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JOANNA LATKA

LIZ VAHIA


 

 

Actualmente com uma exposição integrada no festival InShadow, Joanna Latka explora as sombras e as luzes através de variadas técnicas, desde o desenho à gravura, ilustração ou livros de artista. Nascida na Polónia e a residir em Portugal, Joanna Latka conversou com a Artecapital sobre o seu processo de trabalho, as últimas exposições e a criação do atelier Contraprova.

 

Por Liz Vahia

 


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LV: Tiveste recentemente uma exposição no Auditório Municipal Augusto Cabrita (AMAC), no Barreiro, onde reunias numerosos trabalhos desenvolvidos nos últimos anos. O título “Storyboard” tem alguma relação com uma ideia de narratividade presente nessa selecção? É uma visão sobre o teu trabalho desenvolvido em Portugal?

JL: Na altura em que preparava a exposição pensei sobre o título e cheguei à conclusão que o titulo Storyboard representa da forma mais adequada e uniforme os diversos projectos que produzi em Portugal desde 2005. Todos os trabalhos apresentados no AMAC foram apresentados inicialmente em exposições individuais nos últimos 10 anos, mostrados em diversos espaços e em diversas cidades: Lisboa, Nisa, Tavira, Oeiras, Ourem, etc… Portanto, estive à procura de uma forma mais eficaz de poder reunir todos esses trabalhos, e do conjunto saiu a ideia de intitular a exposição de Storyboard. E visto que o meu trabalho tem muito a ver com narrativas figurativas (e não só), e quando cada gravura ou desenho conta a sua própria história de uma forma única, como se fosse um conto gráfico separado, achei que este título se encaixava perfeitamente.

 


LV: Há uma narrativa que se adivinha presente nas tuas obras. Costumas partir de referências literárias para iniciar um trabalho?

JL: Pontualmente faço ilustrações, mas para projetos artísticos raramente. Além do projeto baseado nos contos “Bairro” do Gonçalo M. Tavares, onde juntei as minhas narrativas gráficas numa instalação, não fiz mais projetos artísticos inspirados diretamente nas referências literárias. Na verdade recorri mais a inspirações no registo cinematográfico como por exemplo na animação polaca (Jan Lenica), ou nos filmes de Jim Jarmusch ou Woody Allen, entre outros...
Procuro inspiração na vida quotidiana e em experiencias do dia-a-dia que capto com os meus olhos. “Registo” conversas no metro, no autocarro, no trabalho ou no supermercado e depois desenho de memória. Notícias das primeiras páginas dos jornais, confusão e movimento de cidade, discussões entre vizinhas, conversas dos casais no metro, etc. Nunca faço desenhos ao vivo, tudo tem que passar pela transformação e/ou deformação da minha mente, às vezes fazendo montagens das diversas situações numa só imagem.

 


LV: Trabalhando com a técnica da gravura, provavelmente tens condicionantes no que respeita ao atelier. Trabalhas com algum atelier de gravura?

JL: Sim, tenho um atelier de gravura, a CONTRAPROVA, que criei juntamente com alguns artistas que encontrei ainda na antiga “GRAVURA” (Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses). Infelizmente, as péssimas condições de trabalho e o horário de escritório que na altura o atelier praticava, eram impossíveis para mim e para os meus colegas, e tivemos mesmo de sair… Isto foi no ano de 2007.
No início não foi nada fácil, sem materiais, equipamento, apoios… Éramos só seis, fizemos tudo sozinhos desde o investimento à energia que depositámos no projecto. O nosso objetivo principal foi criar um espaço oficinal de gravura acessível e sem limitações de horário. Seguindo o modelo de ateliers como o Graphic Studio Dublin (Irlanda), ateliers que conheci na Polónia, o Graphic Arts Workshop de São Francisco (EUA), o Drypoint (EUA), entre outros... Pretendemos criar um espaço acessível a mais frequentadores, com um atelier disponível 24 horas e a preços acessíveis. Em 2008, encontrámos um espaço físico que reunia as condições necessárias para a prática da gravura (Rua do Garrido nº 62, Lisboa). E a partir desse momento tudo se tornou um pouco mais fácil.

 


LV: Neste momento está patente na Galeria das Salgadeiras a exposição “Das sombras e do nevoeiro”, integrada no festival InShadow. Esta convocação do contraste entre luz e sombra, do nevoeiro das zonas cinzentas, remete-nos para um ambiente expressionista, como afirma o texto de apresentação. É uma influência que reconheces no teu trabalho? Achas que também provém de influências culturais polacas?

JL: O Expressionismo foi um movimento que se focou na expressão dos sentimentos, afastando-se da realidade. Numa Polónia comunista e num regime fechado onde nasci, esta influência acaba por surgir de forma natural no meu percurso artístico, e levar-me a desenhar como expressão do que sinto, e não apenas do que vejo. As sombras, nevoeiros e zonas cinzentas foram o meu quotidiano e assim, as sombras da história são as minhas raízes, que desta forma metafórica se representa no meu trabalho.