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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Christian Marclay, “Crossfireâ€, 2007. Still. Vídeo projecção em quatro canais. 8´30´´loop. Edição de 6


Christian Marclay, “Crossfireâ€, 2007. Still. Vídeo projecção em quatro canais. 8´30´´loop. Edição de 6


Vista da exposição na White Cube


Vista da exposição na White Cube


Christian Marclay, “Skillpâ€, 2006. Edição de 5


Vista da exposição na White Cube

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ARQUIVO:


CHRISTIAN MARCLAY

Crossfire




WHITE CUBE - BERMONDSEY
144 – 152 Bermondsey Street
London SE1 3TQ

01 FEV - 10 MAR 2007


Após o grande sucesso da exposição do artista, músico e dj americano Christian Marclay (Califórnia, 1955) no Barbican Centre em 2005, a nova vídeo-instalação e o grupo de imagens apresentados na galeria White Cube volta a mostrar em Inglaterra o trabalho brilhante de um artista pouco conhecido pelo grande público.

Activo como artista plástico desde o início dos anos oitenta, Christian Marclay desenvolve um trabalho muito particular ao explorar as relações e as possíveis formas de articulação entre som e imagem. Marclay recorre frequentemente ao uso de colagens em que junta excertos de composições visuais associadas à industria e ao marketing discográfico e com as quais realiza imagens, objectos e grandes instalações que apresentam uma notória exuberância e uma estética entre o Glam e o Pop.

Na exposição patente na White Cube, o artista prossegue o seu desenvolvimento de um hipotético vocabulário entre música e imagem e a sua transposição do som para uma forma visível, abrindo um espaço infinito entre as possibilidades daquilo que ouvimos e do que vemos.

“Little Bill Daggett: I suppose you know, Bob, if I ever see you again I´m just going to start shooting and figure it was self-defense.
Bill Munny: I´ve killed women and children. I´ve killed everything that walks or crawls at one time or another. And I´m here to kill you, Little Bill, for what you done to Ned.â€
(excerto de um diálogo entre Clint Eastwood e Gene Hackman do filme Unforgiven, Clint Eastwood, 1992)

“Crossfire†(8’30’’, 2007) a obra que dá o nome a toda a mostra, consiste numa instalação vídeo de quatro canais, cada um projectado numa das paredes da sala. Um ruído forte e agressivo que se propaga em toda a galeria antecede a sua visualização, não permitindo, contudo, identificar claramente da sua origem. Ao penetrar no espaço, o visitante vê-se confrontado com quatro projecções gigantescas de cenas de tiroteio, que se alternam a grande velocidade, como que realizando um diálogo entre si. Encontrando-se no meio deste fogo cruzado, sem qualquer possibilidade de fuga a um ataque que chega, de um modo ruidoso quanto rápido, de todas as partes, nada mais lhe resta do que procurar reconhecer os inúmeros excertos - editados de forma excelente - que se repetem nas diversas projecções e com uma cadência que remete para certas obras de Bruce Nauman e de Candice Breitz. O ritmo sonoro cria um impacto muito forte que, há medida que o tempo passa, gera efeitos melódicos inesperados que confirmam ainda mais o editing excelente de toda a composição. Em certos momentos, o que se vê – e se ouve – é apenas o ritual de preparação do tiroteio: rumores de gatilhos e de armas a serem carregadas que antecedem e preparam para o que está para acontecer. O ritmo, em crescendo, cria um suspense muito semelhante ao gerado pelos filmes de acção dos quais os excertos foram retirados e atinge o auge, quando, novamente, o artista retoma as cenas de grande violência e impacto, sonoro e visual.

Utilizando um processo semelhante na transposição de sons para imagens nas obras em papel que apresenta, Marclay desenvolve uma série de seis trabalhos (“Skiilpâ€, “Visshh!â€, “Shtoomâ€, “Whompâ€, “Aaaaahhh†e “Click Clickâ€, todas de 2006) realizados a partir de colagens de pequenos fragmentos de comics americanos. Utilizando a onomatopeia de forma tautológica, Marclay cria imagens a partir de expressões verbais de rumores fortes, remetendo para certas obras de Roy Lichstenstein (como a célebre “Whaam!â€, 1963), não só pelo uso da palavra associada a um som mas também pela forma como amplia a imagem de banda desenhada a uma escala muito superior à natural, gerando bandas cromáticas que enfatizam a materialidade do papel e as cores da figura original.

Toda a exposição ganha a sua força no acto de retirar certos excertos do seu contexto narrativo original, conferindo-lhes, através deste processo de descontextualização, uma liberdade e uma força insuspeitáveis.


Filipa Ramos