Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Daria Martin, “Wintergardenâ€, 2005, filme 16 mm, 13 min. Cortesia: Maureen Paley, Londres


Daria Martin, “Wintergardenâ€, 2005, filme 16 mm, 13 min. Cortesia: Maureen Paley, Londres


Daria Martin, “Wintergardenâ€, 2005, filme 16 mm, 13 min. Cortesia: Maureen Paley, Londres

Outras exposições actuais:

COLECTIVA

1º CICLO EXPOSITIVO 2026


Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, Lisboa
CATARINA REAL

SUSANA PILAR

NOT ALONE


Galleria Continua (Paris - Marais), Paris
FILIPA BOSSUET

JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO

21 MINUTES POUR UNE IMAGE


CAPC - Círculo de Artes Plásticas - Sede, Coimbra
CONSTANÇA BABO

WILFRID ALMENDRA

HARVEST


Galeria Municipal de Arte de Almada, Almada
CARLA CARBONE

RITA MAGALHÃES

FACE A FACE – RITA MAGALHÃES E A NATUREZA-MORTA NA COLEÇÃO DO MNSR


Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto
MARC LENOT

SUSANA ROCHA

LEAKING BODIES


Plato (Porto), Porto
SANDRA SILVA

ANDRÉ ROMÃO

INVERNO


Galeria Vera Cortês (Alvalade), Lisboa
MARIANA VARELA

PEDRO CASQUEIRO

DETOUR


MAAT, Lisboa
CARLA CARBONE

HUGO LEITE, ED FREITAS E THALES LUZ

EU SOU AQUELE QUE ESTÃ LONGE


Espaço MIRA, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

ANNE IMHOF

FUN IST EIN STAHLBAD


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
MAFALDA TEIXEIRA

ARQUIVO:


DARIA MARTIN

In the Palace / Wintergarden




STEDELIJK MUSEUM AMSTERDAM
Museumplein 10
1071 DJ Amsterdam, Nederlands

20 OUT - 26 NOV 2006

Docking Station – novo espaço no Stedelijk Museum

Docking Station é um novo espaço físico e conceptual dentro do Museu da Cidade de Amesterdão (Stedelijk Museum) de carácter informal e vocacionado para a mostra do que de mais recente se faz no campo criativo. Aliás, a geração de novos conceitos expositivos e a experimentação têm sido uma constante na história desta instituição artística, o que ao longo dos anos a tornou numa peça-chave na mostra da arte contemporânea nacional e internacional.

Já o seu edifício original, projectado por A.W. Weissman em 1893, propunha um sistema inovador de iluminação indirecta. Em 1954, sob a direcção de Willem Sandberg, o Stedelijk foi alargado com o objectivo de se abrir à cidade. As salas expositivas tornaram-se espaços amplos e flexíveis com paredes móveis e criou-se um restaurante e uma sala de leitura com ligação a uma nova biblioteca e ao jardim. Sandberg deu início a uma programação assídua de conferências e debates públicos, fomentando a discussão e a reflexão nas artes, projectando assim o museu a nível internacional.

Em 2003 dá-se início a uma nova reestruturação que irá durar até 2008. Desta vez, o projecto passa sobretudo por um alargamento das infra-estruturas já existentes. Durante o decorrer dos trabalhos, todo o museu foi transferido, em 2004, para o antigo edifício dos correios de Amesterdão. E é nesse lugar, inacabado e provisório, com tubagens no tecto, bilheteira em aglomerado de madeira e tijolos de cimento à vista, que abriu, no passado dia 20 de Outubro, um novo espaço de 70 metros quadrados, com uma função muito específica.

Docking Station têm como objectivo trabalhar com jovens artistas, que desenvolvam “um trabalho que abra novas perspectivas e construam um novo discurso em relação a diferentes realidades sociais, comunitárias, económicas e culturaisâ€. O carácter informal deste espaço afirma-se ainda na possibilidade de apresentação de projectos em desenvolvimento, no período de exposição atribuído a cada artista (apenas de quatro semanas, o que contrasta com a permanência mais alargada das restantes exposições do museu) e na inexistência de uma inauguração oficial, sendo a informação e a promoção efectuadas por correio electrónico.

Como primeira exibição, Docking Station mostra duas projecções de 16 mm realizadas por Daria Martin, uma jovem americana radicada em Londres. “In the Palace†(7 min.) de 2000 e “Wintergarden†(13 min.) de 2005, são trabalhos que estranhamente combinam a tradição do teatro avant-garde europeu com uma espectacularidade pop americana.

Este último trabalho é inspirado no mito grego de Perséfone, filha de Zeus e Demeter, que é arrastada para o mundo dos mortos. A complexidade formal de todo o trabalho contrasta com a simplicidade da abordagem do tema que descreve apenas a descida de Perséfone ao submundo. A performance acontece no espaço de umas largas escadas em caracol, onde a rígida arquitectura de ferro e betão das espirais contrastam com os corpos e os movimentos das diferentes performers, com a extrema inflexão da voz da compositora/vocalista Maja Ratkje e com os brilhantes cristais que cobrem o corpo de Perséfone, criando um perturbante mundo de non sense. Toda a performance é acompanhada de uma espectacularidade de cores e brilhos dados pela extravagância do vestuário e da maquilhagem das diferentes figuras, que por vezes lembram personagens saídas dos filmes de Fellini, outras vezes saídas de Startreck dos anos 70. Os movimentos são estudados ao milímetro e isso transparece em toda a peça de uma forma demasiado artificiosa. O jogo de luzes cria contrastes dramáticos e sombras de um expressionismo por vezes despropositado. A projecção de 16 mm, que só em si remete para um universo histórico específico, opõe-se à sequência rápida e apelativa de imagens próprias da cultura televisiva.

O diálogo de Martin com a cultura europeia é bastante mais visível no primeiro filme “In the Palaceâ€, onde a artista reproduz em tamanho real a escultura “The Palace at 4 a.m.†de Alberto Giacometti de 1933. As câmaras e as luzes rodam lentamente em torno da estrutura, enquanto figuras posam imóveis no seu interior, criando jogos formais que nos remetem para composições neoclássicas. Noutros momentos, parecemos estar perante personagens saídas de “Slat Dance†de Oskar Schlemmer de 1927. A iluminação mais uma vez dramática de altos contrastes, cria efeitos de sombra desproporcionados relativamente ao diálogo a que se propõe com Schlemmer. Os diferentes quadros são criados ao som de chuva intermitente, que por vezes se convertem em palmas de um público ausente, transformando também consigo estas composições em últimos momentos de uma peça de teatro que acabou de ser apresentada. Este jogo seria tanto mais interessante, se a artista não o tornasse óbvio no final do filme, quando, ao apresentar a palavra “End†em grande formato, os actores saem das suas poses e agradecem, assim como era escusada a referência à obra de Giacometti.

Apesar de algumas fragilidades do trabalho de Martin, o fascínio da autora pelas utopias estéticas do movimento histórico avant-garde europeu presente nos seus trabalhos, resulta por vezes num casamento entre esta tradição e a cultura pop americana, que em certos momentos produz simultaneamente desconcerto e um distanciamento crítico sobre a pop e as vanguardas.



Daniela Paes Leão