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COLECTIVANetSpace: viaggio nell´arte della Rete - Geografie di SpaziMAXXI – MUSEO DELLE ARTI DEL XXI SECOLO Via Guido Reni, 6 00196 Roma 02 DEZ - 28 FEV 2007 Pouco antes da sua morte em 1968, Marcel Duchamp profetizava que os grandes artistas do futuro “will go underground”. Nos anos noventa, chegou a pensar-se que o novo “underground” era a Internet. Quando o esloveno Vuk Cosic se lembrou do termo net art para descrever uma série de produções (desde web sites e/ou softwares “artísticos” a todos os projectos para os quais a Internet – incluindo o correio electrónico – fosse a condição fundamental) alguns anunciaram o regresso triunfante da(s) vanguarda(s). Em 1997, a Dokumenta X consagrou a prática - e a expressão. Dez anos depois, a net art continua viva e de saúde: museus como o Whitney Museum of American Art (http://artport.whitney.org/) ou a Tate Modern (www.tate.org.uk/netart/) incluem mesmo portais que lhe são inteiramente dedicados, tentando responder à questão que desde o começo se coloca às várias instituições que se interessam por ela: como expor e dar a conhecer a net art; como a conservar? Entre essas instituições encontra-se o MAXXI (Museo delle arti del XXI secolo). Tutelado pela Direzione generale per l’Architettura e l’Arte contemporanea, cujos objectivos são a valorização e promoção das artes e arquitecturas contemporâneas, o MAXXI é um ambicioso projecto museológico e cultural que pretende colocar a capital italiana no centro das atenções. No bairro Flaminio, uma calma zona residencial a dois passos do centro histórico de Roma, podemos actualmente ver o sítio onde o complexo edifício da arquitecta anglo-iraquiana Zaha Hadid ganha a pouco e pouco as suas formas. Infelizmente, devido a um corte orçamental inesperado (e significativo), não se sabe ainda se o MAXXI se verá obrigado a adiar mais uma vez (e até data incerta) a inauguração da sua sede oficial. Por enquanto, o museu continua a funcionar num centro temporário instalado na Via Guido Reni. É aí que podemos consultar os vários web sites que constituem a mostra “NetSpace: viaggio nell´arte della Rete - Geografie di Spazi” (os sites são também acessíveis a partir de qualquer computador ligado à Internet). Concebida com a assistência do Serviço Educativo do museu, esta exposição constitui o prolongamento de uma série de eventos dedicados ao tema “Net Web Art”. Durante dois anos (2005-2006), o MAXXI passou em revista a história da net art, tentando familiarizar o público com as características desta eclética “corrente” artística. “Netspace” desenvolve este propósito, procurando aprofundar algumas das temáticas afloradas anteriormente através da realização de exposições temáticas, encontros com artistas, seminários e mesas redondas, bem como de “visitas” guiadas. “Visitas”, sim, mas entre aspas. Porquê? Porque, obviamente, estas “visitas” são um pouco diferentes, uma vez que o espaço onde se encontram as obras não é verdadeiramente o espaço real do museu (onde se situam, de facto, as estações de consulta), mas esse outro espaço virtual que é a rede. “Netspace” é verdadeiramente uma questão de espaço. Depois de as exposições anteriores terem dado a conhecer ao público do MAXXI os “clássicos” do género (entre os quais Miltos Manetas, Mark Napier e o seu potatoland ou Jodi.org), “Netspace” propõe agora uma série de seis obras (várias delas datando de já alguns anos) explorando a criação de espaços virtuais. São seis projectos muito diferentes que ilustram bem a versatilidade (e, por vezes, os pontos fracos) da net art. Agricola de Cologne, artista e curador multimédia alemão, encontra-se representado por um filme interactivo realizado em Flash. O filme é inspirado pelos escritos de um sobrevivente de Chernobyl: à medida que exploramos a obra, vamos descobrindo e construindo, i.e. navegando, a paisagem virtual, multimédia e fragmentada da memória colectiva de um evento traumático. Já o arquitecto grego Andreas Angelidakis (colaborador frequente de Miltos Manetas) apresenta um projecto intitulado “Invisible Home” que pretende representar uma casa onde as dimensões exterior e interior deixaram de existir. Propósito fascinante (a obra foi originalmente criada para uma exposição sobre a videovigilância), mas que se revela, na prática, demasiado hermético e conceptual para quem não está familiarizado com aplicações informáticas no domínio da arquitectura. Chiara Passa, jovem artista italiana que se dedica às novas tecnologias e em particular a animações digitais, apresenta-nos o modesto “Super Place Project”, onde um holograma pretende evocar o espaço utópico de uma cidade grega. Por seu lado, “The Central City” do britânico Stanza ilustra pela positiva as múltiplas capacidades da net art: obra labiríntica, “The Central City” tem mais de trinta secções, contendo cada uma delas diferentes bandas sonoras e montagens de imagens geradas pelo computador e controladas ocasionalmente pelo utilizador. Tal como quando se chega a uma grande cidade, há que perder-se nos meandros desta “cidade central”, que esconjura simultaneamente fragmentos de metrópoles reais (como Londres ou Barcelona) e imagens abstractas da nossa experiência urbana quotidiana (mapas, grelhas de planeamento urbano), para começar verdadeiramente a perceber os estranhos mecanismos que a regem. Olhar criativo e crítico, como o de Roxana Torre, designer holandesa que criou “Personal world map”, interface gráfico que explora a acessibilidade de diferentes cidades do mundo, entre as quais Lisboa. Neste mapa pessoal, as distâncias são medidas em função do custo de uma viagem de avião a partir de um ponto X e do tempo de duração dessa viagem. Escolhendo-se uma cidade de partida, o mapa do mundo transforma-se, recriando-se por anamorfose em função de três tipos de distâncias: a espacial, a temporal e a financeira. Partir de Lisboa ou de Madrid faz aqui toda a diferença... Finalmente, os americanos Marek Walczak e Martin Wattenberg encontram-se representados pelo inteligente e poético “Apartment 2001”: são as palavras que escrevemos que geram a pouco e pouco apartamentos, edifícios e cidades, estruturados em função das relações semânticas que se estabelecem entre elas. A ideia é simples e de uma precisão científica: cartografar a informação. O resultado é tocante e inspirador: são as nossas palavras que criam espaços e é a partir delas que surgem novos mundos. Para além da exposição NetSpace, o MAXXI apresenta também até ao dia 28 de Fevereiro uma mostra sobre o arquitecto italiano Massimiliano Fuksas. OBRAS DISPONÍVEIS EM: Agricola de Cologne (Alemanha) “]and_Scape[“, 2002 www.nmartproject.net/agricola/mpc/volume3/and_scape1.html Andreas Angelidakis (Grécia) “Invisibile Home”, 2002, a project commisioned by the National Museum of Contemporary Art (EMST), Atenas www.angelidakis.com/invisiblehome/1.html Chiara Passa (Itália) “Super Place Project”, 2001 www.chiarapassa.it/VIDEO/videoplace.swf Stanza (Inglaterra) “The Central City”, 1997 – 2004 www.thecentralcity.co.uk Roxana Torre (Holanda) “Personal World Map”, 2005 www.personalworldmap.org/ Marek Walczak e Martin Wattenberg (Estados Unidos) “Apartment”, 2001, a project commissioned by Turbulence.org http://turbulence.org/Works/apartment/
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