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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Carsten Höller, Construção de “The Unilever Series: Carsten Höller, Test Site”. Cortesia da Tate


Carsten Höller, Construção de “The Unilever Series: Carsten Höller, Test Site”. Cortesia da Tate


Carsten Höller, Construção de “The Unilever Series: Carsten Höller, Test Site”. Cortesia da Tate


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ARQUIVO:


CARSTEN HÖLLER

The Unilever Series




TATE MODERN
Bankside
London SE1 9TG

10 OUT - 09 ABR 2007


Londres, ao nível das relações estabelecidas entre as necessidades e as suas concretizações, é uma cidade composta por dois elementos: a procura de ambientes atractivos e interessantes (seja qual for a sua função), e as filas de pessoas. Filas para tudo, para entrar no metro, para ir ao multibanco, para pagar seja o que for ou para entrar num museu e ver uma exposição. As grandes instituições artísticas, como é o caso do British Museum, da National Gallery ou da Tate, geram eventos que, mais do que produzir exposições críticas e marcar posições teóricas demarcadas, se baseiam no desenvolvimento de modelos expositivos extremamente lúdicos, pensados para satisfazer todos os grupos de pessoas que os visitam, desde as famílias com crianças, aos turistas que chegam em massa dos quatro cantos do mundo. O museu tornou-se uma enorme indústria cultural, na qual o intuito de ver uma exposição é apenas um dos muitos motivos que nos pode levar lá.


“Test Site”, a obra que o artista alemão Carsten Höller (1961) apresenta no Turbine Hall da Tate Modern, em Londres, tem um lado extremamente pertinente, ao fazer-nos reflectir sobre ambas: a postura urbana e as opções museológicas acima descritas, mesmo não contendo no seu cerne artístico esta intencionalidade reflexiva. Contudo, a experiência de entrar, durante estes dias, no enorme hall da Tate é muito semelhante à de estar dentro de um parque de atracções: ecos de vozes que nos chegam de todos os cantos, crianças a correr, famílias agitadas e filas, enormes filas que se podem vislumbrar ao longo dos diversos andares do edifício, todas com o mesmo objectivo: ter a experiência de descer um dos cinco gigantescos escorregas que ocupam o espaço. No fundo, o gesto é semelhante a qualquer acto do quotidiano desta cidade: esperar civilizadamente, pessoa atrás de pessoa, durante longos periodos de tempo, que a natureza da espera torna maiores, para poder usufruir de algo por uns parcos e rarefeitos momentos.
Não por acaso o jovem artista eslovaco Roman Ondàk apresentou em Londres, em 2003, a obra “Good Feelings in Good Times”, que consistia em grupos de pessoas que se colocavam alinhadas umas atrás das outras, às quais se juntavam, improvisamente, distraídos transeuntes atraídos pelo aglomerado populacional supostamente à espera de algo.


Ultrapassando as questões paralelas suscitadas por “Test Site”, a instalação faz parte de uma série de experiências que Höller tem realizado com dispositivos lúdicos interactivos que analisam o comportamento humano e questionam a percepção e a lógica, oferecendo uma possibilidade de auto-exploração de todo o processo. “Test Site”, como o próprio nome indica, pode ser experimentado de diversas formas e observado de pontos de vista diversos: entrando, observam-se as enormes formas circulares semi-transparentes, que se assemelham a grandes objectos futuristas de celebração do movimento; pode-se depois observar o comportamento daqueles que estão, naquele momento, a participar activamente da obra, ou seja, a descer os escorregas; somos ainda convidados (embora as enormes filas de espera não constituam um grande atractivo) a tomar parte da actividade proporcionada por Höller, entrando na obra e observando-a ao mesmo tempo que nela participamos.
Contudo, os escorregas não são uma forma inédita na carreira de Carsten Höller, que produziu diversos mecanismos semelhantes, tendo colocado, em 2000, um escorrega que ligava o escritório de Miuccia Prada directamente ao seu carro.
Inspirando-se no escritor francês Roger Caillos, que descreve a experiência de escorregar como um “pânico voluptuoso exercido sobre uma mente lúcida”, Carsten Höller conseguiu transformar radicalmente a forma de conceber o espaço e de se deslocar no enorme espaço do Turbine Hall, que passa a ser vivo, experimentado mais do que percorrido.



Filipa Ramos