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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Eric Rondepierre, “Convulsion”, 1996-98. Copyright Eric Rondepierre/ADAGP 2006


Ugo Mulas, “Verifica n.7. Il laboratorio: una mano sviluppa, l'altra fissa. A Sir John William Herschel”, 1970. Copyright herdeiros Ugo Mulas


Mimmo Jodice, “Vera fotografia”, 1977


Paolo Gioli, “Sconosciuti”, 2006 (1994-95). Copyright Paolo Gioli


Gianni Comunale, “7 miliardi di bit (omaggio a Luigi Ghirri)”, 2002


Joan Fontcuberta, “Googlegram 10: Immigrant”, 2005. Copyright Joan Fontcuberta

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COLECTIVA

Alterazioni. Le materie della fotografia tra analógico e digitale




MUSEO DI FOTOGRAFIA CONTEMPORÂNEA - CINISELLO BALSAMO
Villa Ghirlanda Via Frova, 10
20092 Cinisello Balsamo

08 OUT - 04 FEV 2007


O Museo di Fotografia Contemporanea de Cinisello Balsamo (na periferia de Milão) é um espaço expositivo activo desde 2000, constituído em museu em 2004 e transformado um ano depois em fundação privada. Inteiramente dedicado, como o seu nome indica, à produção fotográfica contemporânea, o museu possui uma colecção de mais de um milhão de imagens, respeitantes a cerca de trezentos autores italianos e estrangeiros. Nos últimos anos, o MFC tem organizado diversas mostras e seminários e editado catálogos e outras publicações. A par do FORMA, Centro Internazionale di Fotografia (fundação privada que acolhe até dia 19 de Novembro uma retrospectiva de Martin Parr e uma exposição de Paolo Ventura), o MFC constitui no panorama milanês (e italiano) uma referência importante no que diz respeito à actualidade fotográfica.

A exposição actualmente em curso, “Alterazioni, Le materie della fotografia tra analogico e digitale”, explora as transformações sofridas pela matéria fotográfica com a passagem do sistema analógico ao sistema digital. O contexto é pois o de uma mutação considerável: a de uma arte mecânica, fundada sobre a revelação química dos traços deixados pela luz, em produção puramente tecnológica, fundada sobre a reconstituição numérica da realidade. De forma a abordar este vasto e complexo conjunto de questões, a comissária da exposição (Roberta Valorta) decidiu explorar uma hipótese ... de continuidade. Assim, o fio condutor da exposição é o questionamento auto-reflexivo e analítico da matéria fotográfica empreendido por diferentes artistas desde os anos setenta (momento de refundação crítica inevitável) até hoje. Esse questionamento seria comum às produções analógica e digital.

O percurso encontra-se organizado em função de quatro momentos-problema. Um primeiro situa-se na década de setenta, período de interrogação generalizada, onde os instrumentos e a matéria tanto física como conceptual da fotografia são postos em causa. Deparamo-nos assim com artistas como os italianos Ugo Mulas e Mimmo Jodice. Mulas encontra-se representado por três das suas “verificações” (“Verifiche”), série em que revisita um conjunto de noções e operações clássicas da fotografia. “Verifica n.7. Il laboratorio: una mano sviluppa, l´altra fissa. A Sir John William Herschel” evoca o trabalho manual implicado nos momentos de revelação e fixação da imagem. “Vera fotografia” de Mimmo Jodice (série “Momenti sovrapposti”) ilustra o mesmo impulso conceptual, recorrendo desta feita à crítica dos conceitos de realidade e de representação. Um segundo momento diz respeito ao suposto regresso da fotografia à auto-reflexividade durante os anos noventa e começo dos anos dois mil (“quase um adeus ao sistema analógico”, nas palavras da comissária), momento que é contemporâneo à exploração da ideia de morte da fotografia analógica e à mestiçagem das imagens (como “7 miliardi di bit (omaggio a Luigi Ghirri)” do italiano Giovanni Comunale, que combina analógico e digital e evoca um dos maiores “fotógrafos-questionadores” italianos, Luigi Ghirri). Tanto as imagens de Paolo Gioli, fotógrafo e cineasta italiano, como as do francês Éric Rondepierre servem para ilustrar o dito retorno da prática fotográfica a uma reflexão sobre a (sua) matéria. É inegável que tanto a série “Sconosciuti” de Gioli, que reproduz os rostos fantasmagóricos de desconhecidos gravados em placas de vidro abandonadas num antigo estúdio fotográfico, como as imagens de Rondepierre constituem uma meditação sobre a matéria e a memória das imagens (não apenas fotográficas). São escolhas fortes (tanto Gioli como Rondepierre têm desenvolvido uma prática pluridisciplinar caracterizada pela multiplicidade de questões que levantam e pela intensidade das suas imagens) que capturam o olhar e a imaginação do espectador, mas que se encontram aqui algo desenquadradas (Rondepierre, por exemplo, trabalha não com fotografias, mas com fotogramas de filmes deteriorados), se não mal exploradas por uma abordagem que é sempre ou demasiado literal, ou programática. Um quarto episódio diz respeito à fotografia digital e à exploração dos seus mecanismos. Melhor do que qualquer outra imagem, “Googlegram 10” de Joan Fontcuberta ilustra esta secção: a imagem do corpo de um emigrante ilegal dado à costa é (re-)constituída por pequenas imagens provenientes da pesquisa das palavras “saúde”, “pensões” e “tráfico” no motor de busca Google. “Imagem-mosaico” que resume bem a natureza sintética (simultaneamente artificial e condensada) do digital, aludindo à sua montagem de pixels e à sua relação com um universo numérico onde tudo é informação (quantificável e traduzível). Apesar de prejudicada pela sua linha condutora (a hipótese inicial revela-se menos consistente do que seria de esperar), “Alterazioni” é uma exposição muito interessante, sobretudo pelo que nos diz acerca da dificuldade actual de pensar (e de expor) a matéria da imagem.



Teresa Castro