Links

PERSPETIVA ATUAL


Grupo EmpreZa.


Grupo EmpreZa.


Grupo EmpreZa.


Grupo EmpreZa.


Grupo EmpreZa.


Grupo EmpreZa.


Grupo EmpreZa.


Grupo EmpreZa.


Grupo EmpreZa.

Outros artigos:

2017-09-05


PAULA PINTO


2017-07-26


NATÁLIA VILARINHO


2017-07-17


ANA RITO


2017-07-11


PEDRO POUSADA


2017-06-30


PEDRO POUSADA


2017-05-31


CONSTANÇA BABO


2017-04-26


MARC LENOT


2017-03-28


ALEXANDRA BALONA


2017-02-10


CONSTANÇA BABO


2017-01-06


CONSTANÇA BABO


2016-12-13


CONSTANÇA BABO


2016-11-08


ADRIANO MIXINGE


2016-10-20


ALBERTO MORENO


2016-10-07


ALBERTO MORENO


2016-08-29


NATÁLIA VILARINHO


2016-06-28


VICTOR PINTO DA FONSECA


2016-05-25


DIOGO DA CRUZ


2016-04-16


NAMALIMBA COELHO


2016-03-17


FILIPE AFONSO


2016-02-15


ANA BARROSO


2016-01-08


TAL R EM CONVERSA COM FABRICE HERGOTT


2015-11-28


MARTA RODRIGUES


2015-10-17


ANA BARROSO


2015-09-17


ALBERTO MORENO


2015-07-21


JOANA BRAGA, JOANA PESTANA E INÊS VEIGA


2015-06-20


PATRÍCIA PRIOR


2015-05-19


JOÃO CARLOS DE ALMEIDA E SILVA


2015-04-13


Natália Vilarinho


2015-03-17


Liz Vahia


2015-02-09


Lara Torres


2015-01-07


JOSÉ RAPOSO


2014-12-09


Sara Castelo Branco


2014-11-11


Natália Vilarinho


2014-10-07


Clara Gomes


2014-08-21


Paula Pinto


2014-07-15


Juliana de Moraes Monteiro


2014-06-13


Catarina Cabral


2014-05-14


Alexandra Balona


2014-04-17


Ana Barroso


2014-03-18


Filipa Coimbra


2014-01-30


JOSÉ MANUEL BÁRTOLO


2013-12-09


SOFIA NUNES


2013-10-18


ISADORA H. PITELLA


2013-09-24


SANDRA VIEIRA JÜRGENS


2013-08-12


ISADORA H. PITELLA


2013-06-27


SOFIA NUNES


2013-06-04


MARIA JOÃO GUERREIRO


2013-05-13


ROSANA SANCIN


2013-04-02


MILENA FÉRNANDEZ


2013-03-12


FERNANDO BRUNO


2013-02-09


ARTECAPITAL


2013-01-02


ZARA SOARES


2012-12-10


ISABEL NOGUEIRA


2012-11-05


ANA SENA


2012-10-08


ZARA SOARES


2012-09-21


ZARA SOARES


2012-09-10


JOÃO LAIA


2012-08-31


ARTECAPITAL


2012-08-24


ARTECAPITAL


2012-08-06


JOÃO LAIA


2012-07-16


ROSANA SANCIN


2012-06-25


VIRGINIA TORRENTE


2012-06-14


A ART BASEL


2012-06-05


dOCUMENTA (13)


2012-04-26


PATRÍCIA ROSAS


2012-03-18


SABRINA MOURA


2012-02-02


ROSANA SANCIN


2012-01-02


PATRÍCIA TRINDADE


2011-11-02


PATRÍCIA ROSAS


2011-10-18


MARIA BEATRIZ MARQUILHAS


2011-09-23


MARIA BEATRIZ MARQUILHAS


2011-07-28


PATRÍCIA ROSAS


2011-06-21


SÍLVIA GUERRA


2011-05-02


CARLOS ALCOBIA


2011-04-13


SÓNIA BORGES


2011-03-21


ARTECAPITAL


2011-03-16


ARTECAPITAL


2011-02-18


MANUEL BORJA-VILLEL


2011-02-01


ARTECAPITAL


2011-01-12


ATLAS - COMO LEVAR O MUNDO ÀS COSTAS?


2010-12-21


BRUNO LEITÃO


2010-11-29


SÍLVIA GUERRA


2010-10-26


SÍLVIA GUERRA


2010-09-30


ANDRÉ NOGUEIRA


2010-09-22


EL CULTURAL


2010-07-28


ROSANA SANCIN


2010-06-20


ART 41 BASEL


2010-05-11


ROSANA SANCIN


2010-04-15


FABIO CYPRIANO - Folha de S.Paulo


2010-03-19


ALEXANDRA BELEZA MOREIRA


2010-03-01


ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


2010-02-17


ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


2010-01-26


SUSANA MOUZINHO


2009-12-16


ROSANA SANCIN


2009-11-10


PEDRO NEVES MARQUES


2009-10-20


SÍLVIA GUERRA


2009-10-05


PEDRO NEVES MARQUES


2009-09-21


MARTA MESTRE


2009-09-13


LUÍSA SANTOS


2009-08-22


TERESA CASTRO


2009-07-24


PEDRO DOS REIS


2009-06-15


SÍLVIA GUERRA


2009-06-11


SANDRA LOURENÇO


2009-06-10


SÍLVIA GUERRA


2009-05-28


LUÍSA SANTOS


2009-05-04


SÍLVIA GUERRA


2009-04-13


JOSÉ MANUEL BÁRTOLO


2009-03-23


PEDRO DOS REIS


2009-03-03


EMANUEL CAMEIRA


2009-02-13


SÍLVIA GUERRA


2009-01-26


ANA CARDOSO


2009-01-13


ISABEL NOGUEIRA


2008-12-16


MARTA LANÇA


2008-11-25


SÍLVIA GUERRA


2008-11-08


PEDRO DOS REIS


2008-11-01


ANA CARDOSO


2008-10-27


SÍLVIA GUERRA


2008-10-18


SÍLVIA GUERRA


2008-09-30


ARTECAPITAL


2008-09-15


ARTECAPITAL


2008-08-31


ARTECAPITAL


2008-08-11


INÊS MOREIRA


2008-07-25


ANA CARDOSO


2008-07-07


SANDRA LOURENÇO


2008-06-25


IVO MESQUITA


2008-06-09


SÍLVIA GUERRA


2008-06-05


SÍLVIA GUERRA


2008-05-14


FILIPA RAMOS


2008-05-04


PEDRO DOS REIS


2008-04-09


ANA CARDOSO


2008-04-03


ANA CARDOSO


2008-03-12


NUNO LOURENÇO


2008-02-25


ANA CARDOSO


2008-02-12


MIGUEL CAISSOTTI


2008-02-04


DANIELA LABRA


2008-01-07


SÍLVIA GUERRA


2007-12-17


ANA CARDOSO


2007-12-02


NUNO LOURENÇO


2007-11-18


ANA CARDOSO


2007-11-17


SÍLVIA GUERRA


2007-11-14


LÍGIA AFONSO


2007-11-08


SÍLVIA GUERRA


2007-11-02


AIDA CASTRO


2007-10-25


SÍLVIA GUERRA


2007-10-20


SÍLVIA GUERRA


2007-10-01


TERESA CASTRO


2007-09-20


LÍGIA AFONSO


2007-08-30


JOANA BÉRTHOLO


2007-08-21


LÍGIA AFONSO


2007-08-06


CRISTINA CAMPOS


2007-07-15


JOANA LUCAS


2007-07-02


ANTÓNIO PRETO


2007-06-21


ANA CARDOSO


2007-06-12


TERESA CASTRO


2007-06-06


ALICE GEIRINHAS / ISABEL RIBEIRO


2007-05-22


ANA CARDOSO


2007-05-12


AIDA CASTRO


2007-04-24


SÍLVIA GUERRA


2007-04-13


ANA CARDOSO


2007-03-26


INÊS MOREIRA


2007-03-07


ANA CARDOSO


2007-03-01


FILIPA RAMOS


2007-02-21


SANDRA VIEIRA JURGENS


2007-01-28


TERESA CASTRO


2007-01-16


SÍLVIA GUERRA


2006-12-15


CRISTINA CAMPOS


2006-12-07


ANA CARDOSO


2006-12-04


SÍLVIA GUERRA


2006-11-28


SÍLVIA GUERRA


2006-11-13


ARTECAPITAL


2006-11-07


ANA CARDOSO


2006-10-30


SÍLVIA GUERRA


2006-10-29


SÍLVIA GUERRA


2006-10-27


SÍLVIA GUERRA


2006-10-11


ANA CARDOSO


2006-09-25


TERESA CASTRO


2006-09-03


ANTÓNIO PRETO


2006-08-17


JOSÉ BÁRTOLO


2006-07-24


ANTÓNIO PRETO


2006-07-06


MIGUEL CAISSOTTI


2006-06-14


ALICE GEIRINHAS


2006-06-07


JOSÉ ROSEIRA


2006-05-24


INÊS MOREIRA


2006-05-10


AIDA E. DE CASTRO


2006-04-20


JORGE DIAS


2006-04-05


SANDRA VIEIRA JURGENS


share |

GRUPO EMPREZA E A MORADA INFERNAL DA ARTE



JULIANA DE MORAES MONTEIRO

2014-07-15




A palavra empresa, por mais que tenha sua conotação relacionada ao mundo econômico, também guarda o sentido de aventura e empreendimento. Umas das acepções do termo que aparece no dicionário é o de “ação árdua e difícil que se comete com arrojo”.

Para quem conhece a longa trajetória do Grupo EmpreZa, coletivo de Goiânia, a exposição que ocupa duas salas do Museu de Arte do Rio é uma excelente oportunidade para acompanhar a arriscada aventura desse grupo fundado há 13 anos e as ações árduas e difíceis empreendidas por eles no campo da performance, fruto de um intenso exercício de pesquisa e elaboração.

A exposição Eu como você, que traz já no título a marca da relevância do corpo no trabalho do coletivo, se apresenta como uma das raras vezes em que se pode conferir as performances e a pesquisa do EmpreZA no Rio de Janeiro. Além da exposição fixa nas salas, Eu como você conta ainda com serões performáticos e uma área que funciona como uma ampliação do espaço de constituição da obra, onde o visitante pode se integrar e participar do trabalho do grupo, intitulada Sua vez.

Ao transitar pela primeira sala de exposições vemos os registros das performances – em fotografia e video - e alguns objetos materiais dispostos ao longo da sala, evocando alguns dos mais significativos trabalhos do grupo, como a bacia com pedras ensanguentadas de Vila Rica.

Além do evidente traço do grupo, no que se refere ao uso da expressão do corpo como linguagem artística, o que vem à tona durante a exposição é a confirmação de que o EmpreZa é um conjunto coeso, na qual as singularidades de cada indivíduo cede lugar à unicidade do coletivo.

Para o EmpreZa, o coletivo não é só uma forma de aglutinar semelhanças, mas sobretudo de subsumir as diferenças em favor de uma totalidade orgânica, na qual desaparece a assinatura da figura centralizadora do artista e vem à tona uma forma de exercício artístico que já não pertence a um ou a outro, mas a um comum, amalgamado sob a identidade do coletivo.

Uma das chaves para pensar essa característica é o uniforme usado pelos emprezários e emprezárias durante as performances. O uniforme é essa estranha particularidade que retira a singularidade das pessoas e as lança em uma espécie de massa amorfa. Como símbolo do apagamento das individualidades, disponível dentro de uma lógica de mercado, dentro da qual a empresa poderia ser pensada como signo, o uniforme é aqui reapropriado pelo coletivo como uma marca que, assim como evoca a dissolução da persona individualista do artista, também nos lembra ao mesmo tempo que a arte nada mais é do uma atividade entre outras, retirando o modo como as práticas artísticas foram pensadas até a arte moderna.

A empreitada do grupo move-se na direção de um saber que aquele universo é fruto de um trabalho intenso de pesquisa e exercício, de um método que incorpora o fracasso, os desvios e acidentes no seu próprio percurso, sempre pronto a recomeçar, suspender e se reconfigurar a partir das demandas de cada artista.

Por sua vez, é o espectador da exposição que, lançado em meio à estranheza das performances como Maleducação ou Sopa de letrinhas, se sente acolhido a refletir sobre o estatuto das suas próprias ações, porque vê naquele corpo uniformizado a face tenebrosa de si mesmo. Como explica a introdução da exposição, no emblema antropofágico canibalista do “eu como você” se pode entrar, às avessas, no domínio do reconhecimento e da identificação expresso pelo “você como eu”.

Assim, o Grupo EmpreZa, por meio de suas ações transgressoras, opera o tensionamento dos campos do estranho e do familiar. Se aceitarmos o convite que a arte contemporânea nos remete, podemos enxergar na simplicidade daqueles gestos – que por muitas vezes se resumem a dar tapas na cara um do outro (Sua vez) ou comer o cabelo um do outro (Antropofagia) – a banalidade do nosso próprio cotidiano, sempre permeado por sintomas, repetições, atos inexplicáveis para os quais não encontramos significação. Nas performances do grupo, nos damos conta de que o encontro com a obra de arte não é o deparar-se com o que já somos – você como eu – , e sim um impulso que nos move para o que precisamos ser.

Em uma das paredes de Sua vez chama atenção a frase escrita ao lado da porta de entrada: “Tente apagar um trauma”. A sentença talvez nos lembre que essa estranheza nos é constitutiva e que, além disso, só chegamos a nos assumir como sujeitos onde fixamos as faltas, as lacunas e os vazios, aquilo que não se encontra em nós mesmos.

A arte do grupo EmpreZa provoca um embate com aquilo que está fora de nós mesmos, joga com a alteridade, por meio da qual nos re-conhecemos e nos des-conhecemos. Eu como você é esse endereçamento a sairmos para fora de si, tomando como postura política a potência de dar lugar ao outro.

Esta transmissão oferecida pela arte do nosso tempo é de ordem mínima, perpetrada através de pequenos gestos - que são desde sempre gestos políticos- e que se desdobram para além da esfera artística, afinal são os corpos viventes que estão inseridos nas práticas do risco, da dor, e do contato sem tréguas com a realidade. A vida, “esse centro frágil e turbulento que as formas não alcançam”[1], talvez seja a matéria de onde a arte do Grupo EmpreZa emana para com ela romper com a linguagem.

A sentença “Tente apagar um trauma” nos convida a constatar que é impossível nos livrar de nossas próprias feridas, senão transformando-as em outra coisa. A arte é essa possibilidade aberta para que nos tornemos senhores do que ainda não somos, de que nos apossemos de nossos próprios traumas não para esquecê-los e negá-los, mas para transfigurá-los em algo positivo.

Sendo assim, os atos performáticos do Grupo Empreza, entendidos em seus pormenores, apontam para uma possibilidade artística afinada com o mundo contemporâneo, no qual as fronteiras entre arte e vida se dissolvem e as obras de arte não produzem mais calmaria e identificação, mas nos perturbam e nos angustiam.

A arte contemporânea é essa morada infernal na qual não é mais Deus quem habita os detalhes, frase de Aby Warburg distorcida pelo Grupo Empreza, que a retoma nas paredes da sala Sua vez reescrevendo-a como “o diabo mora nos detalhes”, nos lembrando que a característica da arte que nos fornecia o medida do mundo e nos reconciliava com nossa existência talvez nada tenha mais a dizer para o nosso tempo.

Até a modernidade, víamos nosso olhar devolvido pela obra de arte, víamos nessa janela para o mundo a fonte do nosso apaziguamento e da nossa tranquilidade. Por outro lado, a arte contemporânea desdobra nosso olhar na distância para nos fazer sair de nós mesmos. Nesse sair para fora de si, nos lançamos diante do abismo e experenciamos a total perda de garantias que a arte nos oferecia. Estar à deriva diante do abismo é a autêntica experiência contemporânea. Ao participar do trabalho do Grupo nos vemos diante dessa experiência autêntica, que nos lança em um lugar limítrofe e não nos deixa sair ilesos.

E se for realmente verdade que só a partir da casa em chamas é que conseguimos ver o projeto arquitetônico fundamental, devemos nos aventurar em meio ao fogo e ao perigo ara olhar bem de perto a face aterradora da arte do nosso tempo. Mas, como nos lembra Heidegger dos versos de Hölderlin: “ ora, onde mora o perigo/ é lá que também cresce/ o que salva”[2].


Colectivo EmpreZa: Aishá Kanda, Babidu, Helô Sanvoy, João Angelini, Marcela Campos, Paul Setubal, Paulo Veiga Jordão, Rafael Abdala, Rava e Thiago Lemos.

Obras na exposição: Impenetrabilidade; Jóias; Mar e Eros; Sopa de Letrinhas; Sua vez; Antropofagia; Com Oriente; Réquiem da vaca; Endemias cotidianas; Carma Ideológico; Impenetráveis; Exercício de Paisagem; Paisagens destiladas; Cheia de graça; Itauçu; Porque eu quis; Sangue bom; Maleducação; Tríptico.



Juliana de Moraes Monteiro


:::

Notas

[1] ARTAUD, Antonin. O teatro e seu duplo. Trad. Teixeira Coelho. São Paulo: Martins Fontes, 2006, p. 8.
[2] HEIDEGGER, Martin. Ensaios e Conferências. Tradução de Emanuel Carneiro Leão, Gilvan Fogel, Márcia Sá Cavalcante Schuback. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001, p. 31.


:::

Bibliografia

ARTAUD, Antonin. O teatro e seu duplo. Trad. Teixeira Coelho. São Paulo: Martins Fontes, 2006

HEIDEGGER, Martin. Ensaios e Conferências. Tradução de Emanuel Carneiro Leão, Gilvan Fogel, Márcia Sá Cavalcante Schuback. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001