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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Dor Guez, Watermelons under bed (Still), 2010. Vídeo, 8:00 minutos. ©Dor Guez. Cortesia: The Mosaic Rooms


Dor Guez, Watermelons under bed (Still), 2010. Vídeo, 8:00 minutos ©Dor Guez. Cortesia: The Mosaic Rooms


Vista da exposição. Dor Guez, Watermelons under bed, 2010. Vídeo. Fotografia: Inês Valle


Vista da exposição. Dor Guez, Scanograms #2, 2011, e 40 Days, “scanograms”, 2012. Cortesia: The Mosaic Rooms


Vista da exposição. Dor Guez, Scanograms #2, setembro 2011, Passaporte do Governo da Palestina, Família El Monayer antes de 1948, instalação de 8 peças, 80x80x65 cm, 2011. Foto: Inês Valle


Vista da exposição. Dor Guez, Scanograms #2, setembro 2011, Passaporte do Governo da Palestina, Família El Monayer antes de 1948, instalação de 8 peças, 80x80x65 cm, 2011. Foto: Inês Valle


Dor Guez, 40 Days, “scanograms”, da série de objetos ready-mades manipulados, 12 impressões a jato de tinta, 90 x 65cm/65 x 90cm, 2012. ©Dor Guez. Cortesia: The Mosaic Rooms


Dor Guez, 40 Days, “scanograms”, da série de objetos ready-mades manipulados, 12 impressões a jato de tinta, 90 x 65 cm/65 x 90cm, 2012. ©Dor Guez. Cortesia: The Mosaic Rooms


Vista da exposição. Dor Guez 40 Days, 2012. Vídeo-instalação constituída por 2 canais de vídeo, 15m. Cortesia: The Mosaic Rooms

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DOR GUEZ

40 Days




THE MOSAIC ROOMS
A.M. Qattan Foundation Tower House, 226 Cromwell Road
London SW5 0SW

12 ABR - 06 JUN 2013

Nakba: Memories from Unfinished Stories

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The tragedy in Palestine is not just a local one; it is a tragedy for the world, because it is an injustice that is a menaceto the world’s peace - Arnold Toynbee, historiador britânico





The bride is beautiful but she is married with another man, foi assim que os dois rabis enviados em 1896 descreveram a Palestina, uma afirmação que traduz o quão determinados os sionistas estavam em concretizar os seus ideais, independentemente das consequências que poderiam advir para o povo palestiniano.

Os planos para a implementação dos Estado de Israel provêm (pelo menos) desde o final do século XIX, no entanto é somente durante os anos 30, altura em que a Palestina estava sob o controlo dos ingleses, que se verifica um créscimo exponencial do número de imigrantes judeus, legais ou ilegais, para este território. Somente entre 1931 e 1935 o número anual de imigrantes judeus passou de 4 mil para 62 mil. Com a aplicação de ideologias que apadrinhavam o movimento sionista, testemunhamos uma imolação extremamente discriminatória e radical neste território, que culmina numa limpeza étnica de árabes que ‘incentiva’ os restantes a fugirem para países adjacentes, como a Jordânia, acabando por substituir árabes por judeus. Por tal, não é surpreendente que após os eventos de 1948, quando o Estado de Israel é oficialmente estabelecido, que os judeus fossem a preponderante maioria e quaisquer outros neste território, independentemente da sua religião ou etnia, fossem uma pequena minoria sem direitos ou poderes.

40 Days é a exposição de lançamento do programa cultural Disappearing Cities of the Arab World no The Mosaic Rooms em Londres, que tem por objetivo explorar a destruição da vida urbana árabe na era pós-colonial. Uma exposição que apresenta o trabalho mais recente do artista Dor Guez e que facilmente pode ser encarada como uma forte metáfora ou testemunho de resistência das diversas minorias que subsistem num sistema geopolítico globalizado. Através das seus projetos somos transpostos não só para memórias de sobreviventes palestinianos, através de testemunhos familiares, como somos coagidos a refletir sobre as historias do Estado de Israel e consequentemente sobre a atual situação dos palestinianos que sobrevivem sob um governo que lhes foi imposto.

Dor Guez nasceu em Jerusalém e tem ascendência judaica-tunisiana do lado do seu pai e palestino-cristã da sua mãe. A sua família faz parte de uma das menores minorias étnico-religiosas existentes em Israel, os árabes-cristãos, que representam cerca de 1.5% de uma população de 8,002,300, em que 75% são judeus [1]. Quando o estado de Israel foi declarado apenas 1,050 árabes permanecerem na cidade de Al-Lydd (hoje denominada de Lod). Muitos familiares de Guez mudaram-se para Londres, Oman e Cairo, mas alguns permaneceram, como é o caso dos seus avós que se esconderam na igreja em Lod durante o expurgo de árabes em 1948. O próprio artista é um produto do conflito de duas realidades – a criação do estado de Israel que possibilitou a imigração do seu pai e a desapropriação da família da sua mãe [2].

Num dos vídeos apresentados nesta exposição − Watermelons under the bed, é exposta a conexão entre duas culturas e o resultado da sua união. Um vídeo que através de uma narrativa familiar reconta o processo de ajustamento das vidas dos árabes após 1948, utilizando a historia dos seus avós. O artista utiliza a melancia e o figo-do-inferno como uma referência à identidade e ao lugar na cultura Palestina e Israelita, transformando-os em símbolos de Israel. Hoje em dia, para os israelitas a melancia, um fruto que era cultivado na antiga Palestina, tornou-se agora o símbolo do ‘verão israelita’, uma apropriação de um símbolo palestiniano para a nova cultura israelita. Já o figo é o termo comummente utilizado para se referir ao ‘novo judeu’ que já nasceu no território de Israel, “espinhoso” por fora e “doce” no interior. Por outro lado para os Palestinianos este figo é o símbolo da resistência e do profundo enraizamento que estes têm para com o território, visto que este tem raízes profundas e continua a crescer mesmo que arrancado e transposto para outro terreno. Este vídeo faz uso desta última analogia quando nos confidencia as múltiplas rupturas com o território que os palestinianos suportaram desde o Nakba. Enquanto que os judeus referem a guerra de 1948 como a Guerra da Independência, os palestinianos referem esta guerra e o período posterior como Nakba, que significa catástrofe. Uma analogia comparável ao holocausto dos judeus. Quando o estado de Israel foi estabelecido, cerca de ¾ de milhão de palestinianos foram exilados para não referir o número incerto dos que foram assassinados, num ato que continua a não ser aceite como genocídio pela comunidade internacional.

Questões de exclusão e marginalização cultural, religiosa ou étnica são hoje particularmente ressonantes no mundo árabe. O que se continua a observar em Israel no que se diz respeito ao seu relacionamento com os árabes é no mínimo chocante, tendo a sua mobilidade dentro do território completamente condicionada, sendo por exemplo obrigados a andarem sempre com um visto de permissão, que pode ser solicitado a qualquer momento pelas autoridades israelitas. Segundo Jack Persekian, em 1967, quando Jerusalém foi anexada ao estado de Israel, a maioria dos árabes foram despojados do seu património, tornando alienígenas dentro do seu próprio país. Mais recentemente, foi edificado o ‘muro de separação‘ que não só divide os palestinianos que vivem em Jerusalém dos de West Bank, como separa comunidades palestinas, chegando mesmo a existir casos de famílias que ficaram separadas por esta enorme vedação em betão [3].

Na instalação Scanograms #2, podemos observar a facilidade dos árabes em se deslocarem no território antes de 1948, através dos passaportes da sua família durante o Mandato Britânico da Palestina, sendo o último carimbo datado de 1947. Esta é uma instalação constituída por 8 caixas negras apoiadas num trípode que exibem paralelamente páginas de passaportes e testemunhos escritos em árabe, sobre o período anterior a 1948, que o artista tem vindo a recolher ao longo dos anos para o seu contínuo projeto - Arquivo de Palestinos-Cristãos (APC) [4].

Apresentado em diálogo com esta instalação temos a série de 40 Days - ‘Scanograms’, um conjunto de 12 imagens do cemitério de Al-Lydd que também pertencem ao APC. Estas são fotografias que foram originalmente captadas por Jacob Ya’qoub Monayer (avô de Dor Guez do lado materno), como prova documental do vandalismo aos túmulos no cemitério Palestino-Cristão em Lod, e entregues à polícia local para averiguação do caso. No entanto, a polícia não descobriu o(s) culpado(s) e devolveu as fotografias, sendo estas posteriormente guardadas numa gaveta da cozinha, ficando expostas a humidades. Aparte da história que as imagens representam e a memória que evocam, estas tornam-se como um objecto singular, marcado e vincado pelo seu manejo, tornando-se num objecto destruído. A tecnologia utilizada para a captação destes objetos fotográficos, ao que Guez designa de ‘scanograms’, permite captar as distintas características destes com grande detalhe. Através deste processo, em que as imagens são digitalizadas três vezes, segundo três camadas, foi possível captar as marcas, dobras, rasgos ou texturas de cada fotografia. Sendo posteriormente manipuladas e interpretadas digitalmente pelo artista, e criado assim um novo objeto a partir de cada uma destas fotografias. Uma outra obra que igualmente explora o cemitério de Lod e alguns dos seus múltiplos significados, é a vídeo-instalação 40 Days, em que é disponibilizado publicamente uma história familiar muito pessoal a Guez, a morte do Ya’qoub Monayer, o seu serviço fúnebre e paralelamente a história do lugar em que este é enterrado, um cemitério que tem sido vandalizado por diversos grupos religiosos ao longos dos anos.

Quer o título desta obra, quer da própria exposição poderão ser interpretados como uma dedicatória ou memorial ao avô de Guez, e consequencialmente como uma referência à crença da Igreja Ortodoxa de Leste que acredita que a alma dos mortos vagueiam na Terra durante 40 dias até a alma ascender. Acrescenta-se à simbologia da vídeo-instalação a representação do líder religioso da Igreja Ortodoxa, que através dos eventos na igreja da cidade de Lod, denuncia um problema que tem vindo afectar a comunidade árabe-cristãs em Israel. No vídeo vemos constantemente uma folha de papel branca a velar a face do sacerdote enquanto este realiza a cerimónia, um papel que relembra o nomes das pessoas que devem ser enunciadas. Segundo uma conversa realizada em Abril de 2013 entre Dor Guez e Achim Borchardt-Hume em Londres, o artista conta que o sacerdote de Lod não sabe o que se passa na comunidade nem tem qualquer ligação a esta, e um dos factores cruciais deste distanciamento da comunidade que ele “lidera” é o facto de ele não conseguir comunicar na mesma língua. As missas de domingo chegam mesmo a demorar três horas, dado que o sermão tem (com chapeu) de ser traduzido do Grego – a língua que o sacerdote sabe falar. Por tal, estas últimas duas obras poderão ser interpretadas como um reflexo da situação dos palestiniano-cristãos que vivem em Israel, ao que o artista vê como uma minoria dentro da minoria de palestinianos.

Dor Guez através da sua prática artística tem vindo a explorar e a questionar a complexidade identitária, religiosa, cultural, linguística, territorial e histórica que os descendentes de palestinianos enfrentam hoje em dia, e todos os seus trabalhos partem da sua esfera histórica familiar, tornando assim um forte testemunho de uma história de um povo e de um território, que refletem numa perspectiva mais ampla, as múltiplas rupturas que minorias resistem dentro de sistemas político-sócio ou religiosos que as marginalizam.



NOTAS

[1] http://en.wikipedia.org/wiki/Israel

[2] Hume, Tim. A minority within a minority: Artist tells the story of the Palestinian Christians, CNN, 2013.
Link: www.edition.cnn.com/2013/04/11/world/meast/dor-guez-christian-palestinian-art

[3] Persekian, Jack. A Place to Go, in Catálogo da Bienal Internacional de Sharjah, 2005.

[4] Nota: O Arquivo Palestiniano Cristão, é o primeiro e único arquivo sobre esta comunidade, um projeto que hoje em dia é dedicado aos cristãos palestinianos na diáspora. Um projeto que surge quando o artista descobre uma mala cheia fotografias debaixo da cama dos seus avós, imagens revelavam não histórias de família mas são também testemunhos do que sucedeu na Palestina, antes e depois de 1948.



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ENGLISH VERSION

NAKBA: MEMORIES FROM UNFINISHED STORIES
By Inês Valle




The tragedy in Palestine is not just a local one; it is a tragedy for the world, because it is an injustice that is a menaceto the world’s peace - Arnold Toynbee, British historian





The bride is beautiful but she is married with another man, was how two rabbis, sent in 1896 described Palestine, a statement that expresses the determination of the Zionist movement in putting into practice their ideals, regardless of the future consequences that it would have to the Palestinian people.

The plans for the implementation of the State of Israel had started (at least) in the end of the 19th century; nevertheless it’s only during the 1930s, a time when Palestine was under British rule, that an exponential increase of the number of Jewish immigrants, legal or illegal, to this territory is recorded. Just between 1931 and 1935, the annual number of Jewish immigrants rose from 4 to 62 thousands. With the application of ideologies that sponsored the Zionist movement, we bear witness to a level of immolation, enormously discriminatory and radical in this territory that culminates in a widespread ethnic cleansing of Arabs that drove way the remaining ones by forcing them to flee to adjacent countries, like Jordan, ultimately replacing Arabs by Jews. Therefore, it’s not surprising that after the events of 1948, when the State of Israel was officially established that Jews were the predominant majority and all those that had remained, independently of their religion or ethnicity, were a minority without powers or rights.

40 Days is the launching exhibition of the cultural program Disappearing Cities of the Arab World at The Mosaic Rooms in London, whose aim is to explore the destruction of the Arab urban life in the post-colonial age. An exhibition that presents the most recent artworks of the artist Dor Guez, and that can be easily seen as a strong metaphor or testimonial of resistance by several minorities that subsist in a globalized geopolitical system. Through its projects, we are not only confronted by the memories of the Palestinian survivors, which are very personal, as they are testimonials of his own family members, but we also are compelled into reflecting on the histories of the State of Israel, and consequently on the current situation of the Palestinians that survive under an imposed governmental system.

Dor Guez was born in Jerusalem and has Jewish Tunisian ascendancy on his father’s side and Christian Palestinian on his mother’s. His family is part of one of the smallest ethnic-religious minorities that exist in Israel, the Christian-Arabs, representing around 1.5% of a population of 8 million in which 75% is Jewish [1]. When the State of Israel was declared only 1050 Arabs remained in the city of Al-Lydd (today named Lod). Many of Guez’s family members moved to London, Oman and Cairo, but some endured, case of his grandparents that hid in the church during the 1948 purge of Arabs. The artist itself is a product of two conflicting realities – the establishment of the State of Israel that allowed the immigration of his father and the expropriation of his mother’s family [2].

One of the videos-works presented in this exhibition - Watermelons under the bed, exposes the connection between two cultures and the result of its union, a video that through a familiar narrative, the history of his grandparents, recounts the process of adjustment of the Arabs after 1948. The artist makes use of the watermelon and the sabra cactus (prickly pear) as a reference to identity and place within both Palestinian and Israeli cultures, transforming them into symbols of Israel. Nowadays, the watermelon, a fruit that was produced in ancient Palestine, is considered by Israelis the symbol of the ‘Israeli summer’, an appropriation of a Palestinian symbol by the new Israeli culture. Also, the sabra cactus is now used to refer to the ‘new Jew’, born in the State of Israel, ‘thorny’ on the outside but ‘sweet’ on the inside. However, for the Palestinians, this cactus is considered a symbol of their resistance and profound rooting on the territory, since its roots run deep and it continues to grow even if uprooted and transposed to another land. This video makes use of this last analogy when it presents us the multiple ruptures with the territory that the Palestinians endured since the Nakba. While the Jews refer to the 1948 war as the War of Independence, the Palestinians see these hostilities and the subsequent period, as Nakba, which can be translated into Catastrophe, an equivalency to the Jewish Holocaust. When the State of Israel was established, about three quarters of a million Palestinian were exiled, not to mention the uncertain number of Palestinian assassinated in the hands of the Jewish Haganah, an act that continues not to be accepted as genocide by the international community.

Nowadays, questions of exclusion and cultural, religious or ethnic marginalization are particular resonant in the Arab World. What we continue to observe in Israel in the matters of its relationship with the Arabs is at the least disconcerting; their mobility inside this land has been completely conditioned, being forced to carry entry permits that can be revoked at anytime by the Israeli authorities. According to Jack Persekian, in 1967, when Jerusalem was annexed by the State of Israel, the majority of the Arabs Palestinians were stripped of their patrimony, becoming aliens in their own home. More recently, the ‘wall of separation’ that was erected, not only divides Jerusalem´s Palestinians from those living in the West Bank, it also separates Palestinian communities, and there are even cases of families separated by this massive concrete wall [3].

In the installation Scanograms #2, we can easily perceive the easiness of Arabs travelling in this territory before 1948, through the stamped passports´ pages of Palestinians families during the British Mandate of Palestine, having the last stamp dated from 1947. This is an installation formed by eight black display boxes supported on a tripod, that exhibit simultaneously passports pages, of the period before 1948, and recent testimonials written in Arabic, that the artist has been collecting for his ongoing project Christian Palestinian Archive (CPA) [4].

In dialog with this last installation, the series 40 Days - ‘Scanograms’, presents a set of 12 images of the cemetery of Lod also part of the CPA. These are photographs that were originally taken by Jacob Ya’qoub Monayer (Dor Guez’s maternal grandfather), as documental proof of the desecration of graves in the Christian Palestinian cemetery in Lod, and delivered to the local police for investigation. However, the police never found the guilty party and returned the photos, being kept afterwards in a kitchen drawer exposed to humidity. Apart from the story that these photos represent and the memory that they might evoke, they become a singular object, marked by their handling and discard. The technology used to seize these photographic objects, described by Guez as ‘scanograms’, allows him to capture in great detail all their distinct characteristics. Through this process, in which the images are digitalized three times, in three separate layers, it was possible to capture the marks, folds, tears and textures of each photograph. Another artwork, that also explores the Lod’s cemetery and some of its meanings, is the video-installation 40 Days, presenting us a very personal story to Guez, the death of his grandfather, his memorial service and also the story of the place where he was buried, a cemetery that has been vandalized over the years by several religious groups.

Both the title of this work and of this exhibition might be interpreted as a dedication or memorial to Guez’s grandfather, and consequently as a reference to the East Orthodox Church’s belief that the soul of the dead wonders the Earth for forty days until it finally ascends. Furthermore to the symbolism of this video-installation, we are confronted with the representation of the religious leader of the Orthodox Church, that Guez, by presenting the events of Lod’s Church, scrutinizes a problem that has been affecting the Arab Christian community in Israel.

In the video we see a white paper sheet being constantly put in front of the priest’s face while he performs the ceremony, this is to remind him of the names of the people that should be mentioned. In a talk from April 2013 between Guez and Achim Borchardt-Hume in London, the artist reveals that the priest is not aware of what is happening in his community that and he does not have any strong connection to it since he is unable to communicate in the same language, for instance, the Sunday Mass takes as much as three hours because the sermon needs to be translated from Greek. As such, these two last works can be seen as a depiction of the reality of the Christian-Palestinians that live in Israel, and that the artist describes as a minority within a minority.

Dor Guez through its artistic practice has been exploring and questioning the identitary, religious, cultural, linguistic and historical complexity that the descendents of Palestinians face in our time. All of his works have a starting point in his family’s historical sphere, becoming a strong testimonial of the history of a people and its territory, that in a wider perspective reflect the numerous ruptures that minorities are facing and resisting in religious or socio-political systems that persist on marginalizing them.


FOOTNOTES

[1] www.en.wikipedia.org/wiki/Israel

[2] Hume, Tim. A minority within a minority: Artist tells the story of the Palestinian Christians, CNN, 2013.
Link: www.edition.cnn.com/2013/04/11/world/meast/dor-guez-christian-palestinian-art

[3] Persekian, Jack. A Place to Go, in the Catalogue of the international biennale of Sharjah, 2005.

[4] The Christian Palestinian Archive is the first and only archive about this community and is dedicated to the Diaspora’s Palestinian Christian. A project that started when the artist discovered a suitcase full of photographs, under is grandparent’s bed, images that reveal not only the stories of his family but also serve as testimonials of the what happened in Palestine, before and after 1948.


Inês Valle