Links

O ESTADO DA ARTE


Fig. 1 - Pieter Hugo, Abdullahi Mohammed with Mainasara, Ogere-Remo, Niger, 2007. Da série The Hyena & Other Men. © Cortesia dos Encontros de Fotografia de Arles, 2026.


Fig. 2 - Bruno Boudjelal, Tangier, Morocco, 2022. Da série Goudron: Tanger–Le Cap. © Cortesia dos Encontros de Fotografia de Arles, 2026


Fig. 3 - Alain Keler, Montevideu, Uruguai, terça-feira, 16 de julho de 1974. Da série America Americas – Latina. © Imagem de Adriana Delgado Martins


Fig. 4 - Alain Keler, Cordillère des Andes, Pérou, 1975. Da série America Americas – Latina. © Imagem de Adriana Delgado Martins


Fig. 5 - Alain Keler, Stepanakert, Alto Carabaque, segunda-feira, 4 de abril de 1994. Da série Ventos do Leste. © Imagem de Adriana Delgado Martins


Fig. 6 - Alain Keler, Bairro cigano (romani) de Letanovce, Eslováquia, 2009. Da série Párias / Rom significa Homem. © Cortesia dos Encontros de Fotografia de Arles, 2026


Fig. 7 - Wade Guyton, Drawings for Tokyo, 2024. Serie Untitled, Epson DURABrite inkjet on book page, 24.8x 21 cm. © Imagem de Adriana Delgado Martins


Fig. 8c - Joachim Schmidt, Sem título, 1991. Da série Esboços Fotogenéticos. Coleção Christian Lacroix. © Imagem de Adriana Delgado Martins


Fig. 8b - Joachim Schmidt, Sem título, 1991. Da série Esboços Fotogenéticos. Coleção Christian Lacroix. © Imagem de Adriana Delgado Martins


Fig. 8a - Joachim Schmidt, Sem título, 1991. Da série Esboços Fotogenéticos. Coleção Christian Lacroix. © Imagem de Adriana Delgado Martins


Fig. 9 - Lara Tabet, Vitreous Body. Bacteriografia, impressão UV sobre vidro, 2026. © Imagem de Adriana Delgado Martins


Fig. 10 - Lara Tabet, Vitreous Body, (detalhe da obra). Bacteriografia, impressão UV sobre vidro, 2026. © Imagem de Adriana Delgado Martins


Fig. 11 - Ming Smith, Invisible Man, Somewhere, Everywhere, 1991 (Harlem, Nova Iorque). Da série Invisible Man. © Cortesia da artista Ming Smith


Fig. 12 - Phan Quang, Re/cover no. 6, 2013 (região rural nos arredores de Hanói, Vietname). Da série Re/cover, 2013-2016. © Imagem de Adriana Delgado Martins


Fig. 13 - Lisa Oppenheim, Mons Steichen, Version VII, 2024. © Cortesia dos Encontros de Fotografia de Arles, 2026


Fig. 14 - Lisa Oppenheim, Mons Steichen, Version II, 2024. © Imagem de Adriana Delgado Martins

Outros artigos:

2026-07-30


LES RENCONTRES D'ARLES 2026

 

2026-06-29


TURN AROUND - UM OLHAR SOBRE A COLEÇÃO DE ARTE FUNDAÇÃO EDP
 

2026-05-31


61ª BIENAL DE VENEZA - IN MINOR KEYS
 

2026-04-28


LIÇÃO DE ANATOMIA DE VIEIRA DA SILVA
 

2026-03-26


ADIAR O FIM DO MUNDO, DANÇAR A QUEDA E SONHAR O SOLO
 

2026-02-16


10ª EDIÇÃO DO PHOTOBRUSSELS FESTIVAL
 

2026-01-14


HABITAR A CONTRADIÇÃO - CORPO E ESPAÇO EM ENERGIA CONTÍNUA. CARLOS BUNGA NO CAM
 

2025-12-14


ORGULHO E PRECONCEITO*
 

2025-11-10


ARTE, VIOLÊNCIA E MATRIARQUIA EM TEMPOS DE PROPAGANDA
 

2025-10-10


RENCONTRES D’ARLES 2025: ENCONTRO COM O SUL GLOBAL
 

2025-09-10


CORPS ET ÂMES: CORPOS, TERRITÓRIOS E ECOS DO TEMPO
 

2025-07-30


“É A ARTECAPITAL, AMÉRICO”
 

2025-06-30


O ESCURO VITAL DE PARIS NOIR
 

2025-05-24


JÚLIO POMAR. DEPOIS DO NOVO REALISMO
 

2025-04-23


VÂNIA DOUTEL VAZ: CADA DECISÃO É A PONTA DE UM ICEBERG
 

2025-03-28


PARTE 1: JOTA MOMBAÇA - “O MEU TRABALHO FOI VIRANDO PARA MIM ESSE LUGAR EM QUE EU CONSIGO EXPERIMENTAR OUTRAS FORMAS DE SENTIR”
 

2025-03-27


PARTE 2: JOTA MOMBAÇA - “EU FUJO RUMO A ESSE ESTADO EM QUE A FUGA É QUE ME ACOLHE”
 

2025-02-19


NURTURE GAIA, A 4.ª EDIÇÃO DA BIENAL DE BANGKOK
 

2025-01-13


LEONOR D’AVANTAGE
 

2024-12-01


O CALÍGRAFO OCIDENTAL. FERNANDO LEMOS E O JAPÃO
 

2024-10-30


CAM E CONTRA-CAM. REABERTURA DO CENTRO DE ARTE MODERNA
 

2024-09-20


O MITO DA CRIAÇÃO: REFLEXÕES SOBRE A OBRA DE JUDY CHICAGO
 

2024-08-20


REVOLUÇÕES COM MOTIVO
 

2024-07-13


JÚLIA VENTURA, ROSTO E MÃOS
 

2024-05-25


NAEL D’ALMEIDA: “UMA COISA SÓ É GRANDE SE FOR MAIOR DO QUE NÓS”
 

2024-04-23


ÁLBUM DE FAMÍLIA – UMA RECORDAÇÃO DE MARIA DA GRAÇA CARMONA E COSTA
 

2024-03-09


CAMINHOS NATURAIS DA ARTIFICIALIZAÇÃO: CUIDAR A MANIPULAÇÃO E ESMIUÇAR HÍPER OBJETOS DA BIO ARTE
 

2024-01-31


CRAGG ERECTUS
 

2023-12-27


MAC/CCB: O MUSEU DAS NOSSAS VIDAS
 

2023-11-25


'PRATICAR AS MÃOS É PRATICAR AS IDEIAS', OU O QUE É ISTO DO DESENHO? (AINDA)
 

2023-10-13


FOMOS AO MUSEU REAL DE BELAS ARTES DE ANTUÉRPIA
 

2023-09-12


VOYEURISMO MUSEOLÓGICO: UMA VISITA AO DEPOT NO MUSEU BOIJMANS VAN BEUNINGEN, EM ROTERDÃO
 

2023-08-10


TEHCHING HSIEH: HOW DO I EXPLAIN LIFE AND CHANGE IT INTO ART?
 

2023-07-10


BIENAL DE FOTOGRAFIA DO PORTO: REABILITAR A EMPATIA COMO UMA TECNOLOGIA DO OUTRO
 

2023-06-03


ARCOLISBOA, UMA FEIRA DE ARTE CONTEMPORÂNEA EM PERSPETIVA
 

2023-05-02


SOBRE A FOTOGRAFIA: POIVERT E SMITH
 

2023-03-24


ARTE CONTEMPORÂNEA E INFÂNCIA
 

2023-02-16


QUAL É O CINEMA QUE MORRE COM GODARD?
 

2023-01-20


TECNOLOGIAS MILLENIALS E PÚBLICO CONTEMPORÂNEO. REFLEXÕES SOBRE A EXPOSIÇÃO 'OCUPAÇÃO XILOGRÁFICA' NO SESC BIRIGUI EM SÃO PAULO
 

2022-12-20


VENEZA E A CELEBRAÇÃO DO AMOR
 

2022-11-17


FALAR DE DESENHO: TÃO DEPRESSA SE COMEÇA, COMO ACABA, COMO VOLTA A COMEÇAR
 

2022-10-07


ARTISTA COMO MEDIADOR. PRÁTICAS HORIZONTAIS NA ARTE E EDUCAÇÃO NO BRASIL
 

2022-08-29


19 DE AGOSTO, DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA
 

2022-07-31


A CULTURA NÃO ESTÁ FORA DA GUERRA, É UM CAMPO DE BATALHA
 

2022-06-30


ARTE DIGITAL E CIRCUITOS ONLINE
 

2022-05-29


MULHERES, VAMPIROS E OUTRAS CRIATURAS QUE REINAM
 

2022-04-29


EGÍDIO ÁLVARO (1937-2020). ‘LEMBRAR O FUTURO: ARQUIVO DE PERFORMANCES’
 

2022-03-27


PRATICA ARTÍSTICA TRANSDISCIPLINAR: A INVESTIGAÇÃO NAS ARTES
 

2022-02-26


OS HÁBITOS CULTURAIS… DAS ORGANIZAÇÕES CULTURAIS PORTUGUESAS
 

2022-01-27


ESPERANÇA SIGNIFICA MAIS DO QUE OPTIMISMO
 

2021-12-26


ESCOLA DE PROCRASTINAÇÃO, UM ESTUDO
 

2021-11-26


ARTE = CAPITAL
 

2021-10-30


MARLENE DUMAS ENTRE IMPRESSIONISTAS, ROMÂNTICOS E SUMÉRIOS
 

2021-09-25


'A QUE SOA O SISTEMA QUANDO LHE DAMOS OUVIDOS'
 

2021-08-16


MULHERES ARTISTAS: O PARADOXO PORTUGUÊS
 

2021-06-29


VIVER NUMA REALIDADE PÓS-HUMANA: CIÊNCIA, ARTE E ‘OUTRAMENTOS’
 

2021-05-24


FRESTAS, UMA TRIENAL PROJETADA EM COLETIVIDADE. ENTREVISTA COM DIANE LINA E BEATRIZ LEMOS
 

2021-04-23


30 ANOS DO KW
 

2021-03-06


A QUESTÃO INDÍGENA NA ARTE. UM CAMINHO A PERCORRER
 

2021-01-30


DUAS EXPOSIÇÕES NO PORTO E MUITOS ARQUIVOS SOBRE A CIDADE
 

2020-12-29


TEORIA DE UM BIG BANG CULTURAL PÓS-CONTEMPORÂNEO - PARTE II
 

2020-11-29


11ª BIENAL DE BERLIM
 

2020-10-27


CRITICAL ZONES - OBSERVATORIES FOR EARTHLY POLITICS
 

2020-09-29


NICOLE BRENEZ - CINEMA REVISITED
 

2020-08-26


MENSAGENS REVOLUCIONÁRIAS DE UM TEMPO PERDIDO
 

2020-07-16


LIÇÕES DE MARINA ABRAMOVIC
 

2020-06-10


FRAGMENTOS DO PARAÍSO
 

2020-05-11


TEORIA DE UM BIG BANG CULTURAL PÓS-CONTEMPORÂNEO
 

2020-04-24


QUE MUSEUS DEPOIS DA PANDEMIA?
 

2020-03-24


FUCKIN’ GLOBO 2020 NAS ZONAS DE DESCONFORTO
 

2020-02-21


ELECTRIC: UMA EXPOSIÇÃO DE REALIDADE VIRTUAL NO MUSEU DE SERRALVES
 

2020-01-07


SEMANA DE ARTE DE MIAMI VIA ART BASEL MIAMI BEACH: UMA EXPERIÊNCIA MAIS OU MENOS ESTÉTICA
 

2019-11-12


36º PANORAMA DA ARTE BRASILEIRA
 

2019-10-06


PARAÍSO PERDIDO
 

2019-08-22


VIVER E MORRER À LUZ DAS VELAS
 

2019-07-15


NO MODELO NEGRO, O OLHAR DO ARTISTA BRANCO
 

2019-04-16


MICHAEL BIBERSTEIN: A ARTE E A ETERNIDADE!
 

2019-03-14


JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO – O JOGO DO INDIZÍVEL
 

2019-02-08


A IDENTIDADE ENTRE SEXO E PODER
 

2018-12-20


@MIAMIARTWEEK - O FUTURO AGENDADO NO ÉDEN DA ARTE CONTEMPORÂNEA
 

2018-11-17


EDUCAÇÃO SENTIMENTAL. A COLEÇÃO PINTO DA FONSECA
 

2018-10-09


PARTILHAMOS DA CRÍTICA À CENSURA, MAS PARTILHAMOS DA FALTA DE APOIO ÀS ARTES?
 

2018-09-06


O VIGÉSIMO ANIVERSÁRIO DA BIENAL DE BERLIM
 

2018-07-29


VISÕES DE UMA ESPANHA EXPANDIDA
 

2018-06-24


O OLHO DO FOTÓGRAFO TAMBÉM SOFRE DE CONJUNTIVITE, (UMA CONVERSA EM TORNO DO PROJECTO SPECTRUM)
 

2018-05-22


SP-ARTE/2018 E A DIFÍCIL TAREFA DE ESCOLHER O QUE VER
 

2018-04-12


NO CORAÇÂO DESTA TERRA
 

2018-03-09


ÁLVARO LAPA: NO TEMPO TODO
 

2018-02-08


SFMOMA SAN FRANCISCO MUSEUM OF MODERN ART: NARRATIVA DA CONTEMPORANEIDADE
 

2017-12-20


OS ARQUIVOS DA CARNE: TINO SEHGAL CONSTRUCTED SITUATIONS
 

2017-11-14


DA NATUREZA COLABORATIVA DA DANÇA E DO SEU ENSINO
 

2017-10-14


ARTE PARA TEMPOS INSTÁVEIS
 

2017-09-03


INSTAGRAM: CRIAÇÃO E O DISCURSO VIRTUAL – “TO BE, OR NOT TO BE” – O CASO DE CINDY SHERMAN
 

2017-07-26


CONDO: UM NOVO CONCEITO CONCORRENTE À TRADICIONAL FEIRA DE ARTE?
 

2017-06-30


"LEARNING FROM CAPITALISM"
 

2017-06-06


110.5 UM, 110.5 DOIS, 110.5 MILHÕES DE DÓLARES,… VENDIDO!
 

2017-05-18


INVISUALIDADE DA PINTURA – PARTE 2: "UMA HISTÓRIA DA VISÃO E DA CEGUEIRA"
 

2017-04-26


INVISUALIDADE DA PINTURA – PARTE 1: «O REAL É SEMPRE AQUILO QUE NÃO ESPERÁVAMOS»
 

2017-03-29


ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE O CONCEITO CONTEMPORÂNEO DE FEIRA DE ARTE
 

2017-02-20


SOBRE AS TENDÊNCIAS DA ARTE ACTUAL EM ANGOLA: DA CRIAÇÃO AOS NOVOS CANAIS DE LEGITIMAÇÃO
 

2017-01-07


ARTLAND VERSUS DISNEYLAND
 

2016-12-15


VALORES DA ARTE CONTEMPORÂNEA: UMA CONVERSA COM JOSÉ CARLOS PEREIRA SOBRE A PUBLICAÇÃO DE O VALOR DA ARTE
 

2016-11-05


O VAZIO APOCALÍPTICO
 

2016-09-30


TELEPHONE WITHOUT A WIRE – PARTE 2
 

2016-08-25


TELEPHONE WITHOUT A WIRE – PARTE 1
 

2016-06-24


COLECCIONADORES NA ARCO LISBOA
 

2016-05-17


SONNABEND EM PORTUGAL
 

2016-04-18


COLECCIONADORES AMADORES E PROFISSIONAIS COLECCIONADORES (II)
 

2016-03-15


COLECCIONADORES AMADORES E PROFISSIONAIS COLECCIONADORES (I)
 

2016-02-11


FERNANDO AGUIAR: UM ARQUIVO POÉTICO
 

2016-01-06


JANEIRO 2016: SER COLECCIONADOR É…
 

2015-11-28


O FUTURO DOS MUSEUS VISTO DO OUTRO LADO DO ATLÂNTICO
 

2015-10-28


O FUTURO SEGUNDO CANDJA CANDJA
 

2015-09-17


PORQUE É QUE OS BLOCKBUSTERS DE MODA SÃO MAIS POPULARES QUE AS EXPOSIÇÕES DE ARTE, E O QUE É QUE PODEMOS DIZER SOBRE ISSO?
 

2015-08-18


OS DESAFIOS DO EFÉMERO: CONSERVAR A PERFORMANCE ART - PARTE 2
 

2015-07-29


OS DESAFIOS DO EFÉMERO: CONSERVAR A PERFORMANCE ART - PARTE 1
 

2015-06-06


O DESAFINADO RONDÒ ENWEZORIANO. “ALL THE WORLD´S FUTURES” - 56ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE DE VENEZA
 

2015-05-13


A 56ª BIENAL DE VENEZA DE OKWUI ENWEZOR É SOMBRIA, TRISTE E FEIA
 

2015-04-08


A TUMULTUOSA FERTILIDADE DO HORIZONTE
 

2015-03-04


OS MUSEUS, A CRISE E COMO SAIR DELA
 

2015-02-09


GUIDO GUIDI: CARLO SCARPA. TÚMULO BRION
 

2015-01-13


IDEIAS CAPITAIS? OLHANDO EM FRENTE PARA A BIENAL DE VENEZA
 

2014-12-02


FUNDAÇÃO LOUIS VUITTON
 

2014-10-21


UM CONTEMPORÂNEO ENTRE-SERRAS
 

2014-09-22


OS NOSSOS SONHOS NÃO CABEM NAS VOSSAS URNAS: Quando a arte entra pela vida adentro - Parte II
 

2014-09-03


OS NOSSOS SONHOS NÃO CABEM NAS VOSSAS URNAS: Quando a arte entra pela vida adentro – Parte I
 

2014-07-16


ARTISTS' FILM BIENNIAL
 

2014-06-18


PARA UMA INGENUIDADE VOLUNTÁRIA: ERNESTO DE SOUSA E A ARTE POPULAR
 

2014-05-16


AI WEIWEI E A DESTRUIÇÃO DA ARTE
 

2014-04-17


QUAL É A UTILIDADE? MUSEUS ASSUMEM PRÁTICA SOCIAL
 

2014-03-13


A ECONOMIA DOS MUSEUS E DOS PARQUES TEMÁTICOS, NA AMÉRICA E NA “VELHA EUROPA”
 

2014-02-13


É LEGAL? ARTISTA FINALMENTE BATE FOTÓGRAFO
 

2014-01-06


CHOICES
 

2013-09-24


PAIXÃO, FICÇÃO E DINHEIRO SEGUNDO ALAIN BADIOU
 

2013-08-13


VENEZA OU A GEOPOLÍTICA DA ARTE
 

2013-07-10


O BOOM ATUAL DOS NEGÓCIOS DE ARTE NO BRASIL
 

2013-05-06


TRABALHAR EM ARTE
 

2013-03-11


A OBRA DE ARTE, O SISTEMA E OS SEUS DONOS: META-ANÁLISE EM TRÊS TEMPOS (III)
 

2013-02-12


A OBRA DE ARTE, O SISTEMA E OS SEUS DONOS: META-ANÁLISE EM TRÊS TEMPOS (II)
 

2013-01-07


A OBRA DE ARTE, O SISTEMA E OS SEUS DONOS. META-ANÁLISE EM TRÊS TEMPOS (I)
 

2012-11-12


ATENÇÃO: RISCO DE AMNÉSIA
 

2012-10-07


MANIFESTO PARA O DESIGN PORTUGUÊS
 

2012-06-12


MUSEUS, DESAFIOS E CRISE (II)


 

2012-05-16


MUSEUS, DESAFIOS E CRISE (I)
 

2012-02-06


A OBRA DE ARTE NA ERA DA SUA REPRODUTIBILIDADE DIGITAL (III - conclusão)
 

2012-01-04


A OBRA DE ARTE NA ERA DA SUA REPRODUTIBILIDADE DIGITAL (II)
 

2011-12-07


PARAR E PENSAR...NO MUNDO DA ARTE
 

2011-04-04


A OBRA DE ARTE NA ERA DA SUA REPRODUTIBILIDADE DIGITAL (I)
 

2010-10-29


O BURACO NEGRO
 

2010-04-13


MUSEUS PÚBLICOS, DOMÍNIO PRIVADO?
 

2010-03-11


MUSEUS – UMA ESTRATÉGIA, ENFIM
 

2009-11-11


UMA NOVA MINISTRA
 

2009-04-17


A SÍNDROME DOS COCHES
 

2009-02-17


O FOLHETIM DE VENEZA
 

2008-11-25


VANITAS
 

2008-09-15


GOSTO E OSTENTAÇÃO
 

2008-08-05


CRÍTICO EXCELENTÍSSIMO II – O DISCURSO NO PODER
 

2008-06-30


CRÍTICO EXCELENTÍSSIMO I
 

2008-05-21


ARTE DO ESTADO?
 

2008-04-17


A GULBENKIAN, “EM REMODELAÇÃO”
 

2008-03-24


O QUE FAZ CORRER SERRALVES?
 

2008-02-20


UM MINISTRO, ÓBICES E POSSIBILIDADES
 

2008-01-21


DEZ PONTOS SOBRE O MUSEU BERARDO
 

2007-12-17


O NEGÓCIO DO HERMITAGE
 

2007-11-15


ICONOLOGIA OFICIAL
 

2007-10-15


O CASO MNAA OU O SERVILISMO EXEMPLAR
 

LES RENCONTRES D'ARLES 2026


ADRIANA TIPOLD DELGADO MARTINS

2026-07-30




 

 

Inserindo-se no espírito da 57.ª edição do festival Les Rencontres d'Arles — que sob o tema "Des mondes à relire" (Mundos a Reler) se divide nos eixos Rotas e Passagens, Linhas de Tensão e Identidades, O Mundo Vivo e Arquivos Incertos —, a fotografia surge como instrumento de memória, revisão histórica e transformação. Entre arquivos coloniais, narrativas de independência, identidades marginalizadas, diferentes formas de vida e experiências que cruzam processos analógicos e inteligência artificial, o festival interroga simultaneamente o mundo representado e a própria natureza da imagem. Neste cenário, um conjunto de nove fotógrafos debruça-se, de forma independente, sobre a complexidade das relações humanas e geográficas, desafiando as categorias tradicionais da fotografia documental.

 

 

1. Pieter Hugo

O fotógrafo sul-africano Pieter Hugo (1976), conhecido pelos seus retratos frontais de grande formato e cores intensas, centrados nas complexidades da África pós-colonial, abre esta seleção. Situado entre o registo documental e a composição encenada, o seu trabalho aborda comunidades marginalizadas e subculturas urbanas, refletindo sobre tensões raciais, desigualdades sociais e as marcas deixadas pela história no quotidiano.

Na série realizada na Nigéria, The Hyena & Other Men (2005–2007), [fig. 1] Hugo fotografa tratadores itinerantes de animais acompanhados por hienas e outros animais considerados ferozes. Apresentados frontalmente, seres humanos e animais partilham o mesmo espaço, unidos por uma relação moldada pela restrição, pela dependência e pela encenação. As fotografias revelam uma coexistência inquietante, na qual dominação, espetáculo e proximidade física se entrelaçam.

Longe de uma mera documentação exótica, estas imagens confrontam os estereótipos ocidentais sobre a África contemporânea e transformam o choque inicial numa reflexão sobre a marginalidade económica urbana. O flash em plena luz do dia acentua o carácter performativo deste quotidiano precário, enquanto o olhar direto dos retratados inverte a dinâmica tradicional entre o observador e o observado. Através deste ecossistema marginal, Hugo mapeia as complexas redes de sobrevivência na Nigéria periférica, onde o perigo físico se transforma em mercadoria e espetáculo de rua.

  

2. Bruno Boudjelal

O fotógrafo franco-argelino Bruno Boudjelal (1961) desenvolve uma abordagem pessoal e subjetiva que funde biografia e autodescoberta. Rejeitando as convenções do fotojornalismo tradicional, trabalha a partir de diários de viagem marcados pela intimidade visual e pelas tensões identitárias entre o Norte e o Sul global.

Goudron: Tanger–Le Cap (A Estrada Asfaltada: de Tânger à Cidade do Cabo) reúne imagens produzidas ao longo de mais de vinte anos de viagens pelo continente africano. O título ancora-se num duplo sentido linguístico: na África francófona, a palavra goudron designa genericamente a estrada asfaltada, entendida aqui como infraestrutura vital e símbolo de circulação, e não apenas o material «alcatrão». Contrariando o formato tradicional, muitas fotografias surgem sem legendas individuais, surgindo organizadas apenas pelo nome do país correspondente para servir de orientação geográfica na sequência expositiva.

O retrato da jovem [fig. 2] lembra o Pictorialismo através de formas enevoadas que aproximam a fotografia da pintura. O rosto emerge de um fundo escuro com nitidez imperfeita, concentrando a força na intensidade do olhar. A iluminação dramática elimina distrações espaciais, enquanto a desmaterialização dos contornos transforma a figura numa aparição de forte dimensão poética e espiritual. A referência aos retratos oitocentistas de Julia Margaret Cameron e aos mestres da pintura flamenga reforça a ligação entre fotografia, pintura e projeção psicológica, dotando a esta imagem misteriosa de uma forte carga poética e espiritual

  

3. Alain Keler: Diário de um fotojornalista

O fotógrafo francês Alain Keler (1945) é uma referência no fotojornalismo e na fotografia documental. Dedicou grande parte da sua carreira à documentação de minorias perseguidas, refugiados e comunidades marginalizadas. construindo um percurso internacional centrado em acontecimentos políticos e sociais, sobretudo na América Latina.

A fotografia [fig. 3] realizada no Uruguai, em 1974, nasceu espontaneamente após um piquenique nos arredores de Montevideu. Motivado pela satisfação do seu amigo Pedro com a aquisição de um automóvel — um DKW Junior, veículo pouco comum no Uruguai da época —, o fotógrafo registou o instante em que o amigo Pedro surge deitado à sombra, junto do seu automóvel com o capô aberto. O automóvel torna-se sinal de mobilidade e realização pessoal, enquanto a postura descontraída revela o orgulho por uma conquista desejada.

A descrição autobiográfica funciona como um excerto do diário de bordo que acompanha America Americas – Latina, narrativa visual itinerante das primeiras reportagens de Keler na região.

Na paisagem andina [fig. 4], uma estrada de terra organiza a composição e conduz o olhar para o horizonte. O preto e branco acentua o isolamento do cenário, onde figuras humanas diminutas sublinham a monumentalidade da natureza. O caminho afirma-se como metáfora da viagem geográfica e existencial.

Captada em Stepanakert, no Alto Carabaque, em 1994, a fotografia [fig. 5] retrata um funeral coletivo durante a guerra de 1988–1994. Keler centra-se nas consequências humanas do conflito e na dor das mulheres que perderam maridos, noivos e filhos. À esquerda, um violinista toca um último adeus aos mortos, reforçando a dimensão ritual da despedida. O fotógrafo descreveu a região como «um lugar perdido do mundo, para onde ninguém vai», acrescentando: «Gosto destes lugares afastados de tudo, de difícil acesso, onde o tempo parece ter parado.» Após a ofensiva do Azerbaijão em 2023 e o êxodo da população arménia local, a imagem conserva um profundo valor documental e memorial.

A fotografia suspende o tempo perante o sofrimento e aproxima-nos do interior da experiência humana, expondo a vulnerabilidade e conferindo dignidade à dor individual e coletiva.

Em Letanovce, na Eslováquia, Keler volta-se para as margens da Europa e para as comunidades romani [fig. 6]. A vastidão do cenário gelado contrasta com a proximidade dos rostos infantis. Os olhares diretos e os gestos espontâneos valorizam a individualidade dos retratados e contrariam representações marcadas pelo preconceito e pela exclusão social.

 

4. Wade Guyton

O artista norte-americano Wade Guyton (1972) investiga as relações entre pintura, fotografia e imagem digital através da impressão por jato de tinta. Apropria-se de páginas de livros, fotografias e capturas de ecrã, atribuindo-lhes novas configurações visuais. Herdando a tradição do objet trouvé e das práticas de apropriação, o artista transforma imagens preexistentes em novas superfícies visuais, num processo que permite reinterpretar metaforicamente o objeto encontrado como objet approprié: não apenas descoberto, mas selecionado, deslocado e reinscrito num novo contexto artístico [fig. 7]. As obras seguem uma lógica de «reprodução da reprodução», em que cada imagem deriva de outra. Ao explorar os limites técnicos da impressão, Guyton transforma erros, falhas e sobreposições em linguagem visual, questionando as fronteiras entre original e cópia, bem como as noções de autoria.

  

5. Joachim Schmid

Joachim Schmid (1955), artista alemão descrito como o «fotógrafo que não tira fotografias», recolhe e reutiliza imagens descartadas, questionando autoria, originalidade e arquivo fotográfico.

Em Photogenetic Drafts [Esboços Fotogenéticos] (1991) [fig. 8], Schmid parte de negativos de um estúdio comercial da Baviera, deliberadamente cortados ao meio para impedir a sua reutilização. Ao reunir metades de rostos de pessoas diferentes, cria identidades inexistentes e converte fragmentos descartados em ficções visuais.

Cada retrato resulta da junção rigorosa de duas metades de negativos distintos. Embora pertençam a indivíduos diferentes — com idades, géneros e fisionomias diversas —, os traços faciais alinham-se de forma surpreendente, produzindo a ilusão ótica de um único rosto. O procedimento evoca jogos de recomposição de figuras, sugerindo que a identidade não é fixa, mas uma construção aberta a múltiplas combinações.

Schmid mantém visíveis as marcas de corte, tornando explícitos a apropriação e o carácter construído da imagem. A fotografia recompõe fragmentos e desafia categorias tradicionalmente entendidas como estáveis. Ao combinar idades, géneros e fisionomias distintas, a obra antecipa leituras contemporâneas sobre a fluidez da identidade.

As obras integram a coleção reunida pelo estilista francês Christian Lacroix.

 

6. Lara Tabet

Apresentada no Claustro de Saint-Trophime, a instalação Le corps vitré (Corpo vítreo) foi concebida pela artista e médica libanesa Lara Tabet (1983) em colaboração com a curadora francesa Yasmine Chemali (1985), no âmbito do programa BMW ART MAKERS.

Caixas de luz retroiluminadas transformam-se em vitrais contemporâneos: a luz intensifica cores e texturas produzidas pela ação de microrganismos sobre a emulsão do filme analógico. As manchas resultam de processos químicos e biológicos de corrosão, tornando os organismos participantes do processo criativo. Como sintetiza Tabet: «Eu crio as condições, depois os organismos vivos desenham.»

À distância, as obras [fig. 10] evocam composições abstratas; de perto [fig. 9], revelam um universo biológico impercetível ao olhar humano, formado por redes ramificadas geradas pelo crescimento de microrganismos.

Le corps vitré pode ainda ser lida como um diálogo com o Homem Vitruviano. Ao corpo ideal e proporcional do Renascimento contrapõe um corpo entendido como ecossistema vivo, habitado por organismos microscópicos. A geometria dá lugar à biodiversidade e à matéria em permanente mutação.

A monumentalidade dos painéis [fig. 10] recorda também os monólitos de 2001: Odisseia no Espaço, conduzindo, porém, o olhar para o universo microscópico da película. A matéria da película torna-se, assim, uma paisagem microscópica viva em constante transformação.

 

7. Ming Smith

A fotógrafa norte-americana Ming Smith (1947), pioneira da fotografia contemporânea, foi a primeira artista afro-americana no acervo do MoMA e a primeira mulher no Kamoinge Workshop. O Kamoinge Workshop, fundado durante o Movimento dos Direitos Civis, combatia estereótipos e ligava fotografia abstrata e jazz. O seu estilo recorre a longas exposições e a desfoques intencionais (flou), na câmara escura, técnicas que define como «pintura de luz» para investigar memória e espiritualidade da cultura negra.

Em Invisible Man, Somewhere, Everywhere (1991) [fig. 11] uma figura atravessa uma rua noturna quase deserta, parcialmente dissolvida na escuridão. O contraste entre sombra e luz e as formas enevoadas fazem o corpo oscilar entre presença e desaparecimento, criando uma atmosfera de solidão e memória.

O título remete para o romance de Ralph Ellison. Tal como na obra literária, a invisibilidade é social e simbólica, resultando da exclusão e do racismo estrutural. Ao dissolver os limites entre figura e fundo, Smith transforma o corpo numa aparição vulnerável e resistente.

Inscrita na tradição da Black photography, a composição aproxima-se da lógica do jazz, em que as pausas e os silêncios participam ativamente na construção do ritmo. Do mesmo modo, aquilo que permanece oculto ou apenas sugerido intensifica a força visual da fotografia. Embora fixa, a imagem parece respirar e conservar um movimento interior, privilegiando uma presença sensível e atmosférica em detrimento da descrição factual. Confirma-se, assim, a premissa de que «a imagem está sempre em movimento, mesmo quando estamos parados».

 

8. Phan Quang

O artista vietnamita e antigo fotojornalista Phan Quang (1976) explora as relações entre verdade, imagem e memória individual. Questionando a câmara como prova documental objetiva, transforma o plano visual num espaço de encenação e reconstrução poética do passado colonial e geopolítico da Ásia.

Na série Re/cover [Recuperar/Recobrir], o título funciona como um véu: recupera uma memória silenciada, mas também a volta a cobrir. Ao deixarem-se ver através da transparência, os retratados reclamam uma identidade durante muito tempo negada.

A série aborda as mulheres vietnamitas que constituíram família com soldados japoneses após a Segunda Guerra Mundial. O mosquiteiro translúcido torna-se metáfora do silêncio, da ausência, da memória e da proteção de identidades marginalizadas, remetendo para uma união interrompida e um passado ocultado.

Nesta fotografia encenada [fig. 12], uma família vietnamita surge diante da casa. O grupo, formado por várias gerações e acompanhado pela fotografia de um familiar ausente, surge parcialmente coberto pelo véu. O jogo entre ocultação e desvelamento mantém as figuras reconhecíveis, mas envolvidas numa atmosfera de distância e camuflagem. O véu reúne pessoas, objetos e espaço doméstico numa memória íntima e histórica.

 

9. Lisa Oppenheim

O trabalho da artista norte-americana Lisa Oppenheim (1975) desenvolve-se na interseção da fotografia, do cinema e das práticas de arquivo, fundindo processos analógicos com ferramentas digitais.

A exposição Monsieur Steichen, de Lisa Oppenheim (1975), parte da paixão de Edward Steichen pela botânica e centra-se na recriação de uma variedade de íris extinta em 1910, sem registos a cores. A partir de fotografias, arquivos e dados históricos, a artista utiliza inteligência artificial para gerar hipóteses cromáticas da flor e gerar uma aproximação digital da flor desaparecida.

Oppenheim combina a reconstrução digital com processos analógicos de laboratório. Inspirando-se na solarização, recorre ao dye-transfer e altera a ordem de aplicação dos corantes primários, afastando as cores do referente original e revelando a dimensão construída da imagem.

A íris ocupa o centro da composição, destacada por azuis [fig. 13], violetas e amarelos intensos [fig. 14]. A paleta artificial e os contrastes luminosos subvertem o realismo fotográfico [fig. 15] e aproximam a imagem da pintura.

Ao cruzar arquivo, inteligência artificial e câmara escura, Oppenheim apresenta a fotografia como matéria instável, passível de reconstrução e transformação.

 

Fig. 15 - Lisa Oppenheim, Mons Steichen, Version VIII, 2024.
© Imagem de Adriana Delgado Martins.

 

 

 

Um Mundo a Reler

 

A análise deste conjunto mostra como o festival de Arles nos recebe de coração aberto e nos convida a olhar para a realidade com outros olhos. Sob o lema «Um Mundo a Reler», a memória histórica surge como um campo aberto à reflexão e à transformação. Nos trabalhos de Alain Keler e Bruno Boudjelal, a fotografia afasta-se da pressa das notícias para se concentrar na experiência do tempo. Os caminhos difíceis e os silêncios pedem-nos que paremos e olhemos, devolvendo lugar a rostos e vozes esquecidos pela história oficial.

No centro destas obras encontra-se também a questão da representação. Através de formas enevoadas, sobreposições e véus, Ming Smith e Phan Quang afastam-se de uma leitura direta. O mosquiteiro que cobre as famílias vietnamitas e as figuras que atravessam a noite de Nova Iorque funcionam como proteção, filtro e matéria poética. A identidade constrói-se, preserva-se e reivindica-se no jogo entre o que se revela e o que permanece oculto.

Wade Guyton, Joachim Schmid, Lisa Oppenheim e Lara Tabet revelam diferentes formas de produzir e reconstruir imagens. Uma falha de impressão, a combinação de negativos, a inteligência artificial ou o cruzamento entre investigação biológica, bacteriografia, impressão sobre vidro e caixas de luz tornam o processo tão importante como o resultado. A fotografia deixa de ser apenas um espelho da realidade e afirma-se como espaço de descoberta e invenção.

Para concluir, e retomando o ponto de partida deste percurso, Pieter Hugo [fig. 1] introduz uma súbita desaceleração. Depois das tecnologias e das diferentes formas de mediação da imagem, o olhar regressa à matéria, à terra, à natureza e à sobrevivência. Mais do que documentar os chamados tratadores de hienas, a fotografia propõe uma reflexão sobre a condição humana e sobre a nossa pertença ao mundo animal. A proximidade entre o homem e a hiena, marcada simultaneamente pela força, pelo controlo e pela dependência, questiona os limites da domesticação: será o ser humano verdadeiramente capaz de dominar uma criatura feroz ou terá, afinal, algo a aprender com a sua força e capacidade de sobrevivência?

 

 

 

 

Adriana Tipold Delgado Martins

 

Licenciada em Tradução pela Universidade Nova de Lisboa (1995), é também licenciada e mestre em História da Arte pela Goethe-Universität (2006), em Frankfurt. É mestre em Curadoria pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa e pela Fundação Calouste Gulbenkian (2010) e doutoranda em Fotografia, na área de Ciências da Arte e do Património, na FBAUL. Em 2009, recebeu, ex aequo, o Prémio Jovens Curadores com a exposição Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos. Em 2012, comissariou exposições de fotografia como Para Além da Luz, de Nuno Calvet, na galeria Arte Contempo, e Paisagem Humana, no BES Arte & Finanças. Foi programadora cultural no Goethe-Institut Portugal (2012-2020) e escreveu sobre fotografia para a revista Atlas Improvável e para o Le Monde diplomatique. Realizou traduções literárias para a Relógio d’Água e traduziu catálogos de arte. 

 

 

 

 

 

 

:::

 

 

Les Rencontres d'Arles 2026
57ª edição

6 de Julho a 4 de Outubro

Arles, França