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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Katinka Bock. Vistas da exposição Personne na Culturgest


Katinka Bock. Vistas da exposição Personne na Culturgest


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ARQUIVO:


KATINKA BOCK

Personne




CULTURGEST
Edifício Sede da Caixa Geral de Depósitos, Rua Arco do Cego
1000-300 Lisboa

25 FEV - 13 MAI 2012



Ces images de la matière terrestre, elles s’offrent à nous en abondance dans un monde de métal et de pierre, de bois et de gommes; elles sont stables et tranquilles; nous les avons sous les yeux; nous les sentons dans notre main, elles éveillent en nous des joies musculaires dès que nous prenons le goût de les travailler.
Gaston Bachelard





Em Personne, Katinka Bock convida-nos a uma jornada através da linguagem dos materiais, e do modo como a imaterialidade do pensamento é convertida em materialidade, num processo de prestidigitação sem mistérios. “A escultura é, de todas as artes, o terreno em que se decide com maior acuidade a questão da consonância entre matéria e pensamento.” [1] A artista seleciona materiais simples que nos colocam constantemente entre o hiato que separa e une o orgânico do geométrico, evidenciando uma capacidade para criar lugares de osmose entre diferentes matérias – ora harmoniosos, ora agonísticos, mas sempre interiores, obrigando a um recolher introspetivo.

A artista alemã coloca os materiais no espaço como se estivesse a montar um cenário no qual os objectos são os protagonistas do acto em cena. A simplicidade e o rigor da disposição evidenciam uma economia de gestos relativamente a manipulação dos materiais. Katinka Bock limita-se a ceder-lhes a palavra: a liberdade imaginativa dos objectos, teoricamente desenvolvida por Gaston Bachelard, parece contaminar as salas da Culturgest. “Mas mesmo quando as mãos da artista agem sobre o material, lhe dão a sua forma, isso é pouco relevante ou mesmo irrelevante para a definição daquilo que a obra é, para a relação que com ela estabelecemos, para a experiência de perceção e a construção de significados.” [2]

Uma arquitetura minuciosa parece ser constantemente abalada pela energia natural da paisagem, estabelecendo-se uma relação simbiótica entre natural e artificial. Em Zentralplatz (2011-12), materiais de diversas naturezas, cores e dimensões são dispostos no centro da sala, como se de uma cidade em miniatura se tratasse. Cada um dos elementos está marcado por um passado, por uma mutilação. New Balance (2012) é a obra que melhor explora as relações que se estabelecem entre matérias de diferentes origens: aço, ferro, tecido, alumínio, madeira e limões compõem uma unidade de sentido onde o equilíbrio abunda, apesar das diferentes naturezas evocadas. Também em Löwe (2012), uma obra constituída por pedra, sabão e um aro de madeira, os três materiais, apesar de serem de naturezas tão distintas e evocarem temperaturas, cores e resistências tão distantes, coexistem numa unidade dinâmica e harmoniosa que devolve à obra uma significância unívoca.

A (2012), uma obra onde podemos observar um escadote, uma sobreposição de tijolos, pedras e ainda um pedaço de tecido, alude à questão da construção e da acumulação, sendo que estas aqui acontecem com uma estética peculiar. Os objectos não estão dispostos como se fosse apenas uma zona de arrumos de materiais de construção. Pelo contrário, a disposição dos mesmos lembra uma quadra de naturezas mortas, estão dispostos em íntima ligação uns com os outros, simplesmente para que os contemplemos. As funções atribuídas vulgarmente a estes objectos ficam esquecidas, e a obra, no todo que dá a ver, irradia a beleza que está oculta na rudeza a que habitualmente associamos a cada um dos objectos.

A presença do elemento humano surge, pontualmente, na paisagem, como se este se tratasse apenas de mais uma rocha fraturada, de mais um aro metálico entre as obras. Em Atlantic (2012), observamos que uma área da sala esta coberta por uma textura rugosa: areia de praia. Uma vez mais a Natureza irrompe, assinando por baixo. Mas esta não será certamente uma praia desabitada: no centro da área arenosa, habita solitária, uma escultura em carvalho, na sua altivez imponente de quem sabe o seu espaço. Esta “personagem”, Personne (2012), dá título à exposição e parece representar o caminho percorrido por todos os objectos acolhidos nas salas: o olhar do criador e o olhar do espectador, sempre humanos no modo como recolhem, manipulam, contemplam e atribuem um significado aos objectos que os rodeiam.



NOTAS

[1] Miguel Wandschneider, Katinka Bock. Lisboa: Culturgest, fevereiro – maio 2012, p. 5
[2] Ibid



Maria Beatriz Marquilhas