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ARQUITETURA E DESIGN




Capa do jornal Black Mask.


Capa da Internationale Situationniste 9 (agosto de 1964)


Interior da Internationale Situationniste 9 (agosto de 1964)


Capa da Situationist Times 4 (1963)


Interior da Situationist Times 4 (1963)

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ESPECTADOR

MÁRIO MOURA


 

 

Chegou-me pelo correio o nono número da Internationale Situationniste, editada entre 1958 e 1969. No ebay, já vinha assinalada como entregue desde dia 17 e, apesar de contar com os atrasos do costume nesta quadra natalícia, já começava a ficar preocupado. Quando chegou, foi de surpresa.

 

O pacote era muitíssimo mais pequeno do que imaginava. Já conhecia a revista através de fotos e da reprodução facsimilada num só volume da Champ Libre, mas não sei porquê esperava uma coisa mais imponente, com a escala da The Situationnist Times ou da Black Mask. Afinal era quase exactamente do tamanho do livro da Champ Livre, um pouco menor que um comic book. A única coisa notável era o metalizado da capa. Lembrei-me duma entrevista lida não sei onde – é provável que tenha sido no England’s Dreaming de Jon Savage [1] – onde algumas figuras do punk diziam que sim, que aquilo chamava a atenção, pela capa e pelas fotos com legendas provocantes do interior (mas a teoria era ilegível).

 

Desde há algum tempo que colecciono publicações subversivas. Tento perceber o seu impacto físico sobre quem as consumia, o modo como o formato, o papel ou a paginação afectavam o seu conteúdo, que muitas vezes acabava por continuar a circular completamente descolado do seu aspecto original e perdendo quase tudo por isso. É habitual falar-se do carisma do líder de um ou outro movimento, ou da actualidade das suas ideias, mas é comum esquecer-se o magnetismo dos seus veículos de comunicação. Sem tomar em conta o seu lado material, estético e mesmo erótico, algumas filosofias perpetuam-se enquanto mero misticismo – o situacionismo, o punk e outras coisas do género já caíram há muito nessa armadilha. Começa-se a responder a críticas com um “precisavas de estar lá” e daí para a frente é só nostalgia.

 

Se algum dia me decidir a expôr estas publicações, gostaria de o fazer num museu (por pequeno que fosse). Quanto mais institucional melhor. Nunca vi problema nenhum em expor arte ou artefactos políticos num museu. Vejo-os como documentos. O escrúpulo habitual contra “museificar” o político é uma treta. O acesso que se tem a eles será sempre distinto de participar neles, seja num museu, num colectivo anarquista ou numa manifestação. Nem se deve sequer confundir as coisas.

 

Se um objecto político mantém a sua actualidade é porque foi sendo actualizado. Ou seja, foi sendo reinterpretado de modo a manter-se pertinente. Há sempre uma distorção, seja praticada por um comissário, por um coleccionador ou mesmo por seguidores (que se não estiverem atentos a este processo acabam por transformar ferramentas e estratégias em objectos de culto e rituais nostálgicos).

 

Os problemas só começam quando se tenta fazer de expor estes objectos uma “experiência”, reencenando o seu contexto de origem, construindo à sua volta parquezitos temáticos que só servem para manipular e entreter o espectador. São os mesmos equívocos da estética relacional, que assume o público como uma amálgama embrutecida, ignorante e distraída que é preciso “ensinar” – e, já agora, os mesmos do próprio situacionismo e da sua crítica do espectáculo.

 

Contra isso, achei particularmente útil a leitura da introdução do “Espectador Emancipado” de Jacques Rancière, onde se defende que a condição de espectador nunca é passiva – a não ser que se force uma oposição entre criador/produtor e espectador/consumidor, entre a actividade do primeiro e a passividade do segundo.

 

Numa sociedade onde só se aceitam os produtores e os empreendedores em detrimento de quem consome, é urgente deixar algum espaço a este últimos, os espectadores, os passivos, os críticos ou simplesmente os que se passeiam. O que fazem é com eles e só com eles.

 

 

Mário Moura

Blogger, conferencista, crítico, professor na FBAUP. Autor do blogue Ressabiator.

 

 

:::

 

Notas

 

[1] E não é que foi. Malcolm Mclaren no dito livro: “Tinha ouvido falar dos Situacionistas através do millieu radical da época. Ia-se à Compendium Books. Quando se perguntava por literatura, olhavam-nos de alto a baixo. Só depois de passar no teste nos davam aquelas revistas lindas com capas espelhadas em várias cores: douradas, verdes, malva. O texto era em Francês: tentavas lê-lo, mas era tão difícil. Quando começavas a aborrecer-te, havia sempre aquelas imagens maravilhosas, que partiam aquilo tudo. Era por elas que eu as comprava: não pela teoria.” Ou então Jamie Reid, no seu livro Up they Rise: “Nunca estive totalmente envolvido com os Situacionistas porque não percebia metade do que escreveram. Achava os textos deles cheios de jargão – praticamente vítimas do que tentavam atacar – e era preciso ser muito instruído para os compreender. […] Não era tanto a teoria Situacionista que me atraía como o modo como tratavam os media e a política. Os slogans, por exemplo, eram muito melhores que os textos.”