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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Means of codification, from the series Self-stimulation, 1980. Colecção do artista. Fotografia: Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.


Means of codification, from the series Self-stimulation, 1980. Colecção do artista. Fotografia: Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.


Drawings, 1977. Colagem em papel milimétrico. Fotografia: Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.


The lost of a Child, 1985. Colecção do artista. Fotografia: Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.


From the series “Bio-Virtual”, performance na Gulbenkian, Lisboa, 1981-87. Colecção do artista. Fotografia: Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.


From the series “Bio-Virtual”, performance na Gulbenkian, Lisboa, 1981-87. Colecção do artista. Fotografia: Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.


From the series “Bio-Virtual”, performance na Gulbenkian, Lisboa, 1981-87. Colecção do artista. Fotografia: Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.


Necro Eco Pietá, 1979. Colecção do artista. Fotografia: Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.

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INEZ TEIXEIRA

TERRA INCÓGNITA


Fundação Portuguesa das Comunicações,
MARC LENOT

ARQUIVO:

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SILVESTRE PESTANA

SILVESTRE PESTANA: TECNOFORMA




MUSEU DE SERRALVES - MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA
Rua D. João de Castro, 210
4150-417 Porto

26 MAI - 25 SET 2016

SILVESTRE PESTANA, ENTRE A FORMA E A TÉCNICA

 


Ana Pinho, presidente da administração da Fundação de Serralves, anunciou à imprensa que a divulgação da arte portuguesa é uma das prioridades do Museu, bem como atribuir reconhecimento aos artistas que, apesar de já terem influenciado gerações, ainda não tiveram as suas obras expostas devidamente. É nesse âmbito que se enquadra a nova exposição do museu, sendo esta a primeira mostra individual de todo o percurso e carreira artísticos de Silvestre Pestana. O artista agradece ao curador João Ribas pela sua dedicação e confessa entender esta ocasião como uma "oportunidade surpreendente".

Ribas explica que a exposição é o resultado de dois anos de pesquisa intensa, de um trajeto de investigação, restauro e conservação de obras, muitas delas que apenas existiam em registos no formato de cassetes VHS. No total, contam-se mais de cem obras apresentadas, através das quais o curador pretende contar duas estórias: a do artista que, por ser um dos mais radicais da sua época, não foi reconhecido na escala que merece, e a de uma ligação constante entre a performance e o vídeo. Ao longo da visita à exposição é possível refletir sobre como a tecnologia, por um lado, fornece entretenimento e proporciona prazer ao homem e, por outro, pode controlá-lo e prejudicar a sua saúde.

A exposição organiza-se, em grande parte, por uma ordem cronológica que é corrompida quando tal se justifica, quer devido à proximidade entre formas plásticas quer por relações temáticas. Em relação às últimas, Ribas destaca as relações entre a sociedade, a arte e a tecnologia, interligadas por uma particular gramática visual. Os trabalhos mais antigos, na pequena sala que surge à esquerda na ala dedicada a Pestana, datam de 1968 e comportam uma poesia tanto verbal como visual que ganha vida fora da página do livro, para além do ecrã do computador e se projeta na luz, sendo esta compreendida, também, como objeto poético.

A singularidade do trabalho de Silvestre Pestana não é difícil de explicar e é explícita na obra que o artista propõe a Marte, intitulada Luso Padrão para Marte. O artista justifica esta ousadia pela sua influência no povo português, conhecido pelos seus feitos em navegação e expansão. Pestana considera que, também ele, pode propor o alcance da arte portuguesa até novos planetas, sugerindo, também, um novo diálogo com o mundo e a cultura europeia.

A fotografia faz parte do seu processo, sendo que, no primeiro espaço da exposição, é sob essa forma que são exibidos tanto os ensaios como as obras finais e atividades performativas, inclusivamente aqueles que foram realizados quando o artista viveu em Estocolmo, entre 1969 e 1974. O registo da performance transgride os limites da própria atividade artística, a qual deixa de ser apenas experienciada no momento em que se realiza e é transportada para novos formatos, passível de ser visualizada de novo. A ação e o acontecimento, que seriam irrepetíveis, adquirem assim uma nova vivência.

O vídeo é também um médium utilizado nos registos de Silvestre Pestana e é através dela que se observa o seu trabalho mais icónico, datado entre 1970 e 80. Com um caráter altamente vanguardista para a época que se vivia em Portugal, o uso do vídeo definiu o artista como o pioneiro da videoarte no país e destacou-o no campo artístico. Em relação à prática, o artista questionou-se sobre o caminho que esta deveria seguir: as normas e módulo do cinema ou encontrar a sua ordem própria. Tendo escolhido a segunda, verifica-se que em nenhum vídeo de Pestana há cortes, composições ou qualquer tipo de edição, estando as suas criações reproduzidas tal como foram gravadas. Dessacralizando o processo da videoarte e do próprio objeto artístico, a exposição também apresenta ao lado das obras as gravações dos seus processos de criação, entre as quais se destaca a conhecida UNI VER SÓ (1985).

Ao longo da exposição vão-se encontrando outras relações, tais como a reprodução de uma mesma performance, simultaneamente em projeção de vídeo e através de slides de fotografias. As obras são acompanhadas de uma poética e "escrita fantástica e visionária", como explica João Ribas, encontrando-se excertos e textos de Pestana presentes no catálogo que acompanha a exposição, o que possibilita ao público um maior conhecimento sobre o artista e a descoberta de mais particularidades do seu trabalho.

Na última área da exposição aborda-se a problemática do biovirtual, ou seja, da relação do corpo humano com a tecnologia. Esta integra uma sala que se apresenta de tal forma única e distinta que fornece uma outra dimensão à exposição. Nesse espaço, o ambiente complexifica-se sendo composto por um tapete com luzes que o artista explica corresponder ao momento real, e uma projeção na parede de um outro momento, o virtual. Neste último, o avatar de Pestana é, simultaneamente, homem e robô, e está vivo sobre um tapete semelhante ao que se apresenta no chão do museu e que representa a passagem entre os dois mundos. Mesmo com tal peculiaridade, esta obra, pelo seu jogo de luzes e pela ponte que cria entre o homem e a tecnologia, está em ligação com as restantes obras que se encontram fora desse espaço. Na realidade, Ribas explica como, com o tempo, começa-se a verificar as ligações que existem por toda a exposição, surgindo uma linguagem e experiência com as obras que convidam a repetir a visita.

Todo o trabalho de Silvestre Pestana mostra-se complexo e profundo, embora o artista explique que as obras se tornaram maiores do que as intenções iniciais. Justifica que, quando começou a sua produção artística, os meios eram inferiores aos atuais e, por isso, recorrentemente se expunha uma problemática sem lhe conseguir dar resposta. Hoje, com as rápidas evoluções das técnicas de produção artística, inclusivamente as reprodutivas, multiplicam-se as possibilidades da criação. Se um artista como Pestana continuar a desenvolver o seu trabalho com a mesma qualidade e empenho, certamente irão surgir objetos artísticos com mais profundidade concetual e que fornecerão maior densidade de experiência sensorial ao seu espetador.

Exemplo disso pode ocorrer já no dia 4 de Junho, às 17h00, dentro do Museu de Serralves, momento em que irá realizar-se uma nova performance deste artista revolucionário, designada Zangões. Como Silvestre Pestana explica, será uma intervenção que reflete "sobre a recente apropriação pelo grande público do Espaço Aéreo Global", da qual se pode referir como exemplo os drones. Integrada na programação do Serralves em Festa 2016, esta performance promete acrescentar um outro nível de irreverência e singularidade a esta exposição que, com o título Tecnoforma, se manterá desde o dia 26 de Maio até 25 de Setembro.

 



CONSTANÇA BABO