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ARQUITETURA E DESIGN




Calçada BW, de Margarida Pereira para VICARA.


Cimento, vasos, por Jorge Carreira para VICARA.


De Terra, vasos, por João Margarido para VICARA.


Junco, por Cátia Correia para VICARA.


Leonor, topos para contentores, por Rita Martins para VICARA.


MadeiraxMetal, caixas, por _Sem Título (Eneida Tavares _ Jorge Carreira) para VICARA.


Noah, brinquedos, por Hugo Serra para VICARA.


Ludity, cadeira, por VICARA STUDIO.


MDFxMetal, aparador, por Eneida Tavares _ Jorge Carreira para VICARA.


Cartonado, lâmpada de suspensão, por Fábio Afonso para VICARA.


Pico, lâmpada, por O João e a Maria para VICARA.


Veneer, lâmpada, por Luis Nascimento para VICARA.


Tape shirt, por Gonçalo Campos para VICARA.


Cristo Purificador, por Paulo Sellmayr para VICARA.

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VICARA: A ESTÉTICA DA NATUREZA

CARLA CARBONE


 

 

A estética da natureza pode ser benéfica para a sociedade e para o ambiente? Pode.

Estava a lembrar-me das belas esculturas em cerâmica de Bela Silva, ou dos seus desenhos a evocar a beleza das plantas e cores da natureza; ou ainda da força das árvores, em lugares que despertam o sagrado, como as vivências do artista Pedro Vaz, em plena sede da natureza. Ou ainda os troncos das árvores que, no seu cerne, servem de molde para o nascimento de delicadas estruturas em vidro, cristalinas, como as que nos habituámos ver, do designer Samuel Reis, sobretudo o impressionante conjunto de peças “Cerne”.

 

Cerne, garrafa e copos, por Samuel Reis para VICARA.

 

Nos já idos anos de 2000 Tord Boontje terá sido dos primeiros designers a reconhecer, sem tabús, essa vitalidade e força provenientes das formas da natureza, essenciais para que possamos sobreviver. As suas estruturas/candeeiros, “Garland”, baseadas em motivos florais evidenciaram, já nessa altura, pós-industrialista, a emergência do design em orientar-se no sentido da natureza. E fê-lo sem medo. Encetou toda uma celebração das formas, de pequenas flores, que, subtis, despontavam, e irradiavam de pequenos pontículos de luz.

A cultura moderna ainda reprime esta exaltação pela natureza, esta celebração do que nos confere continuidade enquanto espécie, e também do que permite o direito à vida das outras espécies.

“O progresso parece não ser mais valorizado”, dizia-nos Branzi, em 1985, em tom de manifesto.

A natureza humana versus a “natureza artificial dos mecanismos”, parece ser uma eterna disputa. Na realidade Branzi ainda salienta o conceito de “neoprimitivismo”, um conceito que não pertence ao design moderno, no sentido da moda, e que não deseja ser o último “grito” de “avan-garde”, mas um conceito  que representa “precisamente uma condição em que várias linguagens e atitudes depressa se fundem”, convergem e interagem.

Aliás, é nesta atitude, que neste preciso momento, volta a ser permitido um elogio ao “decorativismo" naturalista e que, no decorrer do tempo, desde esse escrito de Branzi, até hoje, se tem vindo, a introduzir, a pouco e pouco, uma linguagem naturalista na cultura do design.

Há várias formas de “atacar” o problema”, e uma delas pode ser através de uma escolha criteriosa do material a usar, e da “escuta” da natureza, ela própria autoreguladora, ou seja, do modo como os materiais, sobretudo os naturais, dão resposta ao que o design procura quando os modela, ou deixa que os mesmos modelem o seu processo.

A questão aqui não se prende já com o modo como o designer domina o material, mas a forma como o material apresenta pistas para o designer, visto poderem ser importantes até do ponto de vista social do uso dos materiais, como a escolha dos mesmos na produção e consumo de objectos.

O designer pode assim ser esse agente motivador de uma escolha sustentada. Pode ter um compromisso social, através de uma participação mais activa junto da sociedade civil. “Acção privada para o bem público”, como diria Victor Margolin. Uma acção que, embora suave, já represente uma expressão subtil em sociedade, e já comunique à "acção do estado".

É muito interessante o que Victor Margolin evidencia no seu texto “Curar o Mundo: Um desafio de designers”. No terceiro parágrafo ele menciona como Heidegger entende o mundo: “um fenómeno sujeito a permanente conflito (…) onde se verifica uma “luta entre visões do mundo”.

Desse modo, para Heidegger, “toda a acção humana se baseia e é suportada por uma visão do mundo”. "A política não concentra apenas no exercício do poder; o processo político passa eventualmente pela construção de uma razão fundamental para o poder, e pela afirmação da hegemonia dessa razão sobre todas as outras”.

Assim, temos visões do mundo que condicionam e retardam até as acções e medidas ambientais que devem ser levadas a cabo o quanto antes, e que não são tidas em conta como outras que são prioritárias para os estados e para as comunidades, mas menos urgentes que as primeiras. Abandonando, ou adiando, medidas e objectivos a longo prazo.

O próprio design, durante muito tempo, é responsável por esse adiamento, e ainda hoje, mantém uma conotação com as classes sociais mais favorecidas, no desenvolvimento do mobiliário mais atractivo. E esse constitui, igualmente um problema. Os designers, ainda hoje, retardam em desempenhar o seu papel activo nas políticas da sociedade civil. A sua falta de envolvimento não passou despercebida, tendo algumas vozes isoladas chamado à atenção para esse facto.

Uma das figuras mais importantes nesse despertar para consciência ambiental/social do design foi Victor Papanek. Numa perspectiva de ecologia humana e de mudança social, Papanek expôs a visão de que o design deve ser consciente da sua responsabilidade social e moral. Mas não foi o único, muitos anos antes William Morris já defendia o socialismo prático, movimento cujos fundamentos  herdara de John Ruskin, e que proclamava o “ódio à civilização moderna”, palavras de Morris.

E é nessa acepção ambientalista e localista que se inscreve e se desenvolve a prática da VICARA. Editora sediada em Leiria, com começo em 2011, assenta a sua prática num princípio experimental de criação de objectos, numa visão e operacionalidade baseada no experimentalismo que permite escutar as ressonâncias naturais dos materiais, as suas nuances, as suas vozes internas, conduzindo por isso a linguagens perfeitamente novas e desafiantes.

 

Caruma, por Eneida Tavares para VICARA.

 

O que os materiais, como o vidro, a pedra, a madeira, a cerâmica, o barro, oferecem é diverso, e ambientalmente motivador. Estava a pensar nas peças “Cerne”, já referidas, de Samuel Reis, tal como as peças “Caruma”, de Eneida Tavares, rematadas e entretecidas com agulhas naturais de pinheiro; o “Poliedro” de Victor Agostinho; a “Calçada B/W” de Margarida Pereira; o “Cimento” de Jorge carreira; a peça “Cartonado” de Fabio Afonso.

 

Nata, lâmpada de mesa, por Gonçalo Campos para VICARA.

 

Ou ainda as peças “Nata”, de Gonçalo Campos, que evocam o passado, acentuando a importância do prolongamento da vida dos objectos, reforçando os princípios de quem se preocupa efectivamente com o ambiente. Sabe-se que a visão moderna exalta(va) o novo, e esse novo desperta(va) insatisfação e urgência em produzir mais. Uma acepção apreciadora do passado, neutraliza e trava este impeto produtivo.

Os designers que compõem esta editora, contam com a importante presença da figura de Paul Sellmayer que tem sido um elemento modelador, criador e motivador da editora.

 

 

Carla Carbone