN IST EIN STAHLBAD


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
MAFALDA TEIXEIRA

ARQUIVO:


JONATHAN ULIEL SALDANHA

HHY & THE KAMPALA UNIT E FLO / SEKELEMBELE




CENTRO CULTURAL DE BELÉM
Fundação Centro Cultural de Belém Praça do Império
1449-003 Lisboa

21 FEV - 21 FEV 2022


 

HHY & The Kampala Unit é um projecto musical e performativo criado por Jonathan Uliel Saldanha. Este projecto pretende pesquisar o hibridismo da música electrónica criando um lugar exploratório onde o dub, o techno, a percussão visceral e os sopros marciais se misturam. Desta forma, nasce um espaço onde a repetição de sons e batidas hipnotiza o corpo conduzindo-o a um universo de paisagens sintéticas. Este concerto faz parte do conjunto de espectáculos da curadoria do artista português que terá lugar no Centro Cultural de Belém (CCB). Carta Branca a Jonathan Uliel Saldanha procura desenvolver uma curadoria que nos revela novos mundos. Este concerto teve lugar dia 29 de Janeiro no pequeno auditório do CCB e tem a co-produção do Teatro Municipal do Porto.

Jonathan no computador criando texturas sonoras, disparando frases rítmicas e controlando os volumes de todos os instrumentos na mesa de mistura. Florence Lugemwa, artista e activista ugandesa, no trompete esculpindo a plasticidade melódica da paisagem e Sekelembele, artista congolês, na percussão desenhando o fio condutor da música que se está criando. O som do trompete de Lugemwa é manipulado através de efeitos como echo e reverb, desconstruindo o som clássico deste instrumento. A percussão de Sekelembele é uma mistura entre pads electrónicos que proporcionam uma vasta gama de sons e instrumentos acústicos como pratos de bateria e chocalhos. O concerto começa com um dj set de Florence Lugemwa e Sekelembele. A artista ugandesa abre a pista de dança através de sons metálicos, escuros e flutuantes. Lugemwa coloca-nos num lugar futurista onde habitam a artificialidade e um certo imaginário futurista. Sekelembele dá seguimento ao dj set imprimindo ritmos da cena alternativa electrónica ugandesa, nomeadamente afro-house e kuduru, imbuídos numa atmosfera hardcore que dá continuidade ao imaginário artificial futurista ainda agora referido. Simultaneamente, dança freneticamente energizando a sala e o público.

O ambiente da sala de espectáculos é povoado pela escuridão da luz negra, exaltando o branco das roupas dos espectadores e as cores fluorescentes das roupas dos artistas. A plateia é uma pista de dança, todos e todas estão de pé a dançar, algo bastante incomum num espaço institucional como o CCB. Na plateia, de frente para os músicos, vê-se uma pessoa com uma máscara tribal laranja fluorescente colocada na parte de trás da sua cabeça. A máscara está de olhos postos no público. Esta figura tem vestida uma t-shirt com um grande smile amarelo acompanhado pela frase Bless This Acid House, uma referência clássica à cultura underground da free party e do acid techno. Ela faz parte do espectáculo, coloca uma certa performatividade e invoca um certo espírito ritualístico no concerto que estamos a assistir. São vários os momentos onde vemos Sekelembele a dirigir-se a esta figura. Fá-lo de forma teatral-performativa com recurso a gestos amplos e lentos. Sekelembele parece pedir-lhe permissão para continuar, ou um sinal de que tudo está a ir na direcção certa. A figura em questão responde-lhe afirmativamente abanando a cabeça e levantando o seu braço direto.


Jonathan Uliel Saldanha demonstra neste concerto que a música electrónica é muito mais que música de dança. Demonstra que a música electrónica não se resume a batidas 4/4 e tampouco à superficialidade artística das discotecas nocturnas mainstream. O acústico e o electrónico misturam-se afirmando que um, não é o contrário do outro, e que tanto um como o outro têm muito à aprender em conjunto. Ritmos partidos, frequências graves, sons metálicos e destorcidos desafiam o nosso entendimento do que é a música. Colocam-nos em lugares de introspecção e de questionamento sobre mundo. Oferecem-nos ferramentas que possibilitam novos modos de experienciar o espaço e o tempo. Habitam espaços de imaginação que nos permitem sentir intensamente as nossas emoções e sentimentos. Salientamos ainda a preocupação de Jonathan em colocar em cima do palco artistas que não fazem parte dos centros culturais internacionais, dando espaço àqueles que são constantemente marginalizados e que muito poucas oportunidades têm para expressar a sua voz em contextos institucionais como este.

 



RODRIGO FONSECA