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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Philippe Decrauzat, “Explosed D.M.â€, 2003-2006. Pintura mural, vinil


Loris Greaud, “Frequency of an Imageâ€, 2006. Molde de resina e cerâmica, equipamento electrónico específico (radio Perlord), lâmpada


Norma Jean, “Everyday Sight (tribute do Aldous Huxley), June 21st 2003, June 20th 2004â€, 2004


Loris Greaud e Karl Holmqvist, “Topsy (prototype)â€, 2006. Molde de silicone negro, colunas e fonte de alimentação modificadas, leitor de CD, caixa de madeira envernizada.


Tony Matelli, "Weeds" da série “Abandonâ€, 2006. Bronze, óleo


Vista geral, ao fundo vídeo de Gianni Motti,“The Messenger, Raël and Brigitte Boisselierâ€, 2003. Vídeo, DVD, 4´13´

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COLECTIVA

Hysteria Siberiana




CRISTINA GUERRA CONTEMPORARY ART
Rua Santo António à Estrela, 33
1350-291 Lisboa

16 NOV - 06 JAN 2007


“Hysteria Siberiana†é o título da exposição colectiva comissariada por Marc-Olivier Wahler que até 6 de Janeiro estará patente na Galeria Cristina Guerra. O mediático título proposto por Wahler evoca uma passagem de “South of the Border, West of the Sunâ€, do escritor japonês Haruki Murakami, segundo a qual, os camponeses siberianos sofreriam um efeito de exaustão e ruptura psicológicas, provocadas pela contínua exposição a um estilo de vida insuportavelmente repetitivo e fatigante, agravado pela visão incomensurável e entediante da planície siberiana, onde o movimento do Sol constitui a única fonte de notícia sobre a passagem do tempo.


“Hysteria Siberiana†traz um conjunto de artistas internacionais a Portugal, permitindo a Marc-Olivier Wahler (actual director do Palais de Tokyo), continuar uma linha de raciocínio curatorial que tem procurado (quer enquanto agente institucional quer enquanto comissário independente) a articulação e a transmissão de saberes distintos e a sensibilização do público para as formas mais emergentes da arte contemporânea. Para esta exposição, foi definida uma estratégia muito evidente de criação de pontos de contacto com outras áreas que não apenas as artísticas, adoptando-se uma lógica de interdisciplinaridade e de rede que remete todos os dez trabalhos apresentados para cruzamentos com outras tantas áreas distintas de saber, como as que as podem representar Aldous Huxley ou William Burroughs, Erik Satie, o mágico renascentista John Dee, ou ainda o artista Kurt Schwitters, o líder da seita canadense Raël ou os cientistas Konstantine Raudive, entre outros.
Uma visita mais demorada à galeria desencadeará certamente o infindável dispositivo de causa/ efeito das múltiplas associações que cada um, de si próprio conseguir libertar.


E assim, as lentes de contacto usadas com que Norma Jean enuncia um registo da memória visual de todo um ano da vida do seu utilizador; os cumes das montanhas rebaixadas de Luca Francesconi; as propostas de experiências sonoras de Loris Greaud e Karl Holmqvist ou a perpetuação de ervas daninhas de Tony Matelli, constituem sucessivos e renovados enunciados ou simples exaltação de um estado de alucinação, nem sempre em harmonia com a nossa descodificação do título de uma exposição, onde ainda podem ser vistas as transcrições gráficas que Philippe Decrauzat realizou a partir de experiências de estimulação óptica; bem como um vídeo sobre a seita Raël, de Gianni Motti; uma instalação de Pierre Vadi; ou os trabalhos de Joachim Koester ou Dave Allen.


Nada, porém, neste projecto, nos remete para uma forma de aproximação específica à experiência siberiana que Murakami descreve. “Hysteria Siberiana†celebra, se é que assim se pode dizer, uma cumplicidade por formas de delírio cativo.
Ora, essa será precisamente a característica que, na literatura, tem feito correr tinta desde sempre. Os inverosímeis monstros marinhos (bem como a mítica sereia, perdição dos marinheiros europeus dos Descobrimentos) não são mais do que uma outra abordagem do mesmo horizonte inatingível de Murakami. Desidratado, febril, também o efeito da miragem do oásis, no deserto, e os navios-fantasma, no oceano, desencadeiam o esgotamento irracional das últimas e débeis energias do homem errante, impotente face à Natureza, mas responsável pelo destino que o próprio, obstinado, deixou afunilar. Melville, Defoe ou Garcia Marquez (por mar), Bowles ou Dostoievski (por terra); fixariam o mesmo horizonte de Marc-Olivier Wahler; Não pela partilha das categorias do delírio (“Hysteria…â€), mas pelo que de imaginário e fantasmagórico ele proporciona. Muito no limite do que é ou pode deixar de ser humano. Muito tentador por essa mesma razão.





Miguel Caissotti