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A inauguração (Fevereiro) do novo Centro Cultural Palácio La Moneda, na zona central e mais prestigiada de Santiago, apresenta-se como um sinal do que pode bem ser uma viragem no panorama cultural chileno, nomeadamente, para as novas tendências artísticas. O edifício, projectado por Cristían Undurraga, arquitecto de alguns dos mais arrojados edifícios da capital (Alcadía - a sede municipal em diagonais metálicas, no bairro de La Condes, e o El Mirador - a habitação mista de vidro e betão, o bunker no Cerro Apoquindo), encontra-se totalmente afundado na Plaza Ciudadanía, em nada comprometendo o imponente Palácio Moneda, residência oficial da Presidente da República do Chile, Michelle Bachelet. Sendo o maior edifício expositivo em todo o Chile, não deixa de ser curioso o facto de permanecer completamente invisível perante o símbolo presidencialista. Dir-se-ia, de forma alegórica, que as grandes transformações culturais se fazem de forma subterrânea, longe da exposição mediática e das pressões políticas que exigem resultados e dados estatísticos em prazos curtos, não raras vezes, ridiculamente curtos. Este é, de resto, um sentimento transversal a toda uma cidade que, aqui e ali, parece estar ainda timidamente a abrir uma brecha na mentalidade de quem ainda sofre a pressão do recolher obrigatório do tempo de Pinochet.

A exposição inaugural do CCPLM (“México, Del Cuerpo al Cosmos”, até 23 de Julho) reúne obras arqueológicas pesquisadas e recolhidas em mais de 40 instituições mexicanas, constituindo esse trabalho curatorial motivo acrescido para uma visita ao edifício, que tem ainda mais três salas expositivas e uma cineteca com uma equipa própria e uma programação autónoma.

Também em 2006 (Maio) reabriu o Museo de Arte Contemporáneo – Facultad de Artes da Universidad do Chile. Após quase um ano encerrado para obras, o edifício, de 1912, recebe a exposição “Desde El Outro Sitio/ Lugar” (até 20 de Agosto) importante co-produção com o National Museum of Contemporary Art da Coreia, local onde havia permanecido durante 2005. Esta produção, que percorre a produção artística chilena desde 1950, é a primeira de um ambicioso projecto de parceria/rede cultural entre Chile e Coreia para a criação e circulação internacional contemporânea.

Nas traseiras deste edifício, e integrado no Parque Florestal que ladeia uma longa avenida marginal, situa-se o Museo Nacional de Bellas Artes da faculdade de ensino artístico da cidade. O MNBA alberga uma colecção em exposição permanente de pintura e escultura nacional. Mas este museu, cuja cúpula envidraçada do átrio central é simplesmente magnífica, quer pela conciliação do ferro e vidro, quer ainda pela dimensão e luminosidade captada para os seus interiores, apresenta ainda “El Mundo Según Elliott Erwitt” (até 30 de Julho), mostra de alguns dos principais trabalhos daquele fotógrafo da agência Magnum. Keka-Ruiz Tagle, com a instalação “En Movimiento” (até 23 de Julho) transforma outra das salas num autêntico caleidoscópio, convidando a uma travessia inevitavelmente sensorial do espaço. Até Junho, o argentino Guillermo Kuitca terá conseguido certamente uma das melhores ocupações da maior sala do MNBA (a Sala Matta, em homenagem ao chileno Roberto Matta), com a instalação de grandes dimensões “Obras Pontuales”, verdadeiro tributo à reflexão sobre o sentido de estar e passar por um lugar, tornando impossível a progressão do visitante sem que interiorize um estranhíssimo e perturbante, mas também desejado, sentimento de errância.

O metropolitano, que é de facto eficiente, quer em frequência de composições (bastante superior à sua congénere lisboeta) quer em actualização tecnológica, acaba por ser, para além de todo o conforto disponibilizado aos passageiros, uma fonte extra de atractivos. Os projectos de arte pública prolongam-se, diversificados, por toda a rede de estações, mas em algumas há mesmo galerias de arte (Bellas Artes, Quinta Normal e Centro Cultural Estación Mapocho, por onde passou em Junho, a exposição “Tres Grandes de España”, com obras de Picasso, Goya e Miró), havendo ainda inúmeros painéis informativos específicos para programação cultural de diversas instituições, bem como afixação de inúmera publicidade convidando a população a apresentar projectos culturais ao Metro Santiago.

É inquestionável haver um investimento estatal em grandes exposições de época alta sob parâmetros que parecem convergir para objectivos turísticos. A grande divulgação das exposições do Verão é, de facto, centrada nas exposições arqueológicas e etnográficas sobre a arte pré-colombiana e as diversas culturas índias e andinas (Museo Chileno de Arte Precolombino e CCPLM), de que os Mapuche são os mais presentes (também por estarem regularmente envolvidos em manifestações públicas, em protesto pela perda de terras que reclamam como suas). A presença de meios policiais e militares é assim uma constante em pleno centro de Santiago, ou não fossem também os estudantes uma outra grande fonte de manifestações e discórdia, face ao elevado custo do ensino e, de facto, atendendo ao nível de vida médio de um chileno, um olhar atento para os preços praticados pelas livrarias deixa qualquer um “com um credo na boca”. Santiago recebe ainda manifestações quase semanais de grupos minoritários que reclamam melhores condições sociais e políticas (o país tem quase um milhar de refugiados políticos de cerca de trinta países, a maior parte deles com dificuldades de integração).

É por isso entusiasmante encontrar um sem número de fundações e outras estruturas que desenvolvem actividade cultural sem fins lucrativos, reduzindo assim os custos da fruição cultural e cumprindo um papel que as galerias, maioritariamente comerciais, não asseguram. A Fundación Cultural Mulato Gil de Castro, criada em 1994, tem, para além do Museo de Artes Visuales, com uma secção arqueológica e três pisos para exposições de arte contemporânea (Fotografia de Chema Madoz, até 23 de Agosto) desenvolve ainda a primeira fase do projecto “Residência en el Valle”, cujo objectivo é criar um pólo de intercâmbio de criação contemporânea numa extensa propriedade localizada numa província rural.

O Centro Cultural da Corporación Cultural de Las Condes, que recebeu até Junho a exposição de desenho “Picasso, Homenage al Torero”, tem um programa mensal de exposições que inclui, a partir de Dezembro, uma das secções da 2ª edição da “Foto América”, evento que envolve literalmente o país numa imensa bienal de fotografia, profissional e amadora.

Fundado por Harry Recanatti em 1992, o Museo Ralli divulga a arte latino-americana contemporânea, através de uma vasta colecção em exposição permanente com arte chilena, argentina, brasileira, uruguaia, colombiana, boliviana, peruana e mexicana. Tem ainda uma secção com obras europeias (Chagall, Rodin e Dali). Situa-se numa nobre mas descentrada e assenta no princípio, do seu fundador, de que ”mais importante do que estarem no centro das grandes cidades, os museus têm que estar.”

A Fundación Telefónica realizará em Outubro uma grande exposição de Alfredo Jaar, (celebrizado pela denúncia das crises geopolíticas e sociais nas relações entre países ricos e pobres e pelos conflitos no Ruanda), na sequência do prémio que lhe atribuiu em Maio último.

Não considerando o fenómeno de um novo cinema independente, já com algum reconhecimento internacional, ou ainda o fenómeno das peregrinações às casas da Fundación Neruda, o olhar deter-se-á perante uma cidade que concentra mais de dois terços da população chilena, com grandes e flagrantes assimetrias sociais. A vida faz-se, ainda assim, numa cultura de sociabilidade que passa pela frequência e apropriação dos espaços públicos (praças, ruas, jardins, cafés e bares – não faltando os de programação própria e, claro, a par de Neruda, também Pessoa dá nome e é motivo de decoração de outros tantos espaços de tertúlias literárias).