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PERSPETIVA ATUAL


DOCUMENTA 12. Kassel, 16 JUN a 23 SET 07


John McCracken, “Minnesota”, 1989. © Cortesia John Mc Cracken and David Zwirner, Nova Iorque.


Gerhard Richter, “Betty”, 1977. Pintura. Óleo sobre tela. © Gerhard Richter.


Trisha Brown, “Floor of the Forest”, 1970. Instalação e Performance no espaço expositivo.


Harun Farocki, “Deep Play”, 2007. Plano do vídeo. Instalação video múltipla, cor, som, loop. © Cortesia: do artista; Greene Naftali Gallery, Nova Iorque.


Neue Gallerie


James Coleman, “Retake with Evidence”, 2007. Performance: por Harvey Keitel. Filme projectado. Cortesia: artista; Marian Goodman Gallery; Simon Lee Gallery; Galerie Micheline Szwajcer. © James Coleman


Aue Gallerie


Halil Altindere, “Dengbêjs”, 2007. Planos do vídeo. Vídeo (DVD), HD, formato 16:9, cor, som, 15:17 min. © Halil Altindere


Lidwien van de Ven, “Damascus, Ommayad Mosque”, 2007. Vídeo / loop. © Cortesia: Lidwien van de Ven; Galerie Paul Andriesse, Amsterdão.


Schloss Wilhelmshöe


Anónimo. Miniatura Índia, séc XVI. © Bildarchiv Preußischer Kulturbesitz, Berlin 2007; Staatliche Museen zu Berlin – Preußischer Kulturbesitz, Museum für Islamische Kunst. Foto: Ingrid Geske.


Sanja Ivekovic. Ilustração para o trabalho: “Poppy Field”, 2007. © Oswald Skene / DHD Multimedia Gallery


Ai Weiwei,“Fairytale”, 2007. 1001 visitantes chineses, 1001 cadeiras de madeira da dinastia Qing.


Ai Weiwei, "Template", 2007. Portas e janelas de casas destruídas das Dinastias Ming e Qing. © Cortesia do artista; Galerie Urs Meile, Beijing–Lucerne; Fotos: Frank Schinski / documenta.


Ai Weiwei, "Template", 2007. Portas e janelas de casas destruídas das Dinastias Ming e Qing.


Kerry Marshall, “Could this be love”, 1992. Pintura. © Kerry James Marshall; Cortesia: The Bailey Collection, Toronto; Jack Shainman Gallery, Nova Iorque.


Juan Davila, “The Arse End of the World”, 1994. Colagem sobre tela. 240 x 305 cm. © Cortesia: Juan Davila; Kalli Rolfe Contemporary Art.

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DOCUMENTA 12: FAIRYTALE?



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A Documenta de Kassel não se focaliza em constrangimentos de mercado. Não se rege pela lógica mainstream das grandes bienais e feiras de arte, assentando antes na necessidade, para além dos mecanismos de sobrevivência da economia global do sistema artístico-empresarial, da produção de teoria e de conhecimento. Reclama o lugar proto-académico da reflexão sobre a contemporaneidade artística, política e cultural mundial, sobre a qual exerce um papel projectivo determinante constituindo, por essa razão, a mais importante exposição de arte contemporânea do mundo.


Iniciada em 1955, a Documenta surgiu como um evento colateral do optimista “German Federal Garden Show” que conduzia cerca de três milhões de visitantes à cidade de Kassel, quase integralmente destruída durante a guerra. A exposição serve a tentativa de reconciliação do público alemão com a modernidade internacional através do seu confronto directo com o fracasso da Alemanha nazi. Assumia um duplo carácter: documental e histórico-reconstrutivo, apresentando relacionalmente as vanguardas modernistas europeias com a “arte degenerada”; e, simultaneamente, prospectivo, pela programática introdução de arte contemporânea alemã.


A Documenta assinalou um sucesso imediato, o que lhe valeu uma continuidade não programada. Desde 1955 e a cada cinco anos, um novo director é convidado a reflectir experimentalmente sobre a produção artística (incluindo a não-ocidental) e, a partir de determinada altura, sobre a história da própria Documenta. Os discursos são tão diferentes quanto complementares, estabelecendo relações de turbulento confronto ou corroboração activa na sucessiva e dinâmica alternância de perspectivas.


O projecto de Roger M. Buergel (Berlim, 1962) para a D12 é politicamente empenhado sem porém assumir o carácter interventivo das D5 e DX. Subjaz-lhe a ética da coexistência, a consciência de enquadramento retrospectivo e a pedagogia de Arnold Bode (D1_1955); o enfoque nas questões teóricas da recepção e dos públicos da arte da década de Jean Leering (D4_1968); os debates contínuos e o “Comprehensive Concept” tradicionais desde a Documenta de Harald Szeemann (D5_1972); a responsabilidade social da arte de Manfred Schneckenburger (D6_1977 e D8_1987); a subjectividade da experiência artística de Jan Hoet (D9_ 1992); a ideia de exposição enquanto «Manifestação Cultural» de Catherine David (DX_1997); a crítica aos modelos de aprendizagem enciclopedista e o alargamento da escala temporal e geográfica e da complexidade das estruturas da Documenta preconizada por Okwui Enwezor (D11_2002).


É dentro das áreas do poder, da política e das relações de conflito que Buergel, o director artístico da D12 tem trabalhado enquanto organizador de exposições e autor. Juntamente com Ruth Noack (historiadora de arte e investigadora da área do feminismo com quem partilha vida e trabalho) como Curadora; com o aconselhamento do “Documenta Internacional Commitee” (estabelecido pelo primeiro para garantir apoio, ressonância e enquadramento social); e com uma equipa flutuante de cerca de 650 pessoas; Buergel materializou o resultado de três anos e meio de trabalho num complexo programa de 100 dias. É no espírito desta ancoragem que se funda a importância e a transversalidade do conceito “Pilares”, aplicável ainda a todas as colaborações verificadas fundamentais para a manutenção e desenvolvimento das considerações educacionais durante todo o projecto. A relevância determinante do conceito justificou a sua radical conversão imagética em logótipo da D12, generalizado ao mundo pelo gigante editorial Taschen.


Os conceitos estruturantes da D12 baseiam-se em três leitmotifs, tópicos formulados por Buergel enquanto questões a colocar ao mundo, à arte e ao seu público. Is modernity our antiquity / Será a Modernidade a nossa Antiguidade?; What is bare life / O que é a vida nua?; (In Education) What is to be done / (Na educação) O que há a fazer?; constituem propostas alargadas de reflexão, colocadas à priori da materialização da exposição, para que as respostas pudessem reverter para ela enquanto ecos produtivos. Retornaram, enérgicas, a partir das diferentes plataformas funcionais da D12, canais pensados enquanto espaços de intervenção para a problematização democrática das interrogações nomeadas.


A plataforma “D12 Advisory Board” insere-as dentro de uma dimensão local. Porque uma exposição política deve educar e cultivar o seu público, procurou estreitar um diálogo com a população de Kassel, mediado pelos membros de um comité interdisciplinar de especialistas locais, criado para o efeito, enquadrando e articulando, em actividades diferenciadas, os leitmotifs com as problemáticas do desemprego, da emigração, da educação e da exclusão.


A plataforma “D12 Magazine” insere-as dentro de uma dimensão internacional. Dirigida por Georg Schöllhammer, constitui-se como o magazine dos magazines, um medium escrito por outros media, fundado na apologia da diferença discursiva contra a autoridade generalizada do pensamento único. Os três tópicos foram lançados a diferentes instrumentos de comunicação de todo o mundo, tendo contribuído cerca de uma centena com a publicação de artigos, ensaios, entrevistas e ensaios pictóricos. O diálogo alargou-se, polémico, polissémico e contra-argumentativo, revelando urgências reflexivas que a exposição se propôs problematizar. Originalmente publicado em cerca de sessenta e cinco línguas e traduzido para inglês (língua comunicacional predefinida), o património recolhido foi tematicamente compilado (Modernity? / Life! / Education:) e posteriormente reunido num volume Reader. Assegurando a continuidade do seu esforço universalista e democratizador, o jornal online permite anexar novas entradas de artigos, e as apresentações diárias de comunicações ou os debates promovidos pela “D12 Magazine” no espaço da Documenta espelham e alargam ao público as discussões sucessivamente despoletadas.


É nesta heterogeneidade discursiva que se consubstanciam igualmente os trabalhos artísticos apresentados à Plataforma “Exhibition” que interpelam um ou mais tópicos da Documenta. Cerca de quinhentas obras, de todas as tipologias e suportes, de cerca de cento e vinte artistas e colectivos artísticos, em equivalência quantitativa de género e provenientes das mais variadas regiões do mundo, são especulativamente colocadas umas em relação às outras, negociando relações produtivas com o espaço e desafiando directamente o público. A deliberada ausência de forma é um teaser que visa despertar confusão e angústia no espectador. A ancoragem na identidade autoral ou geo-política mostra-se, na grande generalidade das vezes, infrutífera, já que os artistas seleccionados não pertencem ao circuito mainstream (e o catálogo não segue uma ordem alfabética mas de cronologia de produção), e a insuficiência do conteúdo das tabelas nega a possibilidade da sua contextualização territorial. Libertos da imediatez dos esquemas perceptivos convencionais, predeterminados e deterministas, os trabalhos confirmam a sua própria autoridade e abrem-se a uma verdadeira experiência estética, nivelando espectador e especialista no reconhecimento da sua ausência de conhecimento. A provocação da sensação de vazio e de fracasso relacional actua como uma chamada de atenção para os vícios do conhecimento, para a irresponsabilidade educativa generalizada e para a absoluta necessidade de politização dos públicos da cultura.


É o preenchimento desse vazio que a Plataforma “Art Educators” promove com o seu programa educacional. Inovadoramente entendida enquanto estrutura fundamental do projecto, constitui-se como o espaço de ressonância da audiência. Porque o significado dos trabalhos não é oferecido ou facilitado na própria exposição, actua como mediador da negociação entusiástica de sentidos e da experiência da sua inesgotabilidade. As actividades pedagógicas envolvem uma paragem para discussão nos “círculos de iluminação” (enlightment), área especificamente desenhada dentro do ambiente expositivo para o efeito.


A Plataforma “Spaces for Art” é a última da D12. Se o foco da exposição é a experiência estética, importa perceber como os espaços necessários para que ela aconteça a proporcionam ou a condicionam. A arquitectura de exposição é diferente em cada um dos espaços da D12, não existindo forma ou estrutura aglutinadora, manifesto programático ou lógica de percurso predefinida. Começar por um ou outro pavilhão altera profundamente a experiência da exposição. A mise-en-scène em cada um dos edifícios comunica à sua maneira. As soluções museológicas, museográficas e cenográficas são deliberadamente individualizadas em cada um dos seus “palcos”.


No Fridericianum, o primeiro museu público do continente europeu, sobre as ruínas iluministas do qual se ergueu a primeiríssima Documenta, a referência histórica é simultaneamente subtil e evidente. A obra de John McCracken protagoniza a encenação de um remake na referenciação e ultrapassagem do sentido aurático, hermético e classicista da D7 de Rudi Fuchs. A coluna e paredes douradas de James Lee Byars e Jannis Kounellis, à época ali instaladas, foram metamorfoseadas em espelho, substituindo-se a elevação esmagadora dos objectos pelo seu nivelamento com o espectador que neles se reflecte, se funde, se conhece e se reconhece em coexistência. A coluna, ou pilar, ou monólito, carrega consigo a estrutura base construtiva da própria D12, cujo discurso pós-aurático reclama Walter Benjamin. Uma cópia da obra “Angelus Novus” (Paul Klee, 1920), de quem terá sido mediático proprietário, determina-o insider. O seu anjo retroperspectiva a história levantando-se das ruínas do mesmo museu que lhe valida expositivamente a sua condição de reprodutibilidade. Olhando também para o passado na mesma direcção do futuro, as obras “Electric Dress” (1956, rec. 1986) de Atsuko Tanaka, “Betty” (1977) de Gerhard Richter; “Floor of the Forest” (1970) de Trisha Brown e “Una milla de cruces sobre el pavimento” (1979 e 2007) de Lotty Rosenfeld destacam-se juntamente com as contemporâneas “Where We Where Then, Where We Are Now” (2007) de Simon Wachsmuth, “Deep Play” (2007) de Harun Farocki e “Lovely Andrea” (2007) de Hito Steyerl.


A vertigem cromática aplicada às paredes da Neue Gallerie resulta surpreendentemente cenográfica. Palco vibrátil onde as obras parecem actuar segundo uma direcção mais ou menos rigorosa, toma o theatrum mundi de “L´Exposition Universelle” (1867) de Manet, exposto em formato postal, como sua metáfora central. O vídeo “Retake with Evidence” (2007) de James Coleman retribui-lhe, com contornos narrativos e mnemónicos, uma espectacularidade fílmico-fotográfica monumental, da qual Harvey Keitel é o monstruoso protagonista shakespeareano. Documental, a instalação vídeo de ecrãs múltiplos “The Lightning Testimonies” (2007) de Amar Kanwar revela, em formato intimista, a complexidade da Índia pós-colonial e da sua trágica repercussão na experiência individual e colectiva do feminino. É a também íntima reflexão sobre o medo que subjaz, numa perspectiva político-biográfica, aos desenhos de pequeno formato da série “Fears” (2007) e ao mediático “Top Secret” (1989-1990) de Nedko Solakov.


A solução espacial mais singular é proposta na Aue Gallerie, novo pavilhão temporário com 10.000 metros quadrados que resulta mal resolvido na sua amplitude, caótico e desconexo no inter-relacionamento conceptual dos trabalhos e descuidado na sua apresentação armazenista. Importa porém sublinhar a exemplaridade poético-documental dos vídeos “Dengbêjs” (2007) de Halil Altindere e “Damascus, Onmayad Mosque” (2007) de Lidwien van de Ven.


O Documenta Halle é o espaço de produção e de convergência da D12. Da sua desinteressante secção expositiva destacam-se apenas as esculturas de luz “Phantom Truck” (2007) e “The Radio” (2007) de Iñigo Manglano-Ovalle.


No Schloss Wilhelmshöe, trabalhos contemporâneas entram em diálogos formais com o passado, numa profunda reflexão sobre a migração da forma – conceito transversal do design expositivo de toda a exposição –, com trabalhos de Rubens, Rembrant, Cranach ou Brueghel, da colecção do museu, alargada a outros do Irão, da Índia, do Tajiquistão, do Japão ou da China, de produções balizadas entre os séculos XIV e XX. Os incríveis cenários das imediações e acessos do castelo, igualmente pontuados por trabalhos, confirmam a pertinência do deslocamento para lá do espaço estrito da Documenta.


O enquadramento dos trabalhos no espaço público repete-se na reformulação plástica da Friedrichplatz, com a política “The Exclusive. On the Politics of the Excluded Fourth” de Andreas Siekmann (2007) e a poética “Poppy field” (2007) de Sanja Ivekovic; nos transportes públicos com “Tram 4 Inner voice Rádio” (2007) de Kirill Preobrazhenskiy; e no Kulturzentrum Schlachthof onde se destaca o vídeo “Them” (2007) de Artur Zmijewski. A arte culinária de Ferran Adrià é ainda e surpreendentemente integrada na Documenta através do estabelecimento de uma ponte geográfica com o seu restaurante “elBulli” nas imediações de Barcelona.


A sistemática colocação de trabalhos de quatro artistas em toda a extensão da Documenta é reveladora da sua capacidade de tradução conceptual da sua décima-segunda edição. As 1001 cadeiras Quing de “Fairytale” (2007) que Ai Weiwei coleccionou e restaurou sistematicamente, pontuam individual ou colectivamente os espaços expositivos, prontas a receber cada um dos 1001 cidadãos chineses por ele convidados a visitar a exposição. “Template” (2007) é a sua mediática escultura de janelas das dinastias Quing e Ming, destruída por uma tempestade que assolou Kassel nos primeiros dias da D12. As pinturas negras de Kerry Marshall e as porno-políticas de Juan Davila, juntamente com os meditativos monolitos e mandalas coloridas de John McCracken, propõem-se sintetizar, inconclusivos, as questões paradigma colocadas por Buergel ao mundo. Respondem, em simultâneo, à possibilidade de um horizonte comum a toda a humanidade, problematizando a figura da modernidade em vários contextos do mundo – «Modernity?» ; àquilo que consideram filosoficamente constituir vida, entre as ténues fronteiras da submissão e da libertação – «Life!» ; e à pergunta Leninista “Que fazer?” – «Education:» - na mesma direcção vectorial (paternalista-messiânica?) da família curatorial – civilizar pela educação.



DOCUMENTA 12
Kassel, 16 JUN a 23 SET 07


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