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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Antoni Muntadas, Experiências subsensoriais, ações e atividades (Fotografia Vacuflex), 1971-1973


Antoni Muntadas, Experiências subsensoriais, ações e atividades (Fotografia Vacuflex), 1971-1973


Antoni Muntadas, Experiências subsensoriais, ações e atividades (Proposta Mori’s form)


Antoni Muntadas, Experiências subsensoriais, ações e atividades (Ações)


Antoni Muntadas, Experiências subsensoriais, ações e atividades (Fotografia Experiência 3)


Antoni Muntadas, Arte Vida, 1974


Antoni Muntadas, Mirar (Observar). Ver (Ver). Percibir (Perceber)


Antoni Muntadas, Exhibition, 1987. Vista da instalação no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia

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ANTONI MUNTADAS

Entre/Between




CAM - CENTRO DE ARTE MODERNA
Rua Dr. Nicolau de Bettencourt
1050-078 Lisboa

01 JUN - 02 SET 2012


“A arte não se iguala à vida, mas a arte influencia a vida e a vida influencia a arte.â€
Antoni Muntadas (1)





Antoni Muntadas (1942) nasceu em Barcelona e vive em Nova Iorque desde 1971. A prática artística de Muntadas herda do movimento fluxus e de Beuys, a sua linguagem conceptual, centrada sobretudo na problematização de questões ligadas à relação entre a arte e a vida (e vice-versa), ao papel do artista, à comunicação e aos seus dispositivos contemporâneos, aos média (e à propaganda), ao poder, à crítica institucional e a questões sociais e políticas, deambulando num território ambíguo, descrito como “intermedia†(2), em projetos e trabalhos de campo que se materializam através da instalação, da fotografia, do vídeo, de publicações, documentação e intervenções várias.


Entre/Between é um projeto expositivo itinerante, concebido e organizado pelo Museu Reina Sofía, onde esteve de 22 novembro a 26 março 2012, numa apresentação exaustiva e completa (a partir de 1971). Agora, a mostra está em Lisboa e, será depois apresentada em mais dois espaços (viajará ainda para o Jeu de Paume e para a Vancouver Art Gallery), com dimensões e enfoques diferentes de acordo com as vicissitudes de cada um.


No CAM, a exposição ocupa quatro espaços: parte do hall de entrada, a sala de vídeo, uma sala construída no open space da galeria do piso 0 e a totalidade do espaço da galeria do -1. Ocupando apenas uma pequena fração do piso 0, Muntadas partilha o espaço com a mais recente apresentação da coleção. Esta versão portuguesa é uma pequena seleção de trabalhos realizada a partir da proposta apresentada em Madrid.


Antes de entrar na galeria principal, como já vem sendo habitual, Isabel Carlos, torna, parte do hall do CAM, espaço expositivo. A sala, à direita, também não foge à regra: é o espaço escolhido para apresentar A Sesta (1995), uma vídeo-instalação que regista o sono do artista projetado num sofá coberto por um pano branco intercalado com imagens de filmes do realizador Joris Ivens, numa alusão à ideia de sonho, ilusão e morte.


No espaço aberto, ainda antes da entrada, apresenta-se uma versão atualizada da documentação (audiovisual) relativa às experiências intituladas Sub-sensoriais, de 1971-73. Documentos, montagens e vídeos, que situam ações e atividades no tempo e no espaço e que, nas palavras do artista, partem da nossa relação com os sentidos exceptuando o olhar (tato, olfato, paladar) e do espaço ainda existente para o desenvolvimento da sensibilidade humana.


Mirar (Observar). Ver (Ver). Percibir (Perceber). Três candeeiros, três lâmpadas, viradas para as três palavras, como se de um interrogatório se tratasse. É assim, com alguma “pressãoâ€, que o visitante é introduzido ao espaço da galeria do piso 0. Ao entrar, encontra à esquerda, Meetings, uma peça do fim do século passado, onde são apresentadas silhuetas desenhadas a partir de fotografia de reuniões de trabalho e de direção de empresas, criando uma leitura destes espaços onde se exerce poder e se tomam decisões; onde as hierarquias dominam e onde imagens cliché do mundo capitalista contemporâneo se tornam ícones ou bandeiras do sistema corporativo.


Ao lado, uma grande imagem, parte da série, On Translation: Comemorações Urbanas, realizada em colaboração com a artista Paula Santoro, na cidade de São Paulo. Aqui, subverte-se o sentido da placa comemorativa tradicional. Os artistas colocaram onze placas de bronze comemorando decisões urbanísticas dos últimos cinquenta anos, que, entretanto, se revelaram desastrosas para a cidade.


Segue-se o projeto CEE, no qual Muntadas fabrica um tapete para cada um dos doze países que na altura pertenciam à comunidade económica europeia. Os tapetes apresentam a bandeira da CEE com as moedas de cada país dentro das estrelas. Foram colocados em espaços fechados, públicos, destes países. Em 1992, um dos tapetes foi apresentado em Portugal, na Fundação de Serralves, na cidade do Porto. Agora, no regresso ao país, o tapete surge como um objeto datado e obsoleto (será?), já que o escudo e a maioria das moedas apresentadas no tapete já não existem. Uma apresentação documental fotográfica do projeto ladeia o objeto (que pode ser pisado).


Há ainda espaço, nesta primeira sala, para ver o trabalho, Limousine Project, realizado em Nova Iorque, no qual uma viatura que o artista catalão faz deambular na cidade, propõe uma discussão sobre hierarquias sociais, ao projetar nas janelas, uma série de palavras, entre as quais, “Powerâ€, juntamente com símbolos e imagens provindas dos meios de comunicação e da publicidade; e o projeto Media Stadium, um trabalho de recolha exaustiva, que se materializa numa apresentação de um arquivo de imagens relacionadas com estádios e a cultura existente em seu redor, desde a antiguidade até aos nossos dias. Uma ação cujo intuito era expor e debater o simbolismo, o poder e o controle exercido sobre o povo através do espetáculo de estádio e a importância da cultura popular na vida urbana.


Antes de descer para o piso -1, há que interromper o percurso para ouvir três peças sonoras, partes de trabalhos, que são apresentadas através de um dispositivo com auscultadores: Himne dels Himnes, uma banda sonora que cria uma ligação entre vários hinos nacionais; Home, Where is Home? , som de uma instalação que cruza música de épocas diferentes, tendo como fio condutor a ideia de casa e, Words; The Press Conference Room, uma banda sonora para uma instalação que recria o som de uma sala de imprensa, reconstruindo e adicionando discursos, acumulando ruídos.


A peça da exposição é, sem dúvida, Exhibition (1987), que ocupa toda a galeria do piso rebaixado (-1). Nas palavras de Isabel Carlos, “uma peça extraordinária que o Muntadas faz na década de 1980 (...) onde encontramos todos os dispositivos habituais museológicos de uma exposição (...), mas o que temos é também o vazio.†(3) Mais ampla que na apresentação anterior, em Madrid, esta Exposição, presente e ausente, apresenta-se como clara crítica ao sistema artístico e ao próprio espaço museológico, fazendo lembrar a Arte Infinitésimal de Isidore Isou, assente em valores estéticos virtuais, intangíveis, portanto, puramente conceptuais e do domínio da não-imagem.

Uma exposição que vale muito a pena ver, mas que é apresentada em consonância com os tempos que se vivem: o CAM apresenta um bom teaser, uma pequena e boa amostra do percurso e trabalho de Muntadas, mas pouco mais.




NOTAS

(1)
In entrevista ao Molduras Antena 2 (www.tinyurl.com/cjhf29n)

(2)
Introdução da curadora Daina Augaitis no Catálogo. Muntadas:Entre/Between. Madrid: Museo Reina Sofía, 2011, p. 10.

(3)
In entrevista ao Molduras Antena 2 (www.tinyurl.com/cjhf29n)


Patrícia Trindade