Links

PERSPETIVA ATUAL


Chi Peng, “Springing Forward 2”, 2004


Zhang Dali, “Chinese Offspring”, 2003-2005


Zhang Xiaogang, “Big Family”, 2005-2006

Outros artigos:

2017-09-05


PAULA PINTO


2017-07-26


NATÁLIA VILARINHO


2017-07-17


ANA RITO


2017-07-11


PEDRO POUSADA


2017-06-30


PEDRO POUSADA


2017-05-31


CONSTANÇA BABO


2017-04-26


MARC LENOT


2017-03-28


ALEXANDRA BALONA


2017-02-10


CONSTANÇA BABO


2017-01-06


CONSTANÇA BABO


2016-12-13


CONSTANÇA BABO


2016-11-08


ADRIANO MIXINGE


2016-10-20


ALBERTO MORENO


2016-10-07


ALBERTO MORENO


2016-08-29


NATÁLIA VILARINHO


2016-06-28


VICTOR PINTO DA FONSECA


2016-05-25


DIOGO DA CRUZ


2016-04-16


NAMALIMBA COELHO


2016-03-17


FILIPE AFONSO


2016-02-15


ANA BARROSO


2016-01-08


TAL R EM CONVERSA COM FABRICE HERGOTT


2015-11-28


MARTA RODRIGUES


2015-10-17


ANA BARROSO


2015-09-17


ALBERTO MORENO


2015-07-21


JOANA BRAGA, JOANA PESTANA E INÊS VEIGA


2015-06-20


PATRÍCIA PRIOR


2015-05-19


JOÃO CARLOS DE ALMEIDA E SILVA


2015-04-13


Natália Vilarinho


2015-03-17


Liz Vahia


2015-02-09


Lara Torres


2015-01-07


JOSÉ RAPOSO


2014-12-09


Sara Castelo Branco


2014-11-11


Natália Vilarinho


2014-10-07


Clara Gomes


2014-08-21


Paula Pinto


2014-07-15


Juliana de Moraes Monteiro


2014-06-13


Catarina Cabral


2014-05-14


Alexandra Balona


2014-04-17


Ana Barroso


2014-03-18


Filipa Coimbra


2014-01-30


JOSÉ MANUEL BÁRTOLO


2013-12-09


SOFIA NUNES


2013-10-18


ISADORA H. PITELLA


2013-09-24


SANDRA VIEIRA JÜRGENS


2013-08-12


ISADORA H. PITELLA


2013-06-27


SOFIA NUNES


2013-06-04


MARIA JOÃO GUERREIRO


2013-05-13


ROSANA SANCIN


2013-04-02


MILENA FÉRNANDEZ


2013-03-12


FERNANDO BRUNO


2013-02-09


ARTECAPITAL


2013-01-02


ZARA SOARES


2012-12-10


ISABEL NOGUEIRA


2012-11-05


ANA SENA


2012-10-08


ZARA SOARES


2012-09-21


ZARA SOARES


2012-09-10


JOÃO LAIA


2012-08-31


ARTECAPITAL


2012-08-24


ARTECAPITAL


2012-08-06


JOÃO LAIA


2012-07-16


ROSANA SANCIN


2012-06-25


VIRGINIA TORRENTE


2012-06-14


A ART BASEL


2012-06-05


dOCUMENTA (13)


2012-04-26


PATRÍCIA ROSAS


2012-03-18


SABRINA MOURA


2012-02-02


ROSANA SANCIN


2012-01-02


PATRÍCIA TRINDADE


2011-11-02


PATRÍCIA ROSAS


2011-10-18


MARIA BEATRIZ MARQUILHAS


2011-09-23


MARIA BEATRIZ MARQUILHAS


2011-07-28


PATRÍCIA ROSAS


2011-06-21


SÍLVIA GUERRA


2011-05-02


CARLOS ALCOBIA


2011-04-13


SÓNIA BORGES


2011-03-21


ARTECAPITAL


2011-03-16


ARTECAPITAL


2011-02-18


MANUEL BORJA-VILLEL


2011-02-01


ARTECAPITAL


2011-01-12


ATLAS - COMO LEVAR O MUNDO ÀS COSTAS?


2010-12-21


BRUNO LEITÃO


2010-11-29


SÍLVIA GUERRA


2010-10-26


SÍLVIA GUERRA


2010-09-30


ANDRÉ NOGUEIRA


2010-09-22


EL CULTURAL


2010-07-28


ROSANA SANCIN


2010-06-20


ART 41 BASEL


2010-05-11


ROSANA SANCIN


2010-04-15


FABIO CYPRIANO - Folha de S.Paulo


2010-03-19


ALEXANDRA BELEZA MOREIRA


2010-03-01


ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


2010-02-17


ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


2010-01-26


SUSANA MOUZINHO


2009-12-16


ROSANA SANCIN


2009-11-10


PEDRO NEVES MARQUES


2009-10-20


SÍLVIA GUERRA


2009-10-05


PEDRO NEVES MARQUES


2009-09-21


MARTA MESTRE


2009-09-13


LUÍSA SANTOS


2009-08-22


TERESA CASTRO


2009-07-24


PEDRO DOS REIS


2009-06-15


SÍLVIA GUERRA


2009-06-11


SANDRA LOURENÇO


2009-06-10


SÍLVIA GUERRA


2009-05-28


LUÍSA SANTOS


2009-05-04


SÍLVIA GUERRA


2009-04-13


JOSÉ MANUEL BÁRTOLO


2009-03-23


PEDRO DOS REIS


2009-03-03


EMANUEL CAMEIRA


2009-02-13


SÍLVIA GUERRA


2009-01-26


ANA CARDOSO


2009-01-13


ISABEL NOGUEIRA


2008-12-16


MARTA LANÇA


2008-11-25


SÍLVIA GUERRA


2008-11-08


PEDRO DOS REIS


2008-11-01


ANA CARDOSO


2008-10-27


SÍLVIA GUERRA


2008-10-18


SÍLVIA GUERRA


2008-09-30


ARTECAPITAL


2008-09-15


ARTECAPITAL


2008-08-31


ARTECAPITAL


2008-08-11


INÊS MOREIRA


2008-07-25


ANA CARDOSO


2008-07-07


SANDRA LOURENÇO


2008-06-25


IVO MESQUITA


2008-06-09


SÍLVIA GUERRA


2008-06-05


SÍLVIA GUERRA


2008-05-14


FILIPA RAMOS


2008-05-04


PEDRO DOS REIS


2008-04-09


ANA CARDOSO


2008-04-03


ANA CARDOSO


2008-03-12


NUNO LOURENÇO


2008-02-25


ANA CARDOSO


2008-02-12


MIGUEL CAISSOTTI


2008-02-04


DANIELA LABRA


2008-01-07


SÍLVIA GUERRA


2007-12-17


ANA CARDOSO


2007-12-02


NUNO LOURENÇO


2007-11-18


ANA CARDOSO


2007-11-17


SÍLVIA GUERRA


2007-11-14


LÍGIA AFONSO


2007-11-08


SÍLVIA GUERRA


2007-11-02


AIDA CASTRO


2007-10-25


SÍLVIA GUERRA


2007-10-20


SÍLVIA GUERRA


2007-10-01


TERESA CASTRO


2007-09-20


LÍGIA AFONSO


2007-08-30


JOANA BÉRTHOLO


2007-08-21


LÍGIA AFONSO


2007-08-06


CRISTINA CAMPOS


2007-07-15


JOANA LUCAS


2007-07-02


ANTÓNIO PRETO


2007-06-21


ANA CARDOSO


2007-06-12


TERESA CASTRO


2007-06-06


ALICE GEIRINHAS / ISABEL RIBEIRO


2007-05-22


ANA CARDOSO


2007-05-12


AIDA CASTRO


2007-04-24


SÍLVIA GUERRA


2007-04-13


ANA CARDOSO


2007-03-26


INÊS MOREIRA


2007-03-07


ANA CARDOSO


2007-03-01


FILIPA RAMOS


2007-02-21


SANDRA VIEIRA JURGENS


2007-01-28


TERESA CASTRO


2007-01-16


SÍLVIA GUERRA


2006-12-15


CRISTINA CAMPOS


2006-12-07


ANA CARDOSO


2006-12-04


SÍLVIA GUERRA


2006-11-28


SÍLVIA GUERRA


2006-11-13


ARTECAPITAL


2006-11-07


ANA CARDOSO


2006-10-30


SÍLVIA GUERRA


2006-10-29


SÍLVIA GUERRA


2006-10-27


SÍLVIA GUERRA


2006-10-11


ANA CARDOSO


2006-09-25


TERESA CASTRO


2006-09-03


ANTÓNIO PRETO


2006-08-17


JOSÉ BÁRTOLO


2006-07-24


ANTÓNIO PRETO


2006-07-06


MIGUEL CAISSOTTI


2006-06-14


ALICE GEIRINHAS


2006-06-07


JOSÉ ROSEIRA


2006-05-24


INÊS MOREIRA


2006-05-10


AIDA E. DE CASTRO


2006-04-20


JORGE DIAS


2006-04-05


SANDRA VIEIRA JURGENS


share |

CHINA NOW



NUNO LOURENÇO

2007-12-02




Depois de um séc. XIX predominantemente francês, de um séc. XX sob o signo da coca-cola, a China, o tão falado monstro económico, prepara-se para nos achinesar como uma invasão de baratas.

Já no piso baixo do museu Cobra, Museum voor moderne kunst, mostram-se em pequenos quadros os alinhavos de certas linhas mestras da arte chinesa contemporânea. Os restos de Mao-Tse-Tung são chamados de “Thing” por Zeng Tu, e Hong Hao impõe uma “New World Order”, onde quase toda a Europa se chama Moçambique, a China se torna dividida em países como os E.U.A. ou Portugal; São Marino e Andorra são agora o novo Canadá e a Antártida compõe-se de cidades-estado como Nova Iorque ou Londres. Será isto um prenúncio?

Na sala de cima descobrimos que a arte é a vida de todos os dias de uma cidade como Pequim, projectando-se nos testos de um tacho onde um cozinheiro prepara um refogado. Os seus ritmos repetem-se gradualmente em imagens desmultiplicadas nas paredes. A arte afinal não é para as massas, ela é as massas. E assim não sendo, como se explicaria então o realismo artístico imposto desde a Revolução Cultural de 1966? Simplesmente agora, há uma ironia suave que surge de dentro das artes do povo. Muitas das figuras de mulheres representadas continuam lutando invencíveis para sempre nas suas fardas apertadas mas, elas agora são tão felizes como operárias, que são também bailarinas. O punho erguido de um trabalhador chinês é a própria convicção que suplanta as formas de um corpo asiático para ser mais forte que o mais bravo dos vikings.

Uma ironia suave…ou os efeitos da censura? Os sinais da oposição exprimem-se num ritmo equivalente ao carácter milenar desta civilização; como formigas que picam ao de leve, até alastrar uma vasta imensidão. Trata-se de uma oposição em primeiro lugar inócua, tal qual uma enorme fotografia da exposição, onde insectos voam entre montes e vales, mas que de perto são rabos alçados. Depois como insectos que vagueiam entre caras, cabelos e restos de carne de pessoas comuns, cujas patas são coleccionadas como símbolo tradicional de longevidade, incomodando quem os sente e olha. E no final, como um vídeo de outro artista registando o movimento de um esforço milimétrico: as formigas devoram tudo quando já não há resistência, nem o controle da última estátua do regime. Aqui e ali, vemos fotos de fábricas e salas de comícios sindicais abandonados às brumas do esquecimento. As fotos das próprias pessoas são cinzas queimadas na praia, onde nem os ossos restam e o pó evapora-se.

Este exercício de paciência chama-se China, que não é mais que a própria natureza na sua dimensão em períodos longos. Depois dos dias finais da decadência, uma nova vida se anuncia. Ao lado do monumento dos Heróis do Povo, um bebé enorme caminha anunciando prosperidade. A prosperidade do consumo, do cruzar dos mundos onde a maioria dos produtos são Made in China. Não é por acaso, que em estilo de veneração, bonés, botas ou telemóveis se apresentam em material de louça sanitária. Outro tipo de prosperidade cujo o futuro se faz acompanhar de uma velocidade arrepiante, arrastando um bilião de chineses que correm nus pelas ruas das grandes metrópoles com a mesma determinação da sua paciência. Uma liberdade frenética que como tudo também terá o seu fim. Até ao momento de caírem do céu pessoas, umas atrás das outras, em vez de gotas de chuva.

É, exactamente aqui, que temos que entender a cultura de um povo. Mesmo que a morte seja massiva, que só haja lodo em nosso redor, tudo renasce e prospera. Por isto, o denominador comum da sua arte é uma pintura de uma mulher e de um rapaz, feitos de loiça, que parecem, por fora, a tudo resistir. Mas que ao próximo milímetro de esforço poderão estalar pela pressão das suas quase lágrimas e do seu ténue sangue aguado. E se estalarem…o mundo não acabará por aqui.

Eis uma resenha de uma exposição colectiva patente em Amstelveen, cidade subúrbio de Amesterdão, até 27 de Janeiro de 2008 com obras de artistas como Zhang Bin, Song Dong, Wang Guangyu, Yang Shaobin, Chi Peng, Zhang Dali, Zhang Xiaogang, Zhang Huan, etc.


Nuno Lourenço