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PERSPETIVA ATUAL


“Beam Me Up” (2014)


Vista da Exposição. Cortesia Espaço Mira.


Silvestre Pestana


Vista da Exposição. Cortesia Espaço Mira.


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SARA CASTELO BRANCO

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“SUFOCO” de Silvestre Pestana (Funchal, 1949), com curadoria de José Maia – a primeira exposição individual organizada pelo Espaço Mira, no Porto, após um ano de actividade –, acolhe o trabalho mais recente deste artista, que, ao longo dos últimos 40 anos, concebeu uma obra experimental e prospectiva, aportada nas estâncias da performance, da poesia experimental, do vídeo, da fotografia, da escultura e da intervenção no espaço público. A obra de Pestana convoca, frequentemente, uma ponderação política, histórica e social sobre o controlo, o jogo e a guerra nas sociedades, inscrevendo questões relacionadas com a materialidade, a intermediação e a performance nos espaços reais e virtuais.


Em “SUFOCO”, Silvestre Pestana manifesta acções sobre a fotografia, a instalação, a escultura, a criação digital no espaço da Web e a performance, práticas que se vinculam a uma constante auto-génese do artista, que assoma reproduzido sobre diferentes suportes de representação. Podemos, assim, atentar à centralidade de questões relacionadas com a dinâmica horizontal, a persistência do tríptico e o auto-retrato do artista, embora a sua individualidade apareça rasurada pelo braço ou máscara que cobrem o rosto, ou, pelo advento de um avatar. Desta forma, o artista introduz um questionamento sobre a condição do corpo, vinculando-o a uma erosão e ilusão, seja pela presentificação de um corpo semi-desnudado ou pela própria auto-reflexividade da fotografia, da escultura e do avatar, mecanismos que fixam uma juvenilidade e eternização.


Neste sentido, em “Beam Me Up” (2014), o artista surge retratado por três representações escultóricas de base fotográfica, figuras que renegam o sentido tradicional da representação estatuária, surgindo com o rosto ocultado pelo braço. Estas foto-esculturas são impressões a três dimensões, onde um processo de digitalização do corpo origina uma massa escultórica. Trata-se, assim, de uma cartografia corporal que contraria a horizontalidade da tecnologia topológica. As foto-esculturas estão encerradas dentro de cilindros transparentes, remetendo para o involucro físico da liberdade de cada um, ou, pelo contrário, para um espaço de fechamento.


Em “SUFOCO Virtual” (2014), o artista convoca uma outra personagem agrilhoada, projectando o espaço virtualizado da plataforma Second Life – onde recria e emula o Espaço Mira –, afirmando, assim, a positividade de um lugar em limbo, inscrito num real fantasmático e latente. Nesta projecção, uma figura denominada por “bot” – um avatar sem controlo humano directo –, surge sitiado por três aviões (hélios), durante 24 horas, sendo visitado por várias personagens que permanecem ou vão criando tensões. Novamente, estes visitantes parecem desenhar um cilindro à sua volta, embora o bot – sempre em loop – se mantenha firme e alheado, convertendo-se numa espécie de máquina ideal, fascinada apenas pelo controlo dos seus aviões. Em complemento a este trabalho está SUFOCO III (2014), a recriação do hélio-ponto que vemos na projecção. O hélio-ponto, um lugar de transitoriedade, é uma forma de ascensor simbólico, que realiza o transporte de um espaço real e analógico para um espaço virtual, inscrevendo-se na extensão da liberdade de idealização.


As obras de Silvestre Pestana convocam, frequentemente, a plataforma virtual procurando perscrutar o carácter militar do digital, a primeira grande tecnologia da potência americana, que está arrolada a uma estrutura de controlo militarizado. A guerra está gravada, desde sempre, na História do Homem e da arte. Porém, os drones – que, também, são referenciados na projecção do Second Life e nas performances do artista –, abordam agora novos movimentos: de baixo manipula-se para uma ameaça que vem de cima. O Second Life assoma, assim, enquanto metaverso de uma imagem de sonho e de imaginação, um espaço que nos devolve uma realidade. Neste sentido, os mecanismos de guerra aproximam-se das estruturas do jogo: a superfície de batalha desterritoralizou-se e o corpo desmaterializou-se. A estratégia e o comando são agora manejados à distância. Desta forma, o trabalho de Silvestre Pestana permite-nos questionar um alheamento e banalização perante a guerra, onde o domínio distante e enviesado dos ataques militares apela aos condicionalismos da moral, ou da amoralidade, pois aqui não há uma consciência do eu e do outro.


Neste sentido, podemos atender ao díptico pertencente à série fotográfica “SUFOCO I” (2014), cujas imagens convocam o gesto do falcoeiro, apelando, igualmente, ao olhar do falcão que, tal como um drone, é determinado por um fito que determina um movimento horizontal de baixo para cima e de cima para baixo. O falcão está relacionado com a lealdade e a obediência, é aquele que vai e vem, versejando assim os aparelhos de controlo, como os helicópteros de utilização militar, que se chamam, precisamente, falcões. O abeiramento crítico à realidade histórico-política aparece, igualmente, num outro trabalho fotográfico, pertencente à mesma série, onde o artista surge com o rosto tapado por uma espécie de máscara-avião. A máscara que, tradicionalmente, representa o apagamento ou a metamorfose do indivíduo, a figuração de uma identidade velada, remete para outras formas de encobrimento, como os avatares ou o braço que esconde o rosto. Por outro lado, o disfarce exorta uma relação antropológica com os rituais xamânicos, onde a máscara referenciava o poder. A máscara reproduz, assim, questões inerentes à transfiguração corporal, que, neste caso, remetem para o além do humano, o homem-máquina e, não apenas, o homem-animal. Neste sentido, a máscara apela a uma reciprocidade entre interior e exterior, remetendo, auto-reflexivamente, para as próprias mecânicas do jogo, da fotografia, da escultura e do Second Life, que também se inscrevem nesta dualidade.


Ainda no conjunto fotográfico “Sufoco I”, Silvestre Pestana apresenta dois trípticos, compostos por imagens em forma de trapézio, onde emergem formas geométricas de composição e torção concebidas pelos braços do artista, que se elevam para o céu ou para a terra, versando o movimento do falcão e do drone. Por outro lado, tal como as figuras de “Beam Me Up”, que estão posicionadas sobre um grande plano branco e remetem para uma monocromia, as fotografias (apesar de cromáticas) também se activam no preto-e-branco, aludindo assim a uma objectualização da representação. Num outro sentido, os trípticos – o grupo de três –, sobretudo os de matriz cristã, encerram, comummente, uma narrativa: as imagens das suas laterais são fechadas e dobram-se sobre a imagem do meio. São três pinturas que juntas formam uma única imagem. Desta forma, na história da produção das imagens, o tríptico é, tradicionalmente, uma representação simbólica do “eu” e de um “meio” (o lugar de convergência do poder) e das suas “extensões”. Desta forma, estas imagens formam-se sobre uma potência reversa que contraria o sentido comum de ocultação e de fechamento do tríptico, opondo-se à disposição complementar das figuras e ao seu encerramento sobre si mesmo.


As fotografias de cada tríptico deixam tudo em aberto, tendendo mais para a paisagem. No entanto, se ali tudo parece abrir-se, paralelamente, mantém-se o mistério desse olhar encoberto por um tecido negro. Neste sentido, o facto dos trípticos surgirem numa composição visual invertida – onde o corpo e as mãos surgem ora para baixo, ora para cima –, incita um olhar que, embora escondido, observa algo que está a cima de si, ou, pelo contrário, abaixo: um olhar de submissão/adoração ou um olhar de poder. Levantar significa transcender a resistência, descer ou cair exprime a rendição à atracção de baixo, a uma submissão passiva. Neste sentido, cumprindo o trilho de um mesmo círculo, o esboço da urdidura faz-se nessa representação da terra-homem-céu ou do céu-homem-terra, que remete para a figuração de um homem que aparece sempre “fechado” entre a terra e o céu, a maior aspiração, e, simultaneamente, o maior limite do Homem.


SUFOCO convoca uma reflexão e questionamento crítico sobre a realidade histórico-política, inscrevendo-se numa ponderação sobre a auto-representação, o corpo, a interioridade e a exterioridade e as relações de banalização e dominação militar. Desta forma, esta exposição refere a realidade de vários “sufocos”, presentes no interior ou no exterior dos corpos, e que se interligam numa relação entre o espaço real e o espaço virtual, plataforma que o artista tem vindo a articular cada vez mais no seu trabalho, ideando assim um novo espaço para a arte.

 




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Sara Castelo Branco

(Porto, 1989). Licenciada em Ciências da Comunicação e da Cultura (ULP) e mestre em Estudos Artísticos - Teoria e Crítica da Arte (FBAUP), onde trabalhou sobre a trans-temporalidade, a memória e o mito no cinema português. Tem produzido textos e investigação na área do cinema e da arte contemporâneas.