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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Da série “Classic 111”, 2006. Papel, gelatina e prata. Prova única. 61 x 50,8 cm. Cortesia Lisboa 20 Arte Contemporânea


Da série “Classic 111”, 2006. Papel, gelatina e prata. Prova única. 61 x 50,8 cm. Cortesia Lisboa 20 Arte Contemporânea


Lisboa 20 Arte Contemporânea - Piso 0


Da série “High Speed Press Plate”, 2006. Impressão a jacto de tinta sobre papel. 96 x 132,6 cm. Cortesia Lisboa 20 Arte Contemporânea


Lisboa 20 Arte Contemporânea - Piso -1

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ARQUIVO:


JOSÉ LUÍS NETO

High Speed Press Plate




LISBOA 20 - ARTE CONTEMPORÂNEA
Rua Tenente Ferreira Durão, 18 B
1350-315 Lisboa

02 NOV - 02 DEZ 2006


“High Speed Press Plate”, o mais recente trabalho fotográfico de José Luís Neto, apresenta-se na galeria Lisboa 20 durante apenas um mês. Trata-se de um conjunto de 29 trabalhos, dispostos pelos dois pisos da galeria e organizados segundo uma lógica distintiva dos respectivos processos de produção. O primeiro conjunto (piso 0) reúne 15 imagens fotográficas de idênticas dimensões e orientação, ficando as restantes, de maior formato, no piso -1.

De um para o outro piso, ambos os trabalhos contribuem para uma melhor compreensão da reflexão que o artista tem prosseguido sobre a natureza e as possibilidades da fotografia.

O que percepcionamos foge ao entendimento comum do que é um acto fotográfico e, nomeadamente, ao domínio privilegiado do “mundo visível”, enquanto objecto de representação fotográfica. O efeito de “desinstabilização” é o mote para um jogo iniciado logo na entrada da galeria, ao atravessarmos a primeira sala, corredor de acesso e passagem para o espaço principal da galeria. Este acolhe-nos, enquanto território de experimentação de uma nova etapa do paradigma fotográfico que tem norteado o percurso de Luís Neto, percurso esse que, sabemos de antemão, não nos permitirá nunca uma condução segura pelo universo não figurativo do artista.

À concepção mais tradicional do que é o acto fotográfico, contrapõe José Luís Neto a alteração das normas do próprio acto. Por analogia à actividade do fotógrafo “que captura” imagens por acção mediadora do aparelho fotográfico (posicionando-se, literalmente, por trás deste), contrapõe Luis Neto o indivíduo que forja as suas imagens, “armadilhando o próprio aparelho”, ou seja, recuperando para o domínio humano o protagonismo do artista, responsabilizando-o a favor de um discurso de possibilidades onde a oposição entre humano e tecnológico é, desde sempre, motivo de aceso debate.

O propósito de José Luís Neto reactualiza-se em cada nova exposição. Em “High Speed Press Plate”, a condição informe das imagens realça a importância dos efeitos químicos aleatórios do processo, suspendendo fracções de tempo em que as possibilidades da fotografia se escapam a quaisquer actos precisos e pré-definidos de constituição da imagem. Para o piso 0 da galeria (“Classic 111”), José Luís Neto dispensou mesmo a intervenção do aparelho fotográfico, optando pelo manuseamento directo dos materiais químicos sobre o papel a impressionar. As ténues variações na intensidade de luz e o vestígio do processo manual são o todo visível de um trabalho que, pela sua condição expositiva ao olhar, incorpora também a sua inevitável atribuição de valores e significações, mais (ou menos) informadas. A subtracção do aparelho (a máquina fotográfica) não condiciona a criação subjectiva de imagens-rosto e imagens-retrato. Assim, é já num plano metafísico que o trabalho de José Luís Neto avança. O processo fotográfico dispensa o real visível? A abordagem do autor abre-se mais em interrogações construtivas do que nas suas respostas apressadas, sendo essa uma das singularidades que, de exposição para exposição, permite situarmo-nos um pouco mais à frente, na polémica questão de antever as possibilidades de uma acção artística que se autonomize do aparelho. A um lado mais céptico, que alerta para a progressiva dimensão totalitária da técnica, e do inevitável, ainda que adiado, enclausuramento do livre arbítrio estético, responde José Luís Neto, posicionando-se entre “apocalípticos e integrados”, com a supressão da máquina fotográfica, ou seja, agindo sobre a própria categorização do médium e suas condições de produção.

Em “High Speed Press Plate” (piso -1), a digitalização de antigos negativos nunca foto-sensibilizados e a sua posterior impressão em jacto de tinta sob papel de grande formato e de textura denunciada, suscita uma outra condição da fotografia; a de, enquanto arte, documentar e questionar o seu próprio tempo de produção e acção físico-química, confrontando-o com um outro tempo de suspensão (o da conclusão artística da fotografia). O material de impressão intensifica as sombras e os seus contrastes, anulando quaisquer brilhos ou reflexos, aproximando visualmente este conjunto de fotografias do efeito que, por natureza, é característico da impressão em gravura.

Com a presente exposição, José Luis Neto completa o ano de 2006 de forma singular, tendo obtido (pela exposição “Anónimo”, MNAA, 2005), o Prémio BESPhoto 2005, integrando a respectiva exposição que, entre Janeiro e Abril, decorreu no CCB.


Miguel Caissotti