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ENTREVISTA



VICTOR GORGULHO


Selecionada como uma das exposições Top 10 de 2025, pela ArtForum, a mostra Paula Rego e Adriana Varejão: Entre os Vossos Dentes (2025), apresentada no CAM-Gulbenkian, contou com a curadoria conjunta de Adriana Varejão, Helena de Freitas e Victor Gorgulho. Realizado ao longo de quatro anos, o processo curatorial da mostra foi guiado por questões sensíveis e conceptuais que procuraram amplificar o diálogo entre as obras das duas artistas. Tendo como mote inicial da nossa conversa a exposição, entrevistámos o curador e investigador carioca Victor Gorgulho sobre o seu percurso profissional, interesses artísticos e projetos futuros.
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O ESTADO DA ARTE



ISABEL STEIN


ADIAR O FIM DO MUNDO, DANÇAR A QUEDA E SONHAR O SOLO
As ideias que atrasam o fim das coisas contidas na escrita do líder indígena, escritor e ativista ambiental Ailton Krenak, inspiram a exposição Adiar o fim do mundo, com curadoria do próprio Krenak e de Paulo Herkenhoff. A exibição se apresenta como um convite tanto estético quanto político a reelaborar o tempo presente, afirmando a arte como matéria de fabulação e reconstrução das relações entre humanos e não humanos. Herkenhoff afirma que a arte, na mostra, é compreendida como um território de insurgência e imaginação. Nas palavras de Krenak, “adiar o fim do mundo é um exercício de imaginação e de escuta. Enquanto insistirmos em olhar o planeta como um objeto a ser explorado, seguiremos acelerando o colapso. A arte, ao contrário, nos chama a ouvir a Terra e a reconhecer que ela também sonha, sente e falaâ€.
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PERSPETIVA ATUAL

CLÃUDIA HANDEM


METEORIZAÇÕES, DE FILIPA CÉSAR ET AL.
Naquela que é a sua primeira exposição antológica em Portugal, Filipa César reúne um conjunto de trabalhos com cerca de duas décadas de investigação e produção em torno de questões relacionadas com o colonialismo e as suas repercussões no pós-, movendo-se entre os meios do cinema e da instalação. Falar da sua prática implica abordar os processos colaborativos que a atravessam, interessados em expor e expandir a realidade da descolonização e da resistência a regimes fascistas e opressivos. Neles, a ativação da memória, a escuta e a partilha de experiências individuais e coletivas, desviantes das narrativas oficiais, tornam-se metodologias úteis para pensar húmus, humana e humildemente (2024) um presente que está em risco em várias frentes, por exemplo, com a crescente normalização de discursos de extrema-direita ao colapso ambiental.
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OPINIÃO

MARIANA VARELA


BRUNO ZHU NO CAM: A EXPOSIÇÃO COMO CAMINHO
Bruno Zhu propõe ao CAM não uma obra que tencione, ela mesma, irónica ou cinicamente, as estruturas de poder institucionais, mas uma exposição-instalação total a partir (de uma parte) do acervo do Centro de Arte Moderna da Gulbenkian. Constrói, a partir daí, uma disposição arquitetónica, narrativa e gestual como projeto expositivo, reinscrevendo as obras do acervo em uma nova estrutura semântica e arquitetónica. Mas antes de um trabalho que é o trabalho do curador, qual seja, organizar as obras no espaço e dar-lhes algum contorno, Zhu gesticula essa arquitetura como artista: produz uma série de procedimentos a serem realizados pela Instituição, que acolhe a sua bandeira da imaginação devidamente hasteada.
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ARQUITETURA E DESIGN

JOÃO ALMEIDA E SILVA


HABITAR PORTUGAL 1974-2024: O DIFÃCIL MAPA DA DEMOCRACIA
A exposição Habitar Portugal 1974-2024 parte de uma dificuldade rara: mostrar cinquenta anos de arquitectura em democracia sem os comprimir numa narrativa simplificada. Condensar, em 100 edifícios projectados entre 1974 e 2024, um retrato legível da arquitectura portuguesa produzida no continente, nas ilhas e no estrangeiro é, à partida, uma operação arriscada. A curadoria de Alexandra Saraiva, Célia Gomes e Rui Leão — com a participação de Gonçalo Furtado na definição do primeiro período, centrado em grande medida no último quartel do século XX — não tenta disfarçar esse risco. Assume-o. E é justamente dessa recusa da síntese fácil que a mostra retira uma parte decisiva da sua força.
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ARTES PERFORMATIVAS

LEONEL VENTORIM


UMA OUTRA VIAGEM AO FIM DA NOITE
Tudo começa na escuridão, de onde saem sons do trabalho de uma obra e sons de animais da selva, e ficamos a saber que um negro nativo aproxima-se do estaleiro de infraestruturas dos colonos franceses para pedir, somente, que lhe entreguem o corpo morto do irmão, trabalhador nesse mesmo estaleiro e vitima de acidente de trabalho. Nas torres de vigilância – invisíveis ao público – estão soldados, também eles negros, na ironia de guardar o território “fechado†dos brancos. Um espelho invertido. Poderíamos estar na Ãfrica de Céline em Viagem ao Fim da Noite, porque esta é igualmente uma viagem ao fim da noite, numa antiga colónia francesa, e porque há desespero latente. Este é o espaço, o tempo e estado de espírito da peça escrita por Bernard-Marie Koltès em 1979 depois de este ter estado na Ãfrica Ocidental.
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:: MAAT inaugura 'Terra Poética', 1ª exposição individual de Anna Maria Maiolino num museu português



PREVIEW

Ciclo Rober Beavers, o cinema como revelação | 23 a 28 de Março, Cinemateca Portuguesa


Rober Beavers é um dos grandes nomes do cinema experimental norte-americano que emergiu em Nova Iorque no final dos anos sessenta, embora tenha realizado a maior parte do seu trabalho cinematográfico fora dos Estados Unidos. A Cinemateca dedica-lhe um ciclo este mês.
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EXPOSIÇÕES ATUAIS

JESSE WINE

AMOR E OUTROS ESTRANHOS


Fortes D'Aloia & Gabriel - Barra Funda, São Paulo

Apresentam-se dois grupos de esculturas, que de alguma forma resvalam por sensibilidades diferentes. Se o compacto das esculturas metamórficas, monocromos voluptuosos, marcam o espaço com uma gravidade séria, e um formalismo com reminiscências do século XX, o segundo grupo de esculturas - o que me apelou à sensibilidade e memórias de ligação à terra, e de um retorno a esse espaço simbólico para o qual os sucessivos portais nos prepararam, o mesmo a que o faz de conta inevitavelmente recorre - aparentemente frágil, de uma delicadeza espectral.
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ALEXANDRE CONEFREY

CONRAD


Galeria 111, Lisboa
A nova série de pinturas intitulada Conrad marca, de certa maneira, uma nova reflexão sobre algumas das suas explorações anteriores, muitas das quais relacionadas com a densidade negra da paisagem em conexão com a prática rigorosa do desenho. De facto, há em Conrad uma vibração cromática e uma gestualidade que operam de forma diferente de outras obras mais monocromáticas e “silenciosas†do passado. Embora o artista não renuncie ao rigor do desenho, existem nuances importantes nesta série em que sobressai a pincelada como estrutura dinamizadora da aplicação da cor e que ganha agora um novo protagonismo físico.
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COLECTIVA

1º CICLO EXPOSITIVO 2026


Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, Lisboa
Esta exposição, primeiro passo do ciclo expositivo de 2026, apresenta obras essenciais da colecção do museu dedicado ao casal de artistas juntamente com obras de Rui Sanchez e Teresa Segurado Pavão, Frida Baranek, Vasco Futscher e ainda obras de Sara & André e Francisco Janes, estas últimas resquício da programação do anterior ciclo expositivo. Diz-nos o dossier de imprensa que “todos estes trabalhos, uns mais próximos da coleção permanente, outros deliberadamente mais autónomos, aprofundam a ambiguidade entre superfície e volume, suspensão e peso, sugerindo novas formas de ver e de percorrer o Museu".
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SUSANA PILAR

NOT ALONE


Galleria Continua (Paris - Marais), Paris
Susana Pilar Delahante Matienzo presenteia-nos com um conjunto de obras de arte de pesquisas que se transformam com a apresentação de novas criações. O desenvolver do seu corpo e presença, em Not Alone, as salas e corredores abertos da galeria que compreendem a mostra, formam uma instalação gigante em que continuar é o movimento que faz a intenção.
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JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO

21 MINUTES POUR UNE IMAGE


CAPC - Círculo de Artes Plásticas - Sede, Coimbra
No CAPC, expõem-se diferentes fases da sua produção, sobretudo imagens fixas, efetivamente fotográficas, mas também algumas em (ínfimo) movimento, sob a forma de dois vídeos. As várias imagens devem ser apreendidas e lidas em relação umas com as outras, enquanto um conjunto articulado. Ao visitar a exposição, testemunhamos como as obras de Maçãs de Carvalho detêm a invulgar e notável capacidade de transformarem o ordinário, o comum, em algo singular, cativante e poético.
LER MAIS CONSTANÇA BABO

WILFRID ALMENDRA

HARVEST


Galeria Municipal de Arte de Almada, Almada
Almendra é hábil em representar a fugacidade, a transitoriedade do ato, e a sobrevivência do gesto anónimo das populações fragilizadas que procuram abrigar-se nas suas construções débeis e efémeras. É deles que faz homenagem. O esforço, por vezes inglório, dos povos que, mesmo sedentários, lutam contra as condições climáticas, económicas e ambientais adversas. Mas Almendra evoca a impressão digital dos trabalhadores, o incompleto, o gesto, o ato e a potência de Aristóteles.
LER MAIS CARLA CARBONE

RITA MAGALHÃES

FACE A FACE – RITA MAGALHÃES E A NATUREZA-MORTA NA COLEÇÃO DO MNSR


Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto
Sejamos francos! Não nos sentimos frequentemente, ou quase sempre, um pouco aborrecidos perante naturezas-mortas? Podemos admirar a beleza, a riqueza, a abundância, as formas, as cores. Podemos ser seduzidos por efeitos de trompe-l'oeil, de analogias, de evocações ou por reflexos e jogos de luz. Elogiaremos o talento do pintor, a sua habilidade em representar a luz, as texturas. Perante uma natureza-morta, é suposto meditar sobre a riqueza, sobre o poder, sobre a passagem do tempo, sobre a fugacidade dos prazeres, sobre a morte muitas vezes face às vaidades. Mas admitamos, muitas vezes é um pouco aborrecido.
LER MAIS MARC LENOT