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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista do 1º ciclo expositivo, FASVS. © Vasco Célio / Stills


Vista do 1º ciclo expositivo, FASVS. © Vasco Célio / Stills


Vasco Futscher, Broken Mile - Vista do 1º ciclo expositivo, FASVS. © Vasco Célio / Stills


Vista do 1º ciclo expositivo, FASVS. © Vasco Célio / Stills


Vista do 1º ciclo expositivo, FASVS. © Vasco Célio / Stills


Vista do 1º ciclo expositivo, FASVS. © Vasco Célio / Stills


Vista do 1º ciclo expositivo, FASVS. © Vasco Célio / Stills


Frida Baranek, Desafios/Defiances - Vista do 1º ciclo expositivo, FASVS. © Vasco Célio / Still


Frida Baranek, Desafios/Defiances (pormenor) - Vista do 1º ciclo expositivo, FASVS. © Vasco Célio / Still


Frida Baranek, Desafios/Defiances - Vista do 1º ciclo expositivo, FASVS. © Vasco Célio / Still


Vista do 1º ciclo expositivo, FASVS. © Vasco Célio / Stills


Vista do 1º ciclo expositivo, FASVS. © Vasco Célio / Stills


Rui Sanches e Teresa Segurado Pavão, Ensaios em Imobilidade e Movimento Secreto - Vista do 1º ciclo expositivo, FASVS. © Vasco Célio / Stills

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COLECTIVA

1º CICLO EXPOSITIVO 2026




MUSEU ARPAD SZENES - VIEIRA DA SILVA
Praça das Amoreiras, 56
1250-020 Lisboa

10 FEV - 10 MAI 2026


 

As exposições que reúnem obras de diferentes artistas, sejam ou não estes de uma mesma geração ou origem, exigem sempre um esforço relacional por parte dos que as visitam. Se o trabalho dos curadores destas mesmas exposições passa pelo desenho de arcos narrativos - explorando ou não temáticas particulares ou regendo-se por outros métodos associativos - que facilitam as matrizes da relação que estabelecemos entre obras, as matrizes da nossa relação com estas nunca se tornam evidentes. Exige que nos carreguemos para o espaço expositivo e que, lá, nos exponhamos também.

A exposição patente de 10 de Fevereiro a 10 de Maio de 2026 no Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, com curadoria de Nuno Faria, não é excepção. Esta exposição, primeiro passo do ciclo expositivo de 2026, apresenta obras essenciais da colecção do museu dedicado ao casal de artistas juntamente com obras de Rui Sanchez e Teresa Segurado Pavão, Frida Baranek, Vasco Futscher e ainda obras de Sara & André e Francisco Janes, estas últimas resquício da programação do anterior ciclo expositivo. Diz-nos o dossier de imprensa que “todos estes trabalhos, uns mais próximos da coleção permanente, outros deliberadamente mais autónomos, aprofundam a ambiguidade entre superfície e volume, suspensão e peso, sugerindo novas formas de ver e de percorrer o Museu — que este ano revela uma nova sala, a Antecâmara, que pressagia uma extensão natural do espaço expositivo”.

Tendo em mente a primeira reflexão, e à medida que me dedico à preparação de uma visita guiada à exposição para alunos do primeiro ano do ensino secundário em Artes Visuais, indago-me sobre o que será mais relevante tomar como rede auxiliar, ou como tecer uma narrativa, para que a visita a uma exposição seja… frutífera? Se este desafio seria exigente qb em qualquer cenário, parece-me ainda mais desafiante construir esta proposta dirigida a públicos para quem a experiência da realidade sensível não se dissocia da experiência do virtual, e para quem offline é uma possibilidade obsoleta ou mesmo uma impossibilidade.

Se a informação sobre as obras se encontra disponível sem que as vejamos in loco, seja através da informação disponibilizada pelo museu quanto às obras e quanto aos pensamentos postos em prática pelo curador, o que poderá acompanhar este trajecto para que se acrescente a esta experiência do ver uma companhia que a impulsione? Dou por mim à procura de uma narrativa, uma entre tantas, que possa coser a experiência em torno de uma ideia única, algo que localize o olhar e que possa tornar a visita uma espécie de performance por instrução. Enfim, defeito de ofício, não consigo desligar a tarefa da criação.

Agarro-me ao corpo, que como nenhum outro, em qualquer situação, pode ser sempre guia e guião.

E assim, vou pensando a exposição, para que o partilhe como coreografia espacial e de pensamento partilhada com este grupo, mas também para mim própria, para que eu mesma estabeleça essa relação essencial para que a exposição me toque e que, ao de leve, eu a toque de volta.

Na sala no piso 0 - esta Antecâmara que este ciclo expositivo desvela - encontramos retratos e auto retratos de Vieira da Silva e de Arpad Szenes. Rabisco que aqui se pondere - tendo o vector corpo em mente - a observação de si, a observação do outro e a observação de mim no outro e de mim nos olhos do outro; o amor. Creio que não será casual a presença de três casais de artistas nesta exposição.

No piso primeiro, deparamo-nos com a obra de Sara & André, o segundo casal de artistas, que seguindo a sua linha projectual refere Atelier, Lisbonne e traz a pintura ao espaço. Segue-se a secção de desenhos de Vieira da Silva dedicados ao estudo anatómico, acompanhados por um conjunto escultórico de Vasco Futscher. Podemos aqui pensar o interior e o exterior do corpo; a exteriorização do corpo da pintura de Vieira na obra de Sara & André, e o mesmo na relação que estabelecem as esculturas de Futscher a par e passo com o estudo anatómico. É inevitável que sejam lidas estas esculturas como partes interiores, que saltam do papel para o espaço, mais próximas e mais enigmáticas - como se interiores de um corpo ainda desconhecido.

 

Frida Baranek, Desafios/Defiances - Vista do 1º ciclo expositivo, FASVS. © Vasco Célio

 

Vemos o fora do corpo, o espaço - passando pelas pinturas de Vieira e as esculturas de chão de Baranek. Se aqui pensarmos o corpo, o que se torna evidente é a sua ausência ou a presença da perspectiva como condição de posicionamento. O corpo, que esteve ali, onde estivemos dentro, afasta-se agora. Na sala que se segue, encontra-se o corpo no Espaço ou a obra como relação dos dois, corpo-espaço, o exterior do corpo (espaço) Sanches acolhe um corpo que encontra no espaço o seu acolhimento e encontra os recantos onde se encaixa e desencaixa de Teresa.

Aqui retorna-se a uma dinâmica amorosa - o espaço e o corpo são construídos pela parelha de artistas de quem se pode reconhecer as matérias às quais se têm dedicado, e das quais se depreende uma relação extra-produtiva. É de notar que esta colaboração artística é uma parceria inédita.

 

Rui Sanches e Teresa Segurado Pavão, Ensaios em Imobilidade e Movimento Secreto. © Vasco Célio / Stills



Entrando na sala adjacente, com obras de Baranek, encontramos ainda o lastro do espaço apenas, nas esculturas de chão de cuja série já havíamos visto em relação com as pinturas de Vieira, mas acompanhamos também um novo corpo a tomar conta do espaço - vê-se o corpo em dança em esculturas marcadas pelo movimento, que se verticalizam pelas paredes. A semelhança a formas escritas, resquício de letras, faz-nos supor um grito desse corpo que temos vindo a procurar na exposição.

Continuando o trajecto da exposição, depois de pequena paragem por corpos estanques nas naturezas mortas de Vieira, continuamos a compreensão corpo-espaço, metáfora amorosa e processual numa sala que continua a apresentar as obras de Sanches e Teresa.

Na última sala da exposição, o corpo afasta-se do espaço, dando conta de onde estamos afinal. São paisagens onde se compreende o corpo, o nosso, como actor político em cenários mais ou menos urbanizados. As pinturas sobre papel - alimentamos aqui a nossa relação da informação para-expositiva que nos é dada - sob o título “No passarán! — slogan adotado pelos republicanos contra os franquistas na Guerra Cilvil de Espanha, que decorreu entre 1936 e 1939, e que perdurou no tempo como símbolo da resistência e da luta contra o regresso histórico dos fascismos —, são estudos para a realização de cenários para uma peça de teatro popular da autoria do ativista, dramaturgo e ator espanhol Luis Mussot Flores e resultam de um pedido de António Moreno, um eletricista espanhol que fundou uma companhia teatral amadora nos arredores de Paris.”

O nosso corpo afastado do espaço, compreendendo a sua posição, espacial e política, observa outros corpos no mesmo espaço.

A gravidade é o mistério do corpo, é a frase de Machado de Assis utilizada como epígrafe na sala dedicada às obras de Frida Baranek. E dir-se-ia durante este trajecto que o corpo é também a gravidade do mistério, tentando alinhar a relação que estabelecemos com o mote de Vieira, de nada excluir do nosso espanto. Se terá este guião relacional exposição-corpo servido para atiçar a curiosidade adolescente, talvez nunca o saiba, mas a verdade é que me serviu para estabelecer com ela a minha relação. É inevitável, por muita informação que haja disponível, é apenas com o meu corpo neste espaço que acrescento à vivência uma nota, uma brisa.

 

 

Catarina Real
(1992, Barcelos) Trabalha na intersecção entre a prática artística e a investigação teórica no campos expandidos da pintura, escrita e coreografia, maioritariamente em projectos colaborativos de longa duração, que se debruçam sobre o questionamento de como podemos viver melhor colectivamente. É doutoranda do Centro de Estudos Hu-manísticos da Universidade do Minho com uma investigação que cruza arte, amor e capital. Encontra-se em de-senvolvimento da Terapia da Cor, prática aplicada entre teoria da cor, arte postal e intuição coreográfica. Mantém uma prática de comentário - nas vertentes de textos de reflexão, textos introdutórios a exposições, entrevistas e moderação de conversas - às obras e processos realizados pelos artistas na sua faixa geracional, com a intenção de contribuir para um ambiente salutar de crítica e criação colectiva e comunitária.
Foi artista residente na Residency Unlimited, Nova Iorque, com apoio do Atelier-Museu Júlio Pomar/EGEAC.



CATARINA REAL