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PERSPETIVA ATUAL


John Akomfrah Purple, 2017. © Smoking Dogs Films; Cortesia Lisson Gallery.


John Akomfrah Purple, 2017. © Smoking Dogs Films; Cortesia Lisson Gallery.


John Akomfrah Purple, 2017. © Smoking Dogs Films; Cortesia Lisson Gallery.


John Akomfrah Purple, 2017. © Smoking Dogs Films; Cortesia Lisson Gallery.


John Akomfrah Purple, 2017. © Smoking Dogs Films; Cortesia Lisson Gallery.


John Akomfrah Purple, 2017. © Smoking Dogs Films; Cortesia Lisson Gallery.


John Akomfrah Purple, 2017. Vista da exposição. Fotografia: David Rato; Cortesia Museu Colecção Berardo.

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There rolls the deep where grew the tree.
O earth, what changes hast thou seen!
There where the long street roars, hath been
The stillness of the central sea.

Alfred Lord Tennyson (1849)

 

 

Purple de John Akomfrah, apela-nos para um despertar através de um movimento imparável e fragmentário de múltiplas paisagens, cujo assombro e desolação emitidos pelas imagens em seis ecrãs entrelaçam linhas de um mapa orgânico desenhado pela devastação da natureza e do ser humano.

O artista retrata uma visão entrópica contemporânea da Natureza, em que a mutabilidade culmina no aquecimento global, transformações dos padrões meteorológicos, destruição dos animais, poluição nos oceanos e solos, ou em desastres nucleares e industriais. Akomfrah agita a sensibilidade e as emoções dos espectadores com nascimento, arquivos de memórias, histórias e catástrofes naturais e humanas, «corpos» que submergem em águas, morte.

Chuva, montanhas, gelo. Exalta uma variedade de paisagens em risco, nomeadamente, no Alasca, Gronelândia, Ilhas Marquesas ou Sul do Pacífico.

Contemplamos. Púrpura. Momento. Púrpura. Cores. Movimento. Preto e branco. Observamos temporalmente momentos, em que percecionamos cultura e pensamentos, ações e vida quotidiana. Evoca discursos, canções, histórias. Dança. Vida. «O earth, what changes hast thou seen!», «disse» Tennyson (1849).

Com múltiplas «paisagens» acompanhadas por som, águas, chuvas, música, vozes, monólogos, palestras, tempestades, sons urbanos e industriais, passos e mais passos. Memórias que extravasam a existência humana e cultural.

Indústria. Natureza. Homens com chapéu de coco. Multidões. Avançam pelas ruas. Olhamos. Palavras. Greenpeace. Ações.
Tempo. Movimento. Preto e branco. Cores.

As imagens imaterializam uma dissonância do passado e do presente como prenúncios dos últimos cinquenta anos. O que nos torna participantes do complexo vínculo entre o ser humano e a Terra, que se mantém numa retórica esquizofrénica. Elas reclamam registos documentais esquecidos. Folhas soltas de jornais. Discursos. Imagens. Movimento. Frames.

John Akomfrah tece num discurso poético um manifesto político e revolucionário. Num “grito” composto por várias vozes, não apenas num radical «ecodocumentário». Sentimos o vislumbre do drama da Humanidade e da Natureza. Seguimos os indícios, convocamos Samuel Beckett (1990) pelo seu pensamento apocalíptico, desagregamos a obra de arte, enquanto ato de dissolução:

Whose words? Ask in vain. Or not in vain if say knowing. No saying. No words for him whose words. Him? One. No words for one whose words. One? It. No words for it whose words. Better worse so. (Beckett, 1990, p. 16)

Em Purple, usufruímos de um semelhante entendimento, enquanto instalação, através da qual o espectador passa a ter uma especial atenção às múltiplas conexões das paisagens que nos envolvem. Ele mergulha na obra, perde-se na dispersão, descobre as imagens simultâneas, experimenta sons e movimentos. Dinamismo, ruturas e destruição. Máquinas dissonantes. Sons mecânicos e ritmados.
Tudo é movimento. Tempo. Tragédia e catástrofe. Desagregamo-nos em vozes e imagens. Em estados volúveis e estilhaçados, cujo espaço-tempo não nos permite existir enquanto seres individuais. Apenas sentimos e ouvimos. Através de Kass Banning, percebemos a essência do olhar de Akomfrah: «(…) esta paisagem sonora ultrapassa a capacidade ilustre de tudo o que lhe precedeu: ouvimos a Terra a estalar.».

Contemplação da paisagem.

Akomfrah invoca o testemunho. O murmúrio da Terra. Ela ainda respira, vive. Livre. Sentimos e saudamos John Muir: «(…) sublime domes and canyons, dark upsweeping forests and glorious array of white peaks deep in the sky, every feature glowing, radiating beauty that pours into our flesh and bones like hear rays from fire.» (1992, p. 232).

Montanhas. Desfiladeiros. Cardumes. Mar. Alforrecas. Esvoaçam bandos no céu. Numa impossibilidade de permanecer num discurso obsoleto de um sistema antropocêntrico. Abre-se a possibilidade de retornar à Utopia. Paisagem. Pacífico. Humanidade. Água. Vida.

«Wilderness is natural, unfallen antithesis of an unnatural civilization that has lost its soul. It is a place of freedom in which we can recover our true selves we have lost to the corruption influences of our artificial lives. Most of all, it is the ultimate landscape of authenticity». (Cronon, 1996, p. 80).

Púrpura. Preto e branco. Cores.

Vários momentos, seis ecrãs, um epílogo.

Entropia. Poison. Morte. Slowly.

Invisibilidade. Doenças e experiências. Recordamos Silent Spring (1962), de Rachel Carson, pela trágica invisibilidade:«On the mornings that had once throbbed with the dawn chorus of robins, catbirds, doves, jays, wrens, and scores of other bird voices there was now no around; only silence lay over the fields and woods and marsh.» (1999, p. 22). A Natureza incorpora a mutilação de uma ação autista, que permanece presa por uma herança antropocêntrica, cujo mundo selvagem é apenas um recurso ou um produto a ser usado, manipulado e descartado. Experiências. Animais. Pessoas. Doenças. Guerra. Fármacos. Sombra.
«Everywhere was a shadow of death.» (Carson, 1999, p. 21).

Dança. Movimento. Dança. Música. Dança.

Escapa-nos o sentir.

Ouvimos e respiramos? Sofremos dilacerados sobre a morte.

Tempo.

 

 

 

Joana Consiglieri

 

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JOHN AKOMFRAH
Purple
8 de novembro de 2018 - 10 de março 2019
Museu Colecção Berardo