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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Ângelo de Sousa, "S/título", 1965. Fotografia: Pedro Tropa e Teresa Santos

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ARQUIVO:


ÂNGELO DE SOUSA

Escultura




CAM - CENTRO DE ARTE MODERNA
Rua Dr. Nicolau de Bettencourt
1050-078 Lisboa

16 FEV - 11 JUN 2006

Escultura & Ângelo de Sousa

O que é a escultura? Ao essencialismo da questão, Ângelo de Sousa responde de um modo simultaneamente livre e interdisciplinar, irónico e lúdico, recorrendo a um exercício de experimentação e confronto permanente entre corpo e espaço, imagem e forma, investindo tudo numa espécie de resistência a qualquer valor de estabilidade ou formalismo. Os seus, até agora, menos conhecidos projectos e trabalhos em escultura surgem assim, desde os anos 60, enquanto aventura essencialmente derrisória, informada mas capaz de produzir surpresa e singularidade, como nesse catálogo de “orelhas”, intitulado “Pequenas Esculturas” (1975), com o qual abre a mostra do CAM, ou ainda nas salas de câmara escura, onde somos convidados a observar instalações de linhas (“Cat’s Cradle”, 1969-2006) ou colunas coloridas (“Sem Título”, 1985-2006) estruturadas no contraste fluorescente da sua relação com esse espaço fechado à luz natural. Elaborada a partir de distensões ou variações sobre as fronteiras disciplinares da escultura, esta produção apela à dimensão processual da arte dos anos 60 e 70, invertendo e sabotando alguns dos valores mais associados à tradição escultórica: tridimensionalidade, volumetria, gravidade ou proporção. Para Ângelo de Sousa, a escultura é mais um meio que apoia o seu projecto de criatividade, tal como os filmes, a fotografia, o desenho ou a pintura, por isso é interpretada não tanto como um valor em si, mas antes como universo laboratorial (a que a montagem da presente exposição faz jus) onde se realizam experiências a partir de distintas referências imagéticas e formais (da escultura abstracta britânica ao neoconcretismo brasileiro) ou ainda a partir de diferentes materiais utilizados (acrílico, plástico, madeira, aço inox, alumínio, ferro, etc.), o que lhe interessa é manter aberto o campo de possibilidades em torno dessa contaminação disciplinar que no seu trabalho sempre se realiza entre a pintura e a escultura ou entre a fotografia e o desenho. Claro que lhe interessam igualmente algumas das especificidades da escultura, caso contrário não desenvolveria, apesar dos longos intervalos ou intermitências verificados em projectos inacabados ou mesmo quase esquecidos, um investimento tão profícuo, ainda que só agora revelado. Ângelo estabelece desse modo uma relação com o domínio da escultura que é, diríamos, de proximidade transversal, podendo desenvolver-se desde os objectos encontrados (a maioria ligados aos sortilégios da própria natureza) a maquetas e modelos de obras por concretizar, ou como nos sugere Nuno Faria, o comissário da exposição, estas são “coisas que talvez não sejam ainda escultura, ou que sejam uma promessa de escultura, coisas sem nome”. A dimensão experimental que daí resulta, se poderá ainda justificar em parte o silêncio que sobre esses trabalhos entretanto se construiu, garante igualmente uma projecção de liberdade lúdica surpreendente, sobretudo a partir deste olhar retrospectivo que a reunião de quase todos os seus episódios viabiliza. Aí podemos observar, afinal, como as tiras de metal de inspiração minimal e cinética se conjugam com as múltiplas esculturas sem título produzidas em meados dos anos 60, e em que o artista desenvolve uma espécie de anverso da materialidade associada à disciplina da escultura, ligando-a a uma leveza linear e geométrica que a aproximam, sobretudo nos exercícios abstracto-geométricos, da sua própria experiência ao nível do desenho. Estas são na verdade algumas das questões que a “escultura” de Ângelo de Sousa coloca ao observador e que na época pouca atenção mereceram por parte do meio artístico português, preso que estava à imagem dominante do “pintor” Ângelo de Sousa.


David Santos