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PERSPETIVA ATUAL


Julia Margaret Cameron, The Rosebud Garden of Girls, 1868, albumina, 34.9×29.2cm, coll. V&A


Julia Margaret Cameron, Kiss of Peace, 1869, prova de albumina. © Royal Photographic Society, V&A


Julia Margaret Cameron, The Astronomer, 1867, prova de albumina, 25.5×21.3cm, coll. V&A


Julia Margaret Cameron, I Wait, 1872, prova de albumina, 31.4×23.5cm, coll. V&A


Julia Margaret Cameron, Two Young Women, 1875-79, prova de albumina, 28×22.8cm, coll. V&A

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COM O QUE JULIA MARGARET CAMERON NÃO SE PREOCUPOU?



MARC LENOT

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A exposição no Jeu de Paume (até 28 de janeiro) apresenta uma centena de fotografias de Julia Margaret Cameron das cerca de 1.200 que ela tirou, principalmente numa dezena de anos, de 1864 a 1875. Ela é sem dúvida a autora fotográfica mais visível do século XIX, os outros grandes fotógrafos desse século foram mais reconhecidos pela sua técnica (Daguerre, Talbot, Atkins, Bayard, …) que pela sua contribuição artística. E, de facto, ela não se preocupava muito com a técnica. As suas impressões de colódio são frequentemente manchadas, por vezes mesmo com as suas impressões digitais, e o seu foco é no mínimo arriscado, em contra-corrente das exigências de então. Mas é precisamente essa imprecisão, essa vontade mais ou menos deliberada de se afastar da representação perfeita, que fez o seu sucesso. Ela é uma precursora da estética fin-de-siècle dos pictorialistas, um ídolo para aqueles que valorizam o desfocado artístico, uma pioneira da distanciação entre realidade e representação. Embora social e culturalmente ela esteja nos seus antípodas, Cameron foi objecto, em 2008 em Estocolmo, de uma geminação com Miroslav Tichý, sob o título “Long Moments”, aproximação puramente formal baseada nos desfocados, nos acidentes e nas manchas.

À procura de uma beleza etérea, Cameron também não se preocupou com as boas maneiras, por mais burguesa que fosse. As imperfeições da fotografia ecoam as imperfeições das roupas das personagens, tecidos informes drapeados sobre elas numa postura romântica (os mais engraçados são W.H. Hunt de pijama orientalizante, e Herschel levantando os olhos ao céu como um bom astrónomo que é ) ou vestidos mal passados, sob as cabeleiras selvagens e mal penteadas. A ler o seu diário, transcrito e traduzido no catálogo (páginas 35-56), vemos que ela também pouco se importava com a pontuação, inclusive a gramática. Será graças a esta (muito relativa) marginalidade que os seus retratos atraem tanto? Eu ignorava que, empobrecida, ela obtinha dali uma fonte de rendimento não negligenciável, que compensava os reveses das plantações familiares na Índia e em Ceilão, e que a fotografia era um meio para ela expandir a sua rede social. Mas será esta a razão pela qual existe tanta diferença de género na sua escolha de temas? Todas as mulheres que ela retrata são ou da sua família ou são domésticas: nenhuma mulher influente em Inglaterra na época (e no entanto havia algumas, quer fosse na Corte ou na cidade: fotografou ela George Eliot?). Mas para Cameron, as mulheres não deveriam ser fotografadas entre os 18 e 50 anos (página 220 do catálogo): só importa a sua beleza. Ao passo que os homens que ela fotografa são todos homens maduros, de poder, intelectuais, pintores, poetas: e um bom número deles são francamente feios. Nenhum criado, salvo erro, na sua panóplia, nenhum jovem homem encantador. A beleza feminina e a inteligência masculina: haverá mais estereotipado ou mesmo mais condescendente? E uma leitura feminista da sua obra (“Maternalization of photography”, página 28, nota 26) parece muito deslocada.

Além dos seus retratos, Cameron também não se preocupou com a composição ou a profundidade. Ela ilustra cenas bíblicas (é uma cristã devota) ou Shakespeareanas, ou alegorias. É então criticada por fazer “fotografia histórica”, tema que deveria estar reservado à (grande) pintura. Outros, como George Bernard Shaw, riem dos seus artifícios, das asas de papel dos anjos. Hoje, essas encenações parecem um pouco ridículas, empoladas e piegas, e é preciso todo o entusiasmo do diretor do Jeu de Paume para encontrar nelas qualidades pós-modernas evocando Cindy Sherman (página 31), quando, pelo contrário, em Cameron não há nem distância nem acidez crítica. Tudo aquilo tem um aroma muito passadista e antiquado, de um mau gosto simplesmente vitoriano. Duas lacunas essenciais nos seus temas: nem autorretrato, nem paisagens (apenas algumas fotografias de exterior); se a segunda lacuna talvez se deva a razões técnicas, a primeira surpreende numa mulher determinada e assertiva. Todas as suas encenações são artificiais e planas: é interessante compará-la a Lady Hawarden (mais jovem, mas falecida em 1865), que, bem pelo contrário, compôs com as suas filhas pequenas cenas íntimas e sensuais, com uma discreta sexualidade subjacente. Nada disso existe em Cameron.

Filha da grande burguesia colonial na Índia (o seu pai era um dirigente da East India Company e o seu avô, pequeno aristocrata francês, foi oficial em Pondichéry, depois colono em Calcutá), casada com um funcionário colonial vinte anos mais velho, que foi um dos maiores proprietários de terras de Ceilão, ela passou toda a sua vida neste ambiente reacionário e a ele deve a sua riqueza. Em Inglaterra, onde se estabeleceu aos 35 anos, optou por fazer também o retrato do General Robert Napier, que, após os seus combates contra os sipaios, liderou a expedição contra o imperador da Etiópia, incendiou a sua cidade, pilhou os seus tesouros e levou o príncipe herdeiro para Londres, e Cameron, sem pestanejar, fez dois retratos do jovem refém (que morreria aos 18 anos). Uma anedota, certamente, mas reveladora. Quando regressou com o marido a Ceilão em 1875, para tentar recuperar os lucros das suas plantações, tirou mais algumas fotografias, não sem dificuldade. Encontramos aí um exotismo colonial e uma condescendência para com o indígena, mas as duas jovens, em Two Young Women (1875-79), resistem com o seu olhar orgulhoso que desafia a fotógrafa branca. Mas ela não se preocupa com os problemas do mundo exterior, nem com as rebeliões e fomes na Índia, nem com as revoltas dos trabalhadores em Inglaterra, tudo isto tem um eco nulo no seu trabalho. Normal dado o seu contexto, dirão, produzir um trabalho atemporal e passadista (para não dizer reaccionário). Certamente, mas, para citar duas outras mulheres fotógrafas, do mesmo tempo ou quase, Isabella Bird percorreu o mundo com um outro olhar mais esclarecido sobre os indígenas, e Alexine Tinne fez um verdadeiro trabalho etnográfico no Nordeste de África. Mas as suas fotografias são menos “bonitas”. É isso que permanece, de facto, da maior parte das fotografias de Julia Margaret Cameron: a sua beleza um pouco irreal, suficiente sem dúvida para fazer esquecer todo o resto.

 

Marc Lenot
É desde 2005 autor do blog Lunettes Rouges, publicado pelo jornal Le Monde. Em 2009 obteve o grau de Mestre com uma dissertação sobre o fotógrafo checo Miroslav Tichý, e em 2016 doutorou-se pela Universidade de Paris com uma tese sobre fotografia experimental contemporânea. Membro da AICA, venceu em 2014 o Prémio de Crítica de Arte AICA França, pela sua apresentação do trabalho da artista franco-equatoriana Estefanía Peñafiel Loaiza.

 


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Julia Margaret Cameron
Capturer la beauté

10 de Outubro de 2023 a 28 de Janeiro de 2024
Jeu de Paume, Paris