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PAULIANA VALENTE PIMENTEL

LIZ VAHIA


 

 

Neste momento com uma exposição resultante de uma residência artística no Algarve com outros criadores, a Artecapital foi falar com a fotógrafa Pauliana Valente Pimentel sobre isso mesmo: o processo de criação, os modos de trabalho, as referências, sobre o “ter tempo para construir algo genuíno”. Depois de projectos como “Jovens de Atenas” e “The Passenger”, os jovens e uma certa perspectiva de ver o mundo voltam aqui a ser um foco de atenção da câmara de Pauliana.  

 

Por Liz Vahia

 

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LV: A tua produção estende-se entre a fotografia, o filme e os livros. Como é que um trabalho se traduz na sua materialidade? É algo que já está definido quando inicias um projeto ou há uma período de experimentação antes?

 

PVP: Depende do projeto, mas a fotografia é sempre a base, ou seja, é a fotografia o meio que eu uso para me exprimir. No caso dos meus projetos pessoais, existe à partida um conceito/temática que é explorado com leitura de livros, filmes, música. Existem projetos em que acho interessante para além da fotografia ter também imagem em movimento – vídeo, e isso sim é definido antes de ir para “o terreno” porque não sou eu que filmo, gosto sempre de convidar um outro artista para filmar.
O livro, surgiu sempre por convite, e eu gostaria de voltar a esse desafio num futuro breve. Para mim, o livro, é uma das melhores formas de imortalizar o trabalho. Também gosto muito de ver as fotografias numa parede de um determinado espaço – é um desafio tal e qual como fazer um livro – quando estou a editar e a pensar numa exposição é como se tivesse um livro aberto e estou a contar uma história – que pode ser narrativa ou puramente sensorial, é interessante também pensar no tipo de papel que melhor se adequa e os tamanhos. No fundo todos os processos são uma experimentação, e um desafio – um encontrar a melhor forma de apresentar o trabalho.

 


LV: Na tua exposição atual, “Behaviour of Being”, na Galeria das Salgadeiras, a ideia de comunidade que se criou naquela residência artística, parece que concorre para um repensar da individualidade nos processos de criação contemporânea. O teu projeto pessoal ali de alguma maneira se transformou com o contacto com os outros participantes?

 

PVP: Este trabalho foi realizado no Algarve, e mostra um Algarve bem diferente daquele que imaginamos, cheio de hotéis e turistas. Existe também uma outra realidade, conseguimos encontrar locais idílicos onde a Natureza é esplendorosa e esmagadora, onde impera o silêncio e a contemplação. Foi este o ambiente que retratei numa zona entre Lagoa Velha e Monte do Eucalipto, em Castro Marim. As imagens silenciosas e contemplativas surgiram naturalmente do meu também estado silencioso e contemplativo a que este lugar convida. Por um lado tinha a natureza esmagadora e por outro a convivência diária com os artistas - que também eles me influenciaram e conduziram o meu trabalho, sem pensar, e de uma forma natural. Foi interessante ver como estes diferentes jovens trabalham no meio da natureza, que materiais utilizam (houve um dia que tiveram a pintar com tinta vermelha extraída dos figos do diabo), os hábitos do dia a dia - a leitura, o yoga, a escrita.....que eu própria dava por mim a querer escrever, a querer desenhar, no fundo a querer reflectir sobre a minha forma de ver o mundo. No fim percebi mais uma vez, que gosto de ter tempo, e que preciso de ter tempo para construir algo genuíno.

 


LV: As tuas fotografias parece que implicam sempre uma ideia de viagem, mesmo que não seja geográfica, é sempre a um universo que se nos dá a conhecer. Concordas que há sempre uma deslocação de olhares, de perspectivas?

 

PVP: Sim, Concordo. Eu gosto de fotografias não óbvias, dúbias....que permitam ao observador viajar numa determinada imagem, não só em termos da composição, da luz, mas também do ser ou objecto fotografado, e ficarem intrigados... poderem interpretar à sua maneira, e muitas vezes terem que voltar a essa imagem para a voltarem a descobrir algo de novo.

 


LV: A temática da juventude também está muito presente no teu trabalho. Que características que interessam nesse período, porque é que continua a interessar-te?

 

PVP: A temática da juventude surgiu por acaso, quando os Encontros de Imagem em 2012, convidaram a Kameraphoto - o colectivo ao qual pertencia, a realizar um trabalho sobre a juventude e eu decidi fazer um trabalho sobre os “Jovens de Atenas”, porque nessa altura tinha se começado a falar da crise na Grécia, e havia manifestações violentas todos os dias em Atenas, e eu quis ver com os meus próprios olhos como é que os jovens estavam a lidar com esta viragem na Europa. Durante um mês fiz um retrato de nove jovens, e foi tudo muito entusiasmante. Posteriormente com o projeto “The Passenger” fiz uma viagem de comboio pelo norte da Europa – Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia....e onde mais uma vez interessou-me retratar jovens artistas. Recentemente, fui também convidada para uma residência em Cabo Verde, no Mindelo, e debrucei-me num grupo de jovens que se vestem de mulheres e vivem isso de uma forma pacifica e glamorosa, trabalho que irá ser mostrado brevemente.
Sim, a juventude interessa-me porque é uma fase da vida, em que apesar dos problemas que possam haver, como toda esta reviravolta social e política na Europa, ou os preconceitos de género que ainda existem a nível mundial – os jovens têm uma força e um optimismo na vida em geral, que é contagiante, e acreditam que podem mudar o mundo. Para eles tudo é possível.

 


LV: A fotografia faz parte da tua vida diária? Ou há períodos em que estás a preparar projetos e não fotografas?

 

PVP: Sim a fotografia faz parte da minha vida diária, não quero com isto dizer que fotografo da mesma forma como fotografo quando estou a realizar um projeto. Normalmente tiro fotografias diárias, muito poucas, como diário de acontecimentos ou pensamentos que vão surgindo. Também é usual ir ver fotografias de outros fotógrafos e ir guardando como apontamentos – ou pelos enquadramentos, luz, originalidade. Esta recolha diária serve de esboços para ideias futuras. Depois também entre projetos, surgem trabalhos pontuais para revistas ou jornais estrangeiros, e aí fotografo intensamente. Durante os projetos, existem varias fases, a fase de fotografar todos os dias, e depois a fase de pausa em que não olho mesmo para o que fotografei e depois a fase de edição, em que demoro muito tempo a analisar o que fiz e a selecionar as fotografias.