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André Silva Santos
Realizador
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Qual a última boa exposição que viu?
Hammershøi: el ojo que escucha, em Maio, no Thyssen. Com um grupo de amigos, fomos de carro a uma sexta e voltámos no sábado, com esse propósito único. Valeu bem a pena.

Vilhelm Hammershøi, Estudo para paisagem de Kongevejen perto de Gentofte, norte de Copenhagen. Verão, 1892. Lápis sobre papel verjurado, 21 × 27.2 cm.
Que livro está a ler?
A peça Os Juramentos Indiscretos, de Marivaux, a conselho de um amigo.

Que música está no topo da sua playlist actual?
Não tenho playlists, mas esta semana ouvi Erbarme dich!, disco de estreia lançado este ano do trio Ayres Extemporae, que reinterpreta repertório barroco. Tenho também, por estes dias, ouvido o álbum How Sad, How Lovely, de Connie Converse, ao qual sempre regresso.
Um filme que gostaria de rever…
O Cavalo que chora (Dorogoy Cenoy), de Mark Donskoi, 1957. Vi-o na Cinemateca em 2017. Assombroso, delirante. Aguardo nova oportunidade para vê-lo em sala.

Still do filme Dorogoy Cenoy (1957) de Mark Donskoi.
O que deve mudar?
A tirania do imediato. Tudo aquilo que precisa de tempo para se desenvolver e amadurecer é incompatível com essa imposição aceleracionista, e não sobreviverá. Reivindicar outro ritmo, outro tempo, é por isso uma atitude revolucionária, e confundir essa reivindicação com uma defesa do atavismo ou da indolência é um equívoco profundo que mata tudo à sua volta: sem tempo, sem demora, não há escuta, nem compreensão, nem cuidado.
O que deve ficar na mesma?
Não é possível entrar duas vezes no mesmo rio...
Qual foi a primeira obra de arte que teve importância real para si?
Direi três, todas por volta dos 14, 15 anos. O concerto de Bach para dois violinos (BWV 1043), que toquei no naipe de primeiros violinos na orquestra de câmara da minha terra; o quadro O Cão (El Perro) de Goya, no Prado; o filme O menino selvagem (L’enfant sauvage), de Truffaut, visto numa aula de Filosofia, numa pequena televisão.

Perro semihundido, 1820-1823, de Francisco de Goya

Still do filme L'Enfant sauvage (1970), de François Truffaut.
Qual a próxima viagem a fazer?
A Bruxelas, visitar velhos amigos.
O que imagina que poderia fazer se não fizesse o que faz?
Jogador profissional de basquetebol. A imaginação pode tudo.
Se receber um amigo de fora por um dia, que programa faria com ele?
Um almoço em casa, esticarmos as pernas no jardim da Gulbenkian, irmos beber um copo, nada de extravagante. Tudo o que for bom para a conversa.
Imaginando que organiza um jantar para 4 convidados, quem estaria na sua lista para convidar? Pode considerar contemporâneos ou já desaparecidos.
Jean Renoir e três amigos seus, confiaria cegamente.
Quais os seus projetos para o futuro?
Escrever a tese de doutoramento, voltar a filmar mais cedo do que tarde, tocar violino com mais regularidade e, diz o meu fisioterapeuta, fazer ioga.