Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo

Outras exposições actuais:

COLECTIVA

DO IT


FBAUP - Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Porto
CONSTANÇA BABO

PEDRO CABRAL SANTO

UNFORESEEABLE


Ruínas de Milreu, Faro
MIRIAN TAVARES

COLECTIVA

QUOTE/UNQUOTE


Galeria Municipal do Porto, Porto
CONSTANÇA BABO

VALTER VENTURA

OBSERVATÓRIO DE TANGENTES


MNAC - Museu do Chiado , Lisboa
MARC LENOT

MANUELA MARQUES

MANUELA MARQUES E VERSAILLES A FACE ESCONDIDA DO SOL


Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
JOANA CONSIGLIERI

FILIPE MARQUES

FEEL IT, NO FEAR. THE FLESH YIELDS AND IS NUMB/TOCA, SEM MEDO. A CARNE É MACIA E NÃO SENTE DOR


Galeria Fernando Santos (Porto), Porto
CONSTANÇA BABO

ÂNGELO DE SOUSA

ÂNGELO DE SOUSA, UN EXPLORATEUR DÉROUTANT


Fundação Calouste Gulbenkian – Delegação em França, Paris
MARC LENOT

PEDRO VAZ

CAMINHO DO OURO - TRILHO DO FACÃO


Kubikgallery, Porto
CONSTANÇA BABO

MARIANA CALÓ E FRANCISCO QUEIMADELA

A TRAMA E O CÍRCULO


Museu da Imagem de Braga,
ALEXANDRA JOÃO

COLECTIVA

FUCKIN´GLOBO III


Hotel Globo, Luanda
ADRIANO MIXINGE

ARQUIVO:

share |

PHILIPPE PARRENO

A TIME COLOURED SPACE




MUSEU DE SERRALVES - MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA
Rua D. João de Castro, 210
4150-417 Porto

03 FEV - 07 MAI 2017

PHILIPPE PARRENO INSTALA-SE EM SERRALVES

 

 

O interesse de Philippe Parreno (Algeria, 1964) no panorama artístico contemporâneo torna-se evidente através da sua atual exposição no Museu de Serralves. A relevância desta acresce por se tratar da primeira monografia retrospetiva do artista com trabalhos de 1990 até hoje, sendo, também, a sua estreia em Portugal. Apesar de Parreno já ter exposto em grandes museus internacionais e ter adquirido prestígio e reconhecimento, esta nova exposição, patente de 3 de fevereiro a 7 de maio, é uma grande revelação. Simultaneamente regular e plural, a obra apresentada é capaz de atingir, cativar e aproximar-se de vários públicos.

O que nos é revelado, em Serralves, não se trata apenas da exposição de objetos com nítida qualidade plástica e estética, mas uma apropriação do espaço e um diálogo com a arquitetura do museu. Para tal, a equipa de Parreno juntou-se à de Serralves e ambas contaram com a colaboração do arquiteto Álvaro Siza. Desde a Arquitetonização de Monika Sosnowska, em 2015, que não se explorava, nesta dimensão, as galerias do museu. Agora, as próprias janelas são utilizadas num jogo em que a luz é capaz de alterar a obra e a perceção da mesma, tanto ao longo do dia como através de um movimento constante de abertura e fecho dos estores.

A exposição detém ainda a particularidade de despertar e estimular os vários sentidos do espetador, não se esgotando na instalação dos objetos. Se a visão é o primeiro sentido a ser surpreendido, ao longo das treze salas de Serralves e inclusivamente do Auditório, interpelam-nos sons elétricos e tecnológicos que convocam a audição. Eles surgem em subtil transição e alteração, por toda a exposição, nas primeiras salas correspondendo ao som da eletricidade do museu, como que tratando-se da sua própria respiração e existência. O áudio, quando ampliado deste modo, torna-se incómodo, apesar de reconhecível como familiar, caracteristicamente urbano e presente nos espaços públicos e privados.

Somos, assim, convidados a avançar por entre ambientes mutáveis, predominantemente através da alteração da cor envolvente, introduzida pelos balões, elementos que, ao longo de toda a exposição, se multiplicam e destacam. Agrupados por cores, são nomeados de acordo com a sua forma de Speech Bubbles (1997 - 2007), características das bandas desenhadas. O artista procura representar a comunicação, a linguagem e o excesso das mesmas através do exagero, abundância e dimensão destes objetos. Ao mesmo tempo, apesar de semelhantes, sobrepostos e repetidos continuadamente ao longo dos tectos das galerias, os balões manifestam-se de modo distinto, apelando à transformação. Refletem, também, o percurso do artista que lentamente se vai toldando, enriquecendo e fortalecendo, sendo que os balões apresentados no final da exposição são negros, visualmente mais pesados e avassaladores.

Também numa das últimas salas, luzes e sons manifestam-se a um mesmo passo e ritmo, evocando uma dimensão de ficção científica que se relaciona com uma problemática que Philippe Parreno recorrentemente aborda e trabalha, o conceito do real. Este também é explorado na sua série de árvores de natal, objetos que quando nos são apresentados fora do seu contexto habitual parecem falsos, formas de uma ação de ready-made. Na verdade, a própria natureza da árvore de natal já foi corrompida, absorvida pelo sistema capitalista, agora sendo um objeto do mercado e comércio, cada vez mais afastada do seu universo de origem, da tradição e simbolismo religioso. Philippe Parreno pergunta-nos: a árvore exposta é realmente uma árvore de natal? Será que qualquer outra é real? E quanto ao próprio natal?

Vivemos na era da eletricidade, da informação, dos média e das redes. O mundo mudou, os cenários que nos envolvem mudaram e nós mudamos com eles. Nesta mesma lógica, num momento especial e destacado da restante exposição, apresenta-se, no auditório, a última obra que, como o artista deixa claro, é o brain of the exhibition. Suzanne Cotter esclarece que esse é o momento em que tudo faz sentido e se torna claro. A diretora do museu, numa interpretação livre, compreende como essa obra de representação de um espaço digital é a nossa paisagem de hoje, a paisagem dos média. Embrenhados nas comunicações digitais, nos iphones, ipads, smartphones e computadores, a nossa realidade dissipa-se e desvanece.

Também em relação ao que domina o presente, surge, na entrada do auditório, uma estrutura de luzes inspirada nos theaters da Broadway e, noutras salas, cartolinas grandes de cores florescentes, tão histéricas quanto os cartazes publicitários que nos são impostos diariamente nas ruas. Por outro lado, concedendo mais diversidade à exposição, ao longo do museu expõem-se mais de 200 desenhos a tinta preta, da série Fireflies (2012-16). Discretos mas muito particulares, requerem uma aproximação física e observação atenta.

Particularmente singular e interessante, mostra-se How Can we Know the Dancer From the Dance (2012-17). Movendo-se num circulo perfeito, a instalação convida o espetador a interagir com ela e observá-la sob múltiplas perspetivas. Esta peça advém de um primeiro projeto, no qual o artista compreendia um percurso cíclico da existência da arte, apontando como referência alguns dos maiores artistas dos nossos tempos, entre os quais Marcel Duchamp e Robert Rauschenberg. Hoje, Parreno reinterpreta esse trabalho apelando à ação, tanto física como conceptual, que a criação artística deve procurar, considerando a obra de arte como uma coreografia, tanto para o artista como para o espetador.

É através desta regularidade matizada, quase que hipnotizante e esmagadora, que o espaço confronta, envolve e transporta o espetador para um outro universo, induzindo diferentes sensações e proporcionando múltiplas experiências. Philippe Parreno procurou precisamente isso, ou seja, criar um cenário que potenciasse uma dinâmica de experiência, esta sendo o ponto e objetivo centrais de toda a sua criação artística. Esclarece que tal resultado, a forma de compreensão e apreensão da obra no museu, é que constitui o seu trabalho, mais do que cada peça, e é isso que torna esta exposição tão marcante e valiosa.

Em simultâneo, como Philippe Parreno refere, a exposição não é "determinada pelos seus objetos (materiais e formas), mas sim pela regularidade e pelo ritmo do seu aparecimento". Assim, o tempo de visita da exposição, de duração da mesma e o da nossa experiência nela, é o mais determinante para o artista. Tempos que ele acompanha com o uso da cor, manifestando-se com o título A Time Coloured Space.

 

 

 

 



CONSTANÇA BABO