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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Nam June Paik, "The more the better", 1988


Nam June Paik, "TV Buddha", 1974


Douglas Davies, "The Last 9 minutes", 1977


Shigeko Kubota, "Duchampiana", 1977


Dará Birnbaum, "PM Magazine", 1982


Juan Downey, "Vídeo Trans Américas", 1976-99


Ulrike Rosenbach, "Herkules King-Kong", 1977-2005

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ARQUIVO:


COLECTIVA

Primeira Geração: Arte e Imagem em Movimento (1963-1986)




MUSEO NACIONAL CENTRO DE ARTE REINA SOFÍA
Santa Isabel 52
28012 Madrid

07 NOV - 02 ABR 2007


1. A afirmação, recorrente na última década, da videoarte como “a arte do presente” tende a legitimar o inegável desconhecimento relativamente aos primeiros anos de criação e à primeira geração de artistas que exploraram as possibilidades deste novo medium – o vídeo.

Tal desatenção gerava, entre outras consequências, uma clara dificuldade em autonomizar o movimento associado à produção videográfica das origens (década de 60-70) de outros movimentos que viriam a assumir, nesse período, uma maior representatividade (como a Pop-Arte, o Minimalismo ou mesmo a Body Art e a Land Art), para além de criar uma certa “descontinuidade” entre os trabalhos produzidos antes 1967 (ano da comercialização do videogravador analógico portátil da Sony, sucessor do “velho” Portapack) e os trabalhos produzidos entre 1967 e 1997 (ano da comercialização pela Sony e pela Canon da máquina de vídeo digital) e entre estes e os produzidos após 1997. A história da videoarte resultava, assim, “fracturada” e desenraizada do seu pleno contexto histórico-cultural.

É esta lacuna que a exposição “Primeira Geração: Arte e Imagem em Movimento (1963-1986)”, curada por Berta Sichel, pretende e indiscutivelmente colmata. A mostra, a todos os títulos muito significativa, apresenta um espólio de trabalhos que o Museu Rainha Sofia começou a adquirir em 2005. Não pretendendo ser uma exposição temática ou seguir uma ordem estritamente cronológica, “Primeira Geração”, apresenta-se, antes como uma visão de conjunto que nos permite perceber os processos e as intenções que levaram a que uma tecnologia de gravação, transmissão e reprodução de som e imagens surgida em 1950 – e tecnicamente diferente do cinema – se tenha convertido num meio de criação artística. A exposição estrutura-se em torno das diferentes perspectivas e usos dos artistas que recorreram ao vídeo durante os primeiros vinte cinto anos de história do medium. Entre eles encontramos a inspiração dos “movimentos” Fluxus e Dé-coll/age, das influências Situacionistas e das novas medialogias (nomeadamente de McLuhan) que levam a questionar a relação entre meios audiovisuais e o espectador, clara é, também, a presença do Feminismo, da Performance e o legado da Arte Conceptual e do Minimalismo.

No espaço de um ano, o Museu Rainha Sofia, teve capacidade para localizar e adquirir algumas das mais importantes obras da história da videoarte. Claro que há lacunas, algumas assinaláveis, começando pela ausência de trabalhos de Andy Warhol e passando pela ausência de Levi Levine (nomeadamente a sua revolucionária “Photon: Strangeness 4” (1968) que combinava um sistema de vídeo activado por meios electromecânicos com cabos em vibração e espelhos móveis), de Nan Hoover cuja colaboração (e influência mútua) com Nam June Paik influencia, decisivamente, a segunda geração da videoarte, de Jasper Johns, de Artur Barrio, pioneiro da videoarte sul-americana (nomeadamente “De dentro para fora” (1970) criado para a exposição “Information Art” (MoMA de N.Y., 1970) ou, do também brasileiro, José Roberto Aguilar, da mesma forma alguns eventos marcantes não estão representados, como as “Nine Evenings for Art and Technology” que tiveram lugar durante o mês de Novembro de 1966 em Nova Iorque e onde foram apresentadas peças importantes como as de Alex Hay e Robert Whitman, ausentes estão, também, obras muito menos conhecidas mas marcantes como a da artista argentina Marta Minujín que, na sua instalação “La Menesuda” (1965), utiliza pela primeira vez uma espaço com circuito interno de televisão.


2. A exposição começa por oferecer ao visitante o excelente documentário “Fluxus Replayed” (1991) de Takahiko Iimura que recupera e enquadra algumas das performances mais ilustrativas do espírito Fluxus, como as de Yoko Ono, Dick Higgins, George Brecht entre outros. Somos assim “preparados” para o que vamos ver nas salas seguintes: na primeira sala encontramos alguns dos mais importantes trabalhos das origens da videoarte como as “6 TV Dé-coll/age” (1963) de Wolf Vostell e uma série de obras da série “Exposition of Music-Electronic Television” (1963-65) de Paik, são obras que influência técnica e conceptualmente o conjunto de trabalhos da sala seguinte, obras dos anos 70-80 de trabalham com a televisão como medium e como objecto, entre elas encontramos as “TV Interruptions” (interrupções à normal programação televisiva que eram emitidas sem qualquer aviso prévio), trabalho referêncial da crítica à “sociedade do espectáculo” dos anos 70, realizadas por David Hall para a televisão escocesa e emitidas entre Agosto e Setembro de 1971 ou “The Live! Show” programa de “anti-televisão” realizado por Jaime Davidovich e emitido no Manhattan Cable entre 1975 e 1984.

Nas salas seguintes dois destaques: o primeiro para o, muito significativo, núcleo de obras de mulheres artistas cujos trabalhos se assentam em três em grandes eixos – as reflexões sobre o género; a presença do corpo; a confrontação política – encontramos aí obras de VALIE EXPORT (figura-chave do movimento “accionista”), Hanna Hilke, Ana Mendieta, Joan Jonas (cujo trabalho ilustra bem a o diálogo entre a vídeo arte e a action art), Marina Abramovic (com uma obra-quase-manifesto “Art Must Be Beautiful, Artists Must Be Beautiful” de 1975) ou de Shigeko Kubota, a figura feminina mais influente do movimento Fluxus, de quem se apresenta aqui a obra mais conhecida (e um dos ícones da videoarte) a instalação "Duchampiana. Nude descending a Staircase” (1976); o outro núcleo reúne obras de artistas mais consagrados e cujas referências são as mais diversas ( em particular a pintura, a fotografia e a Performance) casos de Peter Campus, Gary Hill, David Lamelas, Bill Viola, Vito Acconci ou Bruce Nauman. A exposição completa-se com a possibilidade de consulta a uma base de dados onde estão disponíveis 80 vídeos monocanal sendo possível (re)descobrir os trabalhos do colectivo ANT FARM, de Martha Rosler ( com o irónico “Semiotics of the Kitchen” de 1975) ou as, pouco vistas, “esculturas corporais” desenvolvidas por Rebecca Horn durante o seu internamento entre Dezembro de 1968 e Junho de 1969 e registadas entre 1970 e 72.


3. A acompanhar a exposição foi publicado um catálogo (com mais de 400 páginas) que é, a partir de agora, uma referência fundamental em qualquer bibliografia sobre videoarte. Para além da excelente apresentação à exposição feita por Berta Sichel, destaque para os textos (não inéditos) de Rosalind Krauss, “Videoarte: a estética do narcisismo”, originalmente publicado em 1978 e, sem dúvida, um dos ensaios mais marcantes para a teoria da videoarte ulterior e de Martha Rosler (um dos melhores ensaios histórico-críticos sobre a videoarte “Vídeo: Shedding the Utopian Moment” de 1990. Em língua portuguesa o leitor dispõe da obra de Arlindo Machado, “A arte do vídeo” (São Paulo, Brasiliense, 1988), da antologia de textos coordenada por Cláudia Giannetti, “Ars telemática” (Relógio d’Água, Lisboa), do recente “Video Art”, de Syvia Martin, editado pela Taschen, bem como alguns ensaios publicados no número da RCL sobre “A Cultura das redes” (Org. Maria L. Marcos e J. Bragança de Miranda, Relógio d’Água, Lisboa, 2002).


José Manuel Bártolo