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Thomas Demand. Exposição “The Golden Standard”, P.S.1, Nova Iorque


Exposição "Music is a Better Noise", P.S.1, Nova Iorque


Bridget Riley


Slater Bradley. Exposição "The Abandonments", Team Gallery, Nova Iorque


Slater Bradley. Exposição "The Abandonments", Team Gallery, Nova Iorque


Exposição "Looking Back", White Columns, Nova Iorque


Exposição "Looking Back", White Columns, Nova Iorque


Exposição "Looking Back", White Columns, Nova Iorque


"Watch The K Foundation Burn a Million Quid", P.S.1, Nova Iorque


"Watch The K Foundation Burn a Million Quid", P.S.1, Nova Iorque


Mathew Barney, Exposição "Defamation of Character", P.S.1, Nova Iorque


Bridget Riley

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To curate is art + art is to curate

O que têm em comum as quatro apresentações artísticas?
Alguns pontos tocam-se. Apesar de, aparentemente, nenhum coincidir: O P.S.1 inaugura a actual temporada com o espectáculo da projecção de um vídeo da K Foundation – “Watch The K Foundation Burn a Million Quid”, uma retrospectiva de John Latham, “Music is a Better Sound”, e “The Gold Standard”;
A White Columns inaugura a exposição “Looking Back”, que poderia parecer uma thesis show, em que as peças acabam por ilustrar a ideia do que é estar numa exposição colectiva;
A Team Gallery mostra seis vídeos de Slater Bradley, em que todas as relações neles e entre eles são soltas, quebradas e interligadas numa espécie de mostruário intermitente de estilos pessoais e referências pop;
O DIA convida Joan Jonas para dar uma palestra sobre Bridget Riley, pintora op, que acaba por ser uma performance sobre Riley.

O ponto comum é o afastamento magnético do observador que, como participante, ganha um entendimento diferente da pedagogia enciclopédica – encontra uma tendência curatorial refractária, subliminar, intelectual, cool, documental, que se excede em referências; entre a montagem Dada e a montagem conceptual.
O curto-circuito não é sensacional, é filosófico. Godard não é mencionado porque não é preciso, mas a edição é dele.

Actualmente no P.S.1, a exposição “The Gold Standard”, comissariada por Bob Nikas, pretende contextualizar a ideia, a importância simbólica, e o poder do fascinante metal, dando-nos imagens actuais e variadas através de peças cuja cor é o dourado, de artistas como Warhol, Hirschhorn, Armleder, Lawler, Fleury, Tillmans, Prince, Pfeiffer, Kusama, Levine, Geof Oppenheimer, Haim Steinbach, Thomas Demand, Seth Price, Kelley Walker ou Alfredo Jaar.
Nikas, curatorial advisor do P.S.1, já tinha organizado a exposição “An Ongoing Low-Grade Mystery”, onde o tema era o vermelho, para a galeria Paula Cooper, em Maio. A diferença é a passagem da retina para o conceito – na actual exposição – com os artistas a questionarem claramente a autenticidade, o espectáculo e as relações sociais.
Em 1971, Nixon suspendeu o gold standard, deixando o dólar de ser convertível em ouro, e inaugurou assim a época das moedas flutuantes, equiparável ao conceito do significado flutuante em semiótica. A ilustração de um sapato dourado de Warhol data de 1952, no pós-guerra, em que o valor real do ouro começou a ser re-interpretado e relegado para um outro plano. Daí ao vídeo da caça ao ouro no Brasil, de Alfredo Jaar, como liturgia anacrónica (“Introduction to a Distant World”, de 1985), ou nas duas fotografias de “Gold Marylin” de Warhol por Louise Lawler (“Does Andy Warhol Make you Cry?” e “Does Marylin Monroe Make you Cry?” de 1988), bem como no colar gigante e dourado, com a insígnia CNN, de Thomas Hirschhorn (“Necklace CNN” de 2002), ou numa fotografia de barras de ouro falsas de Thomas Demand (“Bullion” de 2003), há o espaço das décadas em que o ouro permaneceu como eterno símbolo de poder.

“Music is a Better Noise” junta músicos que fazem arte e artistas que fazem música, como parte essencial do seu processo criativo. O título da exposição é retirado de uma música de 79 de Essential Logic, uma banda britânica pós-punk, liderada por Lora Logic.
A primeira parte, comissariada por Nick Stillman, pretende mostrar a produção nova-iorquina das décadas de 70 e 80, através de artistas como Barbara Ess, Rammellzee e Alan Vega. A segunda parte, comissariada por Bob Nickas, centra-se nas décadas de 80 e 90 e mostra o trabalho de Kai Althoff, Richard Aldrich, Devendra Banhart, Kim Gordon, Bjorn Copeland, Mark Leckey, Rodney Graham, Christian Marclay, Jutta Koether, Don van Vliet, Meredyth Sparks, Tim Kerr, Chuck Nanney, Thurston Moore, Delia Gonzalez e Gavin Russom.
Nesta exposição há pinturas, colagens, misturas psicadélicas, ícones pop, referências musicais, glitter, capas de álbuns, fotografias, som e vídeos que reflectem a estética dos seus autores e a sua posição mais ou menos afastada da cultura pop, nada mainstream e sobretudo autoreferencial.

John Latham (1921-2006) é um artista inglês, conceptual-formal, pouco comercial e marginal, extremamente importante para a compreensão da actualidade. Podiamos situá-lo no triângulo entre Einstein, Rauschenberg e Wittgenstein. Latham incorporou na sua prática performance, instalação, escultura, filme, livros e conceitos. Contemplava uma teoria unificada da existência, combinava arte, ciência e filosofia.
“John Latham: Time Base and the Universe” fala dos problemas de conseguir coerência entre os diversos campos do conhecimento humano – com o exemplo da escrita de Joyce, que anula o campo da lógica – ou a ideia de ponto vazio do universo, encontrado e desacreditado pelo próprio Einstein. Latham, autor de RIO (Reflective Intuitive Organism), um painel de 17 peças realizado em 83, fala do nada como estando em todo o lado e em sítio nenhum, um ponto adimensional. O exemplo máximo para Latham é Joyce, que traduziu o nada para uma estrutura de eventos. Resultado que ele encontra na tela branca de Rauschenberg, apesar de caso pontual, exemplo de acção mínima. As peças de Latham são livros, cortados e colados em telas, em instalações de vidro, com vários outros materiais pelo meio, muita tinta vermelha, bocados de ferro e desenhos impressos de diagramas filosóficos.

Mas absolutamente fora do formato foi a apresentação, no dia da inauguração, do vídeo em que os membros da K Foundation queimam 1 bilião de libras em Jura – uma ilha escocesa – em Agosto de 1994.
“Defamation of Character”, é uma exposição sobre a era pós-punk – que se pode definir pela pluralidade de estilos, transgressão, origens Pop, Dada e Situacionista, e que explora questões como a fama e a notoriedade, minando a cultura pop, para artistas como Prince, Kilimnick, Wool, Burden, Oiticica, Motti, Matta-Clark, os irmãos Chapman ou Mathew Barney, entre outros.
O vídeo “Watch The K Foundation Burn a Million Quid” faz parte desta exposição comissariada por Neville Wakefield, e foi apresentado num ecrã gigante ao ar livre, no fim da inauguração, já de noite. Ninguém conseguia perceber bem o que faziam, numa imagem de má qualidade. Começámos a ver uns vultos a queimar notas. Notas com a cara da rainha de Inglaterra a cair numa fogueira… O vídeo acabou subitamente, ficou o som. K Foundation queima 1 bilião que levou num barco para uma casa numa ilha da Escócia. O dinheiro era o lucro da venda do êxito em Inglaterra do single “K Cera Cera” (1993), que foi inicialmente distribuído somente em Israel e na Palestina e cuja publicidade era nunca vir a ser distribuído “até a paz mundial ser estabelecida”.
A K Foundation (Jimmy Cauty e Bill Drummond) também é responsável pelo Anti-Turner Prize (1993) – para o pior artista britânico – que entregaram a Rachel Whiteread (no mesmo ano em que a artista recebeu o Turner Prize), no valor de 40 mil libras, que a artista não aceitou mas depois recebeu e entregou a instituições de caridade, quando a K Foundation ameaçou queimar a totalidade do dinheiro.

O P.S.1 pretende catalizar ideias e novos discursos contemporâneos, juntar todas as práticas artísticas possíveis e programar eventos que sejam provocadores numa dinâmica de investigação contemporânea, através de debates, publicações e exposições cutting-edge. O P.S.1 quer ter um papel cultural fundamental, ao apostar em artistas emergentes, nos new media e na formação do espírito experimental.

A White Columns inaugura “White Columns Annual” com “Looking Back”, comissariada por Mathew Higgs, o seu director. Interessa lembrar que Higgs se vê tambêm como artista.
A exposição passará a ser anual e deseja ser o olhar subjectivo sobre o que foi visto em Nova Iorque no ano que passou. Parte do princípio de que tudo o que está à vista em Nova Iorque não é passível de ser visto, logo precisa de ser revisto, avaliado. É uma colectiva sem temática, que flutua ao sabor do acaso por onde passou o seu comissário – e do que ele lembra e quer ver, num conjunto que espelha as suas deambulações nova-iorquinas. Ou nas peças que, para ele e apesar de invisíveis, são o espelho complexo da cidade. A exposição de Higgs cria uma espécie de narrativa hermética entre as peças, e explora a sua discontinuidade. Algumas das peças da exposição foram vistas por Higgs apenas em visitas de estúdio, outras tinham sido expostas em galerias ou outros espaços, o que torna mais interessante a narrativa que as une, porque todas são potencialmente invisíveis – ou não, consoante o olhar do comissário. Os artistas presentes nesta exposição são: Fia Backstrom, Thomas Bayrle, Walead Beshty, Jeff Burton, Lucile Desamory, Graham Durward, Klara Linden, Siobhan Liddell, Ari Marcopoulos, Ree Morton, David Moreno, Matt Mullican, Stuart Sherman, Josef Strau. Para o comissário, há a necessidade de provocar uma sensação de déjà vu, reflexiva e optimista, onde se exploram relações insuspeitadas que, de outra forma, ficariam por estabelecer.

É de forma um pouco semelhante que se estabelece a relação entre os seis vídeos de Slater Bradley, em exposição na Team Gallery (projecto de Jose Freire). A exposição intitula-se “The Abandonments” e foi produzida ao longo de três anos. Em cinco dos vídeos, Slater usa Benjamin Brock, o seu duplo, com quem trabalha há sete anos. O duplo assume a figura do artista como astronauta, no vídeo em que ele passeia pelo Museu de História Natural, à noite. A música é também uma clara referência a Kubrick.
Os vídeos misturam referências culturais pop e outras mais intelectuais, onde a decifração não é o objectivo pretendido. Nos diferentes vídeos Michael Jackson, a preto e branco, brinca na neve; uma teenager, filmada em super 8, deixa um beijo com baton no túmulo de Oscar Wilde; um dandy do início do século 20 dança sapateado ao som de “Singing in the Rain”, em Staten Island, com uma núvem que chove apenas em cima dele; um grupo vestido de personagens da Guerra das Estrelas passeia-se pela normalidade de um aeroporto. Os vídeos têm cortes inesperados, utilizam material HD e super-8, efeitos de som, música clássica e pop, com a mistura do som toda realizada em off, a intensificar o jogo da imagem entre realidade e ficção e a manipular eficazmente as emoções – a lembrar “A Clockwork Orange”. Há um claro efeito de distanciamento e a citação de vários géneros, desde o musical de Hollywood ao cinema mudo, vídeos de música pop, Murnau, Kubrick e a subversão de Godard, sendo que a variação e exploração de estilos e citações é específica e reduzida em cada peça, e a relação entre elas interessante pela diferença. Os vídeos de Bradley ficam entre o diário, o mostruário, o documentário e a brincadeira experimental, onde a qualidade da construção, solta, e as relações abstractas constituem um vasto número de incursões pela capacidade de citação e self-consciousness do artista.

O que me leva a recordar aqui a palestra de Joan Jonas sobre Bridget Riley, a que assisti, no DIA (Chelsea, parte da série de palestras de artistas sobre artistas, 13 de Novembro às 19h), foi a sua capacidade interpretativa e a relação inesperada entre as duas artistas que, aparentemente, nada tinham em comum até então. O que me levou à palestra foi querer ouvir Jonas falar de Riley, o que acabou por ser uma performance, com múltiplas camadas de informação, que deu ao público uma relação dos factores que, naquele momento, fizeram convergir duas artistas. Uma palestra é sempre uma performance? Enquanto Jonas desenhava círculos contínuos num caderno, às escuras, ouvíamos a sua voz, previamente gravada, a ler depoimentos de Riley quanto às suas descobertas (“pearly turquoise of due doom”), a relacionar Riley com elementos de desenhos de esquizofrénicos, com os trabalhos de Emma Kunz e Hilma Klint, com a importância do olhar impressionista por ser o mais avançado, com a música de Morton Feldman, com as questões sobre o vazio da forma ou com “the shadow of a question mark”, com considerações pessoais, com a referência de Mondrian que enquadra os pormenores de um sistema – entre divagações soltas e a projecção de imagens igualmente variadas, onde constavam algumas pinturas de Riley.
Jonas é a artista multimédia por excelência, numa deambulação entre fragmentos em constante relação, entre a arqueologia, a história e o concreto das possibilidades tecnológicas. O que une as duas artistas, ou o interesse de Jonas por Riley, é a evocação e a sua constante subversão, o que resulta na interrogação ou na defesa dos mecanismos criativos.