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A PROPÓSITO DE ‘FORMER WEST: DOCUMENTS, CONSTELLATIONS, PROSPECTS’



ROSANA SANCIN

2013-05-13




A propósito do evento FORMER WEST: Documents, Constellations, Prospects, que ocorreu na HKW, em Berlim, de 18 a 24 de março de 2013.


LOVE AS A TRUTH PROCEDURE

Former West (2008 – 2014) é uma plataforma empenhada na investigação e negociação das nossas histórias e dos nossos futuros globais pós-1989, o ano que ficou na História por causa de uma série de eventos, que mudaram o mundo aos nossos pés: a Queda do Muro de Berlim, o massacre na Praça Tiananmen em Pequim, e a fatwa proclamada a Salman Rushdie pelo ayatollah Khomeini por ele ter escrito uma novela – Os Versículos Satânicos.

Ora, o que escreveu Rushdie para ser condenado à morte? Entre outras ideias, que a condição para as novas coisas puderem surgir é que as velhas têm de morrer...

Se vivemos num momento de transformação, o que está por vir? Poderá Former West, o evento artístico de uma semana, que propõe “uma multitude de encontros com o público” para pensar o mundo para além do presente, conectando obras de arte, conferências, conversas, ensaios e performances em “várias constelações de documentos e perspectivas”, ser entendido como um “evento”, no sentido de Badiou? Uma ruptura com o estado das coisas?

O evento, segundo Badiou, é um importante ponto de viragem histórico, uma ruptura no tempo e espaço, que traz algo de novo ao mundo. Amor também é um evento. Um procedimento de verdade, tal como a arte, a ciência e a política.

O que liga os amantes? O que faz o amor durar? É a “fidelidade ao evento, e como elas mudam de acordo com aquilo que descobrem através do amor.” Sendo que o amor não é “nada mais do que encontros casuais entre os humanos; e os sujeitos podem nascer destes encontros.”


THE SHAPES OF THINGS TO COME

FORMER WEST: Documents, Constellations, Prospects foi concebido em cinco correntes que envolveram os artistas, teóricos e o público nas mais variadas apresentações e “deliberações”.
“Art Production”, conceptualizado pelo filósofo e crítico Boris Groys, debruçou-se sobre a ligação entre o trabalho (artístico) e o funcionamento da sociedade contemporânea, sugerindo que quando muda o modo de produção, a sociedade também muda. É precisamente esta transformação da sociedade que Groys propôs para ser debatida com os artistas e o público. Ou seja o potencial político da arte e o papel do artista na nossa presente condição...

“Infrastructure”, uma corrente visada pela téorica Irit Rogoff, perguntava-se como será possível pensar de outra forma a infraestrutura, que se encontra muito bem desenvolvida nas sociedades tecnocratas do Ocidente e, também por essa razão, impede a mudança de acontecer. Comissariado pelo poeta e curador Ranjit Hoskote, “Insurgent Cosmopolitanism” tratou a questão do público e de como este tem mudado através das recentes revoltas insurgentes, propondo o cosmopolitismo como uma estratégia, simultaneamente crítica e ativa. Daí surgiu uma nova expressão: O cidadão insurgente; referindo-se ao público de hoje e substituindo as antigas noções de espectador ou visitante.

Cerca de 150 estudantes de todo o mundo fizeram parte da “performance educativa” no “Learning Place”, concebido pelo escritor e crítico cultural Boris Buden e empenhado “na pesquisa coletiva de assuntos como a comodificação do conhecimento, a crítica da criatividade e o funcionamento das edu-indústrias no capitalismo cognitivo de hoje em dia.”

“Dissident Knowledges”, conceptualizado pelas curadoras Maria Hlavajova e Kathrin Rhomberg, propôs umas “intervenções espaciais e temporárias dinâmicas” num encontro informal e espontâneo entre público, obras de arte, performances, projeções de filmes e afirmações breves (prospects) .

“Mesmo agora, quando não há uma direção geral, nem um sujeito que é suposto liderar, não podemos deixar de perguntar onde colocar o nosso próximo passo, e o que levar ou deixar para trás. No entanto, ainda existem perspectivas, ou nas palavras do filósofo Bruno Latour, “as formas das coisas por vir”.

Esta corrente incluiu também “Berlin Public Editorial Meeting”, moderado pelo curador e escritor Simon Sheikh, a primeira sessão dos encontros editoriais com o público em diferentes cidades, com o objetivo de publicar ao fim de dois anos o livro Former West.


ENERGY OF THE KOSMOS IS INDESTRUCTIBLE!!!

“Os Marxistas ocidentais têm tendência para pensar que os marxistas russos lixaram o comunismo, acreditando que o socialismo soviético contaminou o potencial emancipatório do marxismo com o totalitarismo e a repressão”, escreve Anton Vidokle na proposta para a lecture-performance, “No entanto, por que é que a Revolução Comunista ocorreu num país bastante atrasado, onde três quartos da população não sabiam ler nem escrever, e não na França, que tinha a alfabetização quase universal? O que estava por detrás da estranha energia que mobilizou uma experiência social tão radical e permitiu uma industrialização tão rápida que este novo Estado logo rivalizou com as mais desenvolvidas economias capitalistas e colocou um foguete no espaço?”


ONE WORLD IN RELATION

O projeto FORMER WEST foi criticado nas edições anteriores pela filósofa, artista e professora de arte Marina Grzinic, por negar a história colonial europeia e a relação entre arte e o poder. De Freud sabemos, que a negação é o pecado mais imperdoável de todos (como afirmou Slavoj Zizek num outro contexto) .

Édouard Glissant: One World in Relation (2010) é um filme documentário que faz com que o espaço de arte se vá abrindo, em vez de encolher-se. O argumento é simples: O realizador Manthia Diawara acompanha com a câmara o poeta e filósofo Édouard Glissant na viagem de cruzeiro pelo Atlântico, desde Inglaterra até ao seu país de origem, Martinica. Nas duradouras, inspiradoras e profundas conversas, Glissant partilha as suas ideias, de uma forma ao mesmo tempo poética e filosófica, falando a favor de “um mundo em relação”, em vez de categorias sólidas como a identidade, etnicidade ou semelhantes.

Glissant é sem dúvida um dos mais importantes pensadores dos nossos tempos. As suas ideias, inspiradas na condição de arquipélagos (ilhas em relação), tomam forma de acordo com a poética de multiplicidade – uma teoria fragmentaria das relações globais. Glissant não dá espaço para as hegemonias se formarem, em vez disso, as ideias, tal como as pessoas, migram e misturam-se, respeitando as culturas em toda a sua complexidade. As diferenças entre nós já não são irreconciliáveis, mas antes permitem que nos relacionemos. O que sugere uma imensa possibilidade.


WHERE HAS COMMUNISM GONE?

Tenho de admitir: sou comunista. Não pertenço a nenhum partido político, sou simplesmente de esquerda. De uma esquerda oposicional. Esta é a minha bagagem intelectual e, tendo crescido na Europa – um continente envelhecido/ um continente podre, morto e aborrecido –, não podia ter uma melhor.

“Where Has Communism Gone?” é uma learning play, uma performance e um debate proposto pelo coletivo russo Chto Delat? / What is to be done? . A sua prática consiste em “abrir o espaço entre a teoria, a arte e o ativismo, criando e desenvolvendo um diálogo de posições diferentes em relação à politização da produção de conhecimento e o lugar da arte e poética neste processo.”

Para isto acontecer, tendo o horizonte comunista como pano de fundo, Chto Delat? trabalhou com um grupo de voluntários, ensaiando a learning play por uma semana e, durante o processo, debateram-se as questões urgentes. “Where Has Communism Gone?” culminou numa apresentação pública, no palco de Former West, onde a ideia de comunismo, algo desgastada, se revitalizou na performance e no debate ao vivo com os espetadores emancipados.


PROSPECTS

“Sou historiador, não sou profeta. Por isso, não sei o que está por vir” respondeu o global agoraphile Piotr Piotrowski de uma forma curta.


I DREAMED A DREAM


“We can’t go from the protests on the streets back to our warm art institutions as though nothing was happening and do another exhibition”, pensava alto Maria Hlavajova.

“Can revolutions happen without mobilization? ”, perguntava-se um cidadão insurgente.

“Migrants are the future world citizens!”, resumiu a artista Tania Bruguera.


RADICAL ENCOUNTERS

“Let’s face it. We’re undone by each other. And if we’re not, were missing something.”


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Rosana Sancin

Este artigo é dedicado a S.F.

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Nota:

As citações, remisturadas por R.S., são de Alain Badiou, Boris Buden, Maria Hlavajova, Anton Vidokle, Ranjit Hoskote, Chto Delat? e Judith Butler.