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PERSPETIVA ATUAL


1. Os adolescentes erráticos, uma das imagens icónicas do filme.


2. Harold Hunter e Justin Pierce numa das sequências mais violentas do filme. Ambos falecidos.


3. Rosario Dawson e Chloe Sevigni iniciaram as suas carreiras dramáticas em Kids.


4. Em 2015. Chloe Sevigny, Leo Fitzpatrick, Rosario Dawson, Larry Clark e Harmony Korine.

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“It’s the end of the world

Your confusion is sex.”


(Sonic Youth: Kill your Idols)


 


 


E, de repente, passaram 20 anos… os adolescentes de 1995 são agora adultos (os que sobreviveram) e os adolescentes de agora querem fazer o mesmo que os adolescentes de há 20 anos atrás. Afinal, o que mudou e o que ficou do filme de Larry Clark sobre um grupo de adolescentes, skaters à deriva pela cidade de Nova Iorque, à procura de aventuras sexuais e do escape imediato das drogas, um misto de hedonismo e vazio, mas também de violência, anarquia e energia? Kids tornou-se, entre críticas ferozes de pornografia gratuita e elogios múltiplos de estética documental, um marco cinematográfico sobre a cultura urbana adolescente americana, com repercussões pelo mundo inteiro.


O aniversário do filme (com mais idade do que qualquer uma das personagens do filme) juntou em Nova Iorque vários atores, argumentista e realizador para uma projeção especial (em 1995 o filme estreou apenas em duas salas do país). Neste encontro com um público especial, todos eles partilharam as suas experiências durante a rodagem do filme e falaram sobre a importância que o distanciamento temporal permite para uma nova compreensão do filme e do seu impacto ao longo dos anos. Harmony Korine (o argumentista de Kids, que se inspirou na sua vida real e na dos seus amigos para escrever a história) acredita que este é um filme que documenta uma época e uma cultura específicas e, portanto, seria impossível de fazê-lo nos dias de hoje: “É um filme pré-telemóvel. Hoje não é possível a ninguém perder-se na cidade. Toda a gente tem um Gps. O Larry queria fazer um filme de dentro para fora. Éramos todos amadores.”


Clark conheceu Korine quando andava pela cidade a fotografar skaters. O seu método de trabalho implica sempre uma relação de proximidade com os protagonistas das suas fotografias e foi assim que eles se conheceram. Sem experiência anterior no cinema, Clark quis fazer um filme sobre a vida destes miúdos e convidou Korine a escrever o argumento. O realizador não estava interessado em pura ficção, nem em atores profissionais. Queria que o filme fosse o mais possível próximo da realidade, sem filtros dramáticos, uma experiência direta da vida para o ecrã: “Tudo no filme aconteceu realmente. Tudo, exceto a história da Jenny. Ela é uma personagem inventada. Todas as outras personagens são baseadas em pessoas amigas e conhecidas.” Chloe Sevigni (amiga pessoal de Korine) refere que se sente muito distante de Jenny e que existe algum exagero no filme, mas que a maioria dos diálogos e das situações do filme aconteceram assim na realidade. Diz ainda que Justin Pierce (também um amigo na vida real e que no filme é Casper) interpreta-se a si próprio no filme.


Harmony Korine confessa que agora se sente completamente distanciado da cidade e da vida que vemos no filme: “A cidade é linda, mas está cheia de memórias, de fantasmas. É tão agressiva. Acho que já não conseguiria viver aqui. E também não consigo perceber esta cidade.” A cidade de Kids é a Nova Iorque pré-Juliani, muito crua e selvagem. Uma cidade amoral, sem medo de se expor, onde floresceu uma verdadeira street culture, como explica Korine: “Havia uma liberdade total, vivia-se nos telhados, na rua, e ninguém se importava. Drogas, miúdas e toda uma cultura da sombra. Era real, pura cultura de rua. Tudo acontecia na rua e nunca queríamos estar em casa.” Essa maneira de estar contrasta com a vida dos adolescentes da era Internet, que preferem estar em casa no seu i-pad ou no portátil, imersos numa existência virtual e cada vez mais afastados do real. Por isso, os atores estranham que uma visão tão crua e violenta de uma geração continue a fascinar os adolescentes. Talvez porque os sentimentos de alienação, ansiedade e incompreensão sejam, no fundo, os mesmos. Clark revela que a adolescência é um território que sempre o fascinou, porque também ele, apesar da diferença geracional, teve uma infância e adolescência difíceis.


Os atores confessam que, na altura, por serem demasiado novos e ingénuos, não conseguiram vislumbrar o impacto do filme e, após a experiência divertida das filmagens, regressaram ao seu quotidiano. De alguma forma, a resistência de Kids reside na sua força documental e, devido ao seu sucesso inesperado, tornou-se também uma rampa de lançamento para as carreiras das atrizes Chloe Sevigni e Rosario Dawson. É inegável que o filme faz parte do discurso da cultura popular juvenil, embora muitos o queiram remeter para um lugar de sub-cultura.


Para celebrar o aniversário, a marca Supreme lançou no mercado uma coleção de T-shirts, sweatshirts e tábuas de skate alusivas ao filme, que voltou a ser exibido em película na mesma sala - no Angelika Film Center - onde estreou a 27 de Julho de 1995. Na altura, estas imagens geraram pânico moral na imprensa e na população adulta. O fosso entre o mundo dos adolescentes e o mundo dos adultos estava a céu aberto e não seria possível ignorá-lo mais: “Fiquei surpreendido com o facto de o filme estar a causar tanto barulho e incómodo. E gostei que isso estivesse a acontecer. Acho que ver tantos adultos a passarem-se com o filme foi o mais divertido”, confessou Korine. Em 2015, Kids foi recebido com aplausos respeitosos por uma audiência adulta.


Estes miúdos, nómadas dentro da sua cidade, desafiaram as convenções e tiveram a coragem de agir em frente a uma câmara numa fronteira indefinida entre real e ficção. Nesse sentido, Kids ganhou também o seu lugar no cinema contemporâneo: questionando o modelo representacional do cinema e favorecendo a tangibilidade da imagem, ou seja, o cinema da imagem material imediatamente afectiva. Não há explicações psicológicas, consciências individuais, percursos pensados. Estes são corpos de ação, emoção e reação. Estes são os miúdos.


 




Ana Barroso