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João Almeida e Silva
Arquitecto
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Qual a última boa exposição que viu?
Jenny Holzer, Light Line, no Guggenheim de Nova Iorque. Um percurso impressionante onde a luz e o texto transformam o espaço, levando a uma reflexão sobre a presença e ausência do corpo e da palavra no ambiente urbano.?
Que livro está a ler?
Costumo ler vários livros ao mesmo tempo. Actualmente tenho na mesa de cabeceira Ozu, de Donald Richie; Hegel: On the Arts, traduzido para inglês por Henry Paolucci; e On the Road, de Jack Kerouac.

Que música está no topo da sua playlist actual?
Não costumo ouvir uma única música repetidamente; prefiro escutar álbuns do princípio ao fim. Entre os mais ouvidos estão Kind of Blue, de Miles Davis, ou On Giacometti, de Hania Rani.
Um filme que gostaria de rever…
Perfect Days, de Wim Wenders, um filme belíssimo sobre um homem misterioso, rodado numa cidade onde vivi, Tóquio, e com uma banda sonora surpreendente. Recentemente, também revi alguns filmes de João Canijo, nomeadamente o díptico Mal Viver/Viver Mal. Ambos os cineastas mostram exemplarmente como filmar arquitectura é dar-lhe vida e transformá-la em personagem.
O que deve mudar?
A (falta de) empatia, sobretudo num tempo em que o individualismo e a polarização ameaçam a convivência e a compreensão entre as pessoas.
O que deve ficar na mesma?
Os vislumbres de solidariedade e entreajuda que continuam a surgir mesmo nestes dias de maior divisão. São eles que nos lembram do que é essencial e humano.
Qual foi a primeira obra de arte que teve importância real para si?
Fountain (1917), de Marcel Duchamp / assinada sob o pseudónimo R. Mutt. Um choque de percepções, que me fez perceber o poder transformador da arte sobre o olhar.

Qual a próxima viagem a fazer?
Rio de Janeiro e São Paulo. A minha mulher recebeu, no seu aniversário, um bilhete de ida e volta para o Brasil. Só me falta comprar o meu!
O que imagina que poderia fazer se não fizesse o que faz?
Se não tivesse sido Arquitecto, talvez pudesse ter sido Escultor. Mas agora gosto muito de trabalhar em Arquitectura, em todas as suas dimensões: projecto, cultura, investigação, divulgação...
Se receber um amigo de fora por um dia, que programa faria com ele?
Manhã em Serralves, almoçar uma Francesinha na Cufra, tarde para descobrir a cidade pelas ruas estreitas da Baixa ou em sítios como a Casa das Artes ou o Jardim Botânico, jantar no Buraco e acabar no Plano B.
Imaginando que organiza um jantar para 4 convidados, quem estaria na sua lista para convidar? Pode considerar contemporâneos ou já desaparecidos.
Michelangelo Buonarroti, Sigmund Freud, Marcel Duchamp e Álvaro Siza.
Quais os seus projetos para o futuro?
Espero continuar a investigar e divulgar os resultados do meu trabalho, valorizando a arquitectura e as artes, promovendo o reconhecimento que merecem.