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O ESTADO DA CRÍTICA DE ARTE EM PORTUGAL NUM JORNALISMO SEM ESPAÇO PARA A CULTURA



HELENA OSÓRIO

2017-11-12




 


Podemos afirmar que nem a crítica de arte nem o jornalismo cultural estão bem estudados em Portugal, havendo uma enorme falta de conhecimentos e dados sobre estes temas interligados (ou não).


Sobre a teoria e a crítica de arte, existem trabalhos policopiados, artigos e livros publicados mais debruçados sobre o passado do que sobre a atualidade, abarcando o final do século XIX e o século XX, em especial as décadas de 1920, 1940, 1960, 1970 e 1980. Alguns deles foram defendidos em universidades portuguesas, encontrando-se disponíveis ora nos repositórios científicos, ora no mercado livreiro.


Diretamente ligados ao tema, consultamos artigos e dissertações de mestrado, assinados por autores brasileiros, já datados da primeira década do século XXI. Focam a realidade no Brasil que, embora diferente da portuguesa, pode ter alguns pontos de ligação. Isto porque, os jornalistas dos anos 80 e 90 do século XX, em Portugal, foram “basicamente formados” pelos brasileiros da Editora Abril e TV Globo que se fundiram no atual Grupo Impresa e estavam, então, mais à frente na comunicação social.


Na opinião de Gleber da Silva, o jornalismo é um dos espaços mais adequados ao exercício da crítica. O especialista brasileiro, mestre pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, defende a ideia de uma crítica e de um jornalismo cultural que sustentem a independência e autonomia em relação a poderes manipuladores contrários à responsabilidade social.


Aquando do debate sobre a crítica de arte, no I Congresso de Jornalismo, realizado em São Paulo pela Revista Cult, Ana Maria Tavares foca a crítica como um dispositivo da arte – um atributo não só de críticos, mas também de artistas. A artista, professora do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, lembra que a crítica em arte tem vindo a ser reconfigurada desde o seu surgimento no século XIX – o que ocorre como consequência de um reposicionamento de artistas que instauram a crítica como campo dialógico, onde o discurso já não se coloca de fora para dentro. Os artistas passam a atuar como agentes potencializadores dos debates críticos e adotam práticas de auto-crítica.


À época, do outro lado do oceano, já a revista de artes Bombart (2008-2010), editada pelo Projecto – então também editor da Bienal Internacional de Arte de Cerveira –, contava com uma rubrica onde os artistas plásticos escreviam na primeira pessoa, fazendo a auto-crítica. Era um lugar à arte e à crítica, com a assinatura de artistas e académicos, que morreu por falta de apoios.


 


Know-how


À parte a crítica de arte, ressalvamos especificamente sobre o jornalismo cultural, o artigo intitulado Evolução Portuguesa do Jornalismo Cultural (2006), publicado no anuário JANUS. Nele, Teresa Maia e Carmo, jornalista e docente na Universidade Autónoma de Lisboa, constata a enorme falta de estudos em Portugal. A investigadora começa por salientar a ambiguidade da própria definição de “jornalismo cultural”, discutida em colóquios restritos sem conclusões consensuais.


Em Portugal, a primeira referência a uma revista de carácter cultural surge no Porto onde é editada, em 1761, a Gazeta Literária ou Notícias Exactas dos Principais Escritos Modernos. Os seguintes séculos XIX e XX são abundantes em revistas de cultura e pensamento.


Ainda segundo Teresa Maia e Carmo, nos intranquilos anos pós-revolução 25 de abril, muitos são os títulos nascidos e / ou desaparecidos, como o República, Jornal Novo, A Luta, O Tempo, O Jornal. Observa-se uma tendência de segmentação e especialização cada vez maiores – o que leva, na década de 80, ao aparecimento de jornais e revistas dedicados à cultura. São desta altura os dois únicos semanários exclusivamente dedicados à área da cultura e espectáculos: o Se7e (1977) e o Blitz (1984).


A crise crucificou as artes, a cultura e as publicações da especialidade. Atualmente, os principais diários têm suplementos de natureza cultural com periodicidade semanal. O Jornal de Letras, Artes e Ideias resiste desde 1981 como único jornal temático dedicado à cultura.


Embora Teresa Maia e Carmo aborde o panorama do jornalismo cultural até aos primeiros anos do século XXI, tudo o que se refere a estudos aprofundados, depois da década de 80 do século XX, apresenta-se disperso e basicamente sem reflexões sobre a atualidade, não obstante os Encontros com Críticos de Arte promovidos pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL) e iniciativas da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA), sediada em Paris, que publica o Anuário da Crítica 2014.


No âmbito dos Encontros, Alexandre Pomar diz em entrevista à Artecapital (2008) que,“(...) provavelmente fui o último que na área das artes plásticas trabalhou num jornal como crítico e como jornalista com contrato. Hoje isso terminou. Passou a existir um regime só de colaboradores (...)”. Sandra Vieira Jürgens, a própria crítica, historiadora de arte e editora que o entrevista, publica artigos noutras revistas que vão encerrando, no limiar do século XXI, como a Artes & Leilões e L+Arte, tão importantes na divulgação do panorama artístico e cultural português.


 


Recessão


O espaço dado à cultura na imprensa escrita tem vindo a esgotar, a arte e os críticos passam a ter menor visibilidade. Com a ameaça do desaparecimento da imprensa escrita que assola o mundo inteiro, encerram-se vários periódicos em Portugal, sendo notória a instabilidade tanto na permanência como na qualidade de conteúdos. A cultura ganha um plano secundário, renegando as tendências jornalísticas dos anos 80 e 90 do século XX (e já antes com os esforços de alfabetização do século XIX) que promovem a educação das massas (e não o contrário, como assistimos hoje nos media).


A preocupação vai para a dinamização de subscrições on-line, reduzindo custos. O ano de 2005 fica na história como o pior registo dos últimos 15 anos com a perda de 26 mil leitores, a afectar sobretudo os jornais generalistas em papel. Em 2017, as tendências passam por repensar as políticas desses anos e criar alternativas, sendo que o retorno ao jornalismo da velha guarda é já uma realidade pela seriedade da investigação e conteúdos. (Até o papel tem retomado adeptos, assim como coabitam as grafias do antes e pós Acordo Ortográfico que se reconhece com erros.)


Mesmo que o estudo da História da Imprensa em Portugal confirme que, entre nós, não existe a tradição do jornalismo cultural, as novas tendências abrem uma brecha de luz com publicações de grande qualidade a seguir como a Colóquio / Letras, a Umbigo Magazine e a Contemporânea. Por outro lado, é a publicidade que viabiliza os periódicos, não os leitores! Lentamente retoma-se a aposta em anúncios apelativos, idealizados por designers (e outros especialistas), e em angariadores experientes que foram descurados, tal como os jornalistas consagrados que ensinavam os jovens. A idade não pesa e, sim, o know-how e a carteira de clientes (ou de fontes fidedignas). Portugal carece de um jornalismo sério e com menos fantochada, desgraça e pornografia, cuja repetição desmotiva os leitores e os próprios profissionais do ramo. As fontes noticiosas enchem as redações de novidades culturais que são descuradas a cada instante. Há que abrir o leque.


Em Reflexões sobre o Jornalismo Cultural Contemporâneo (2007), Herom Vargas defende que atualmente a cultura é um grande negócio. Portugal parece ainda não ter essa consciência, mais continuando a publicar o que as assessorias divulgam (muitas vezes sem alterar uma vírgula). Como o mestre brasileiro e doutor em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), conclui: “Afinal, o que faz um bom jornalismo cultural não são somente as técnicas, as fontes ou os processos de produção. Tudo isso sempre existiu (…) o que faz um bom jornalismo cultural são, simplesmente, bons profissionais, bons textos (...), bons conhecimentos e boa inteligência”.


Esperamos assim o regresso de muitas publicações culturais que marcaram as gerações do século XX e que os artistas, os críticos de arte e os jornalistas ditos culturais ganhem espaço para exprimirem os seus juízos de valor que fazem falta no panorama artístico e jornalístico português. Como esperamos que estes jornais e revistas recomecem a ser viabilizados pelos grandes senhores da publicidade que foram “arrumados nas gavetas” e que, antes, “financiavam” o jornalismo (e os editores), possibilitando-o.


Pouco há de novo, já tudo foi pensado, é uma questão de se fazerem estudos aprofundados dos melhores exemplos e de voltar a colocá-los em prática.


 




Helena Osório

Nascida em Benguela, Angola, é jornalista cultural, editora e escritora doutorada em Estudos sobre a História da Arte e da Música pela Universidade de Santiago de Compostela, com reconhecimento da Universidade do Porto. Investigadora como membro integrado do Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (i2ADS / FBAUP).