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FESTIVAL DE BERLIM: “YELLOW LETTERS” GANHA O URSO DE OURO

2026-02-23




O filme "Yellow Letters" ("Cartas Amarelas"), realizado pelo cineasta alemão Ilker Catak, ganhou o Urso de Ouro para melhor filme no Festival de Cinema de Berlim 2026. O drama político conta a história de um realizador turco e da sua mulher, uma atriz, que são subitamente impedidos de trabalhar devido às suas opiniões políticas.

O presidente do júri, Wim Wenders, classificou o filme como "uma premonição aterradora, um olhar sobre o futuro próximo que poderá acontecer também nos nossos países".

"Este é um filme que fala muito claramente sobre a linguagem política do totalitarismo em oposição à linguagem empática do cinema", afirmou Wenders.

O segundo prémio do júri do Urso de Prata foi atribuído a "Salvation", de Emin Alper, que no seu discurso referiu a sua solidariedade para com várias figuras importantes da oposição que se encontram detidas na Turquia, incluindo o Presidente da Câmara de Istambul, Ekrem Imamoglu.

Alper também aproveitou a oportunidade para defender "o povo do Irão, que sofre com a tirania" e "os palestinianos em Gaza, que vivem e morrem nas condições mais terríveis".

A atriz alemã Sandra Hüller recebeu o Urso de Prata para o Melhor Desempenho pelo seu papel principal em "Rose", de Markus Schleinzer.

O drama a preto e branco conta a história de uma mulher que se faz passar por um homem na Alemanha rural do século XVII para escapar aos constrangimentos do patriarcado.

"Queen at Sea", do realizador americano Lance Hammer, que conta com Juliette Binoche no papel de uma mulher que cuida da sua mãe com demência, recebeu dois prémios. O filme retrata, com sensibilidade, a devastação que a doença de Alzheimer inflige aos entes queridos de um doente.

Tom Courtenay e Anna Calder-Marshall, que interpreta a mãe doente no filme, partilharam o Urso de Prata para o Melhor Desempenho Coadjuvante.

O filme também recebeu o Prémio do Júri Urso de Prata, considerado o terceiro prémio mais prestigiado.

O primeiro grande evento do calendário cinematográfico serviu também de plataforma para os cineastas iranianos abordarem a repressão mortal dos protestos antigovernamentais no seu país.

O realizador dissidente Jafar Panahi, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes por "Foi Apenas um Acidente", também interveio na Berlinale para denunciar a repressão do governo iraniano contra os manifestantes, que, segundo grupos de defesa dos direitos humanos, causou milhares de mortos.

"Aconteceu um crime inacreditável. Aconteceu um assassínio em massa. As pessoas nem sequer são autorizadas a chorar os seus entes queridos", disse Panahi numa conferência organizada no âmbito do festival.


Fonte: Euronews