Links

ARQUITETURA E DESIGN




Yurt da Mongólia. Estrutura de madeira empenada a vapor e revestimento de feltro de lã de ovelha. Fotografia: Lyn Rivers.


Vernacular contemporâneo. Slum dos arredores de Tóquio, Japão. Fotografia: Matias Echanove


Restaurante mexicano em Ebisu, Tóquio, Japão. Chapa ondulada no seu esplendor. Fotografia: Sytse de Maat


Shotgun houses, Alabama, EUA, 1925. Exemplo do vernacular industrial original [1]. Fotografia: Jeffrey Reed


Cabana vernacular contemporânea junto a um allotment. Cais De Loods Westerdok, Amsterdão, Holanda. Fotografia: David Carr-Smith


Cabana na Costa da Caparica. As coberturas em fibrocimento são de comercialização proibida em Portugal desde 1994 e de aplicação proibida na UE desde 2005 mas esta mantém-se. Fotografia: Luísa Ferreira


Meta-materiais, materiais ocultos, materiais de carácter industrial e embalagens. António Coxito

Outros artigos:

2017-09-10


“VINTE E TRÊS”. AUSÊNCIAS E APARIÇÕES NUMA MOSTRA DE JOALHARIA IBEROAMERICANA PELA PIN ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE JOALHARIA CONTEMPORÂNEA


2017-08-01


23 – JOALHARIA CONTEMPORÂNEA NA IBERO-AMÉRICA


2017-06-30


PASSAGENS DE SERRALVES PELO TERMINAL DE CRUZEIROS DO PORTO DE LEIXÕES


2017-05-30


EVERYTHING IN THE GARDEN IS ROSY: AS PERIFERIAS EM IMAGENS


2017-04-18


“ÁRVORE” (2002), UMA OBRA COM A AUTORIA EM SUSPENSO


2017-03-17


ÁLVARO SIZA : VISÕES DA ALHAMBRA


2017-02-14


“NÃO TOCAR”: O NOVO MUSEU DO DESIGN EM LONDRES


2017-01-17


MAXXI ROMA


2016-12-10


NOTAS SOBRE ESPAÇO E MOVIMENTO


2016-11-15


X BIAU EM SÃO PAULO: JOÃO LUÍS CARRILHO DA GRAÇA À CONVERSA COM PAULO MENDES DA ROCHA E EDUARDO SOUTO DE MOURA


2016-10-11


CENAS PARA UM NOVO PATRIMÓNIO


2016-08-31


DREAM OUT LOUD E O DESIGN SOCIAL NO STEDELIJK MUSEUM


2016-06-24


MATÉRIA-PRIMA. UM OLHAR SOBRE O ARQUIVO DE ÁLVARO SIZA


2016-05-28


NA PEGADA DE LE CORBUSIER


2016-04-29


O EFEITO BREUER – PARTE 2


2016-03-24


O EFEITO BREUER - PARTE 1


2016-02-16


GEORGE BEYLERIAN CELEBRA O DESIGN ITALIANO COM LANÇAMENTO DE “DESIGN MEMORABILIA”


2016-01-08


RESOLUÇÕES DE ANO NOVO PARA A ARQUITETURA E DESIGN EM 2016


2015-11-30


BITTE LEBN. POR FAVOR, VIVE.


2015-10-30


A FORMA IDEAL


2015-09-14


DOS FANTASMAS DE SERRALVES AO CLIENTE COMO ARQUITECTO


2015-08-01


“EXTRA ORDINARY” - JOVENS DESIGNERS EXPLORAM MATERIAIS, PRODUTOS E PROCESSOS


2015-06-25


PODE A TIPOGRAFIA AJUDAR-NOS A CRIAR EMPATIA COM OS OUTROS?


2015-05-20


BIJOY JAIN, STUDIO MUMBAI


2015-04-14


O FIM DA ARQUITECTURA


2015-03-12


TESOURO, MISTÉRIO OU MITO? A ESCOLA DO PORTO EM TRÊS EXPOSIÇÕES (PARTE II/II)


2015-02-11


TESOURO, MISTÉRIO OU MITO? A ESCOLA DO PORTO EM TRÊS EXPOSIÇÕES (PARTE I/II)


2015-01-11


ESPECTADOR


2014-12-09


ARQUITECTAS: ENSAIO PARA UM MANUAL REVOLUCIONÁRIO


2014-11-10


A MARCA QUE TEM O MEU NOME


2014-10-04


NEWS FROM VENICE


2014-09-08


A INCONSCIÊNCIA DE ZENO. MÁQUINAS DE SUBJECTIVIDADE NO SUPERSTUDIO*


2014-07-30


ENTREVISTA A JOSÉ ANTÓNIO PINTO


2014-06-17


ÍNDICES, LISTAGENS E DIAGRAMAS: the world is all there is the case


2014-05-15


FILME COMO ARQUITECTURA, ARQUITECTURA COMO AUTOBIOGRAFIA


2014-04-14


O MUNDO NA MÃO


2014-03-13


A CASA DA PORTA DO MAR


2014-01-07


PÓS-TRIENAL 2013 [RELAÇÕES INSTÁVEIS ENTRE EVENTOS, ARQUITECTURAS E CIDADES]


2013-11-12


UMA SUBTIL INTERFERÊNCIA: A MONTAGEM DA EXPOSIÇÃO “FERNANDO TÁVORA: MODERNIDADE PERMANENTE” EM GUIMARÃES OU UMA EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA NUMA ESCOLA EM PLENO FUNCIONAMENTO


2013-09-24


DESIGN E DELITO


2013-08-12


“NADA MUDAR PARA QUE TUDO SEJA DIFERENTE”: CONVERSA COM BEYOND ENTROPY


2013-08-11


“CHANGING NOTHING SO THAT EVERYTHING IS DIFFERENT”: CONVERSATION WITH BEYOND ENTROPY


2013-07-04


CORTA MATO. Design industrial do ponto de vista do utilizador


2013-05-20


VÍTOR FIGUEIREDO: A MISÉRIA DO SUPÉRFLUO


2013-04-02


O DESIGNER SOCIAL


2013-03-11


DRESS SEXY AT MY FUNERAL: PARA QUE SERVE A BIENAL DE ARQUITECTURA DE VENEZA?


2013-02-08


O CONSUMIDOR EMANCIPADO


2013-01-08


SOBRE-QUALIFICAÇÃO E REBUSCO


2012-10-29


“REGIONALISM REDIVIVUS”: UM OUTRO OLHAR SOBRE UM TEMA PERSISTENTE


2012-10-08


LEVINA VALENTIM E JOAQUIM PAULO NOGUEIRA


2012-10-07


HOMENAGEM A ROBIN FIOR (1935-2012)


2012-09-08


A PROMESSA DA ARQUITECTURA. CONSIDERAÇÕES SOBRE A GERAÇÃO POR VIR


2012-07-01


ENTREVISTA | ANDRÉ TAVARES


2012-06-10


O DESIGN DA HISTÓRIA DO DESIGN


2012-05-07


O SER URBANO: UMA EXPOSIÇÃO COMO OBRA ABERTA. NO CAMINHO DOS CAMINHOS DE NUNO PORTAS


2012-04-05


UM OBJECTO DE RONAN E ERWAN BOUROULLEC


2012-03-05


DEZ ANOS DE NUDEZ


2012-02-13


ENCONTROS DE DESIGN DE LISBOA ::: DESIGN, CRISE E DEPOIS


2012-01-06


ARCHIZINES – QUAL O TAMANHO DA PEQUENÊS?


2011-12-02


STUDIO ASTOLFI


2011-11-01


TRAMA E EMOÇÃO – TRÊS DISCURSOS


2011-09-07


COMO COMPOR A CONTEMPLAÇÃO? – UMA HISTÓRIA SOBRE O PAVILHÃO TEMPORÁRIO DA SERPENTINE GALLERY E O PROCESSO CRIATIVO DE PETER ZUMTHOR


2011-07-18


EDUARDO SOUTO DE MOURA – PRITZKER 2011. UMA SISTEMATIZAÇÃO A PROPÓSITO DA VISITA DE JUHANI PALLASMAA


2011-06-03


JAHARA STUDIO


2011-05-05


FALEMOS DE 1 MILHÃO DE CASAS. NOTAS SOBRE O CONCURSO E EXPOSIÇÃO “A HOUSE IN LUANDA: PATIO AND PAVILLION”


2011-04-04


A PROPÓSITO DA CONFERÊNCIA “ARQUITECTURA [IN] ]OUT[ POLÍTICA”: UMA LEITURA DISCIPLINAR SOBRE A MEDIAÇÃO E A ESPECIFICIDADE


2011-03-09


HUGO MADUREIRA: O ARTISTA-JOALHEIRO


2011-02-07


O QUE MUDOU, O QUE NÃO MUDOU E O QUE PRECISA MUDAR


2011-01-11


nada


2010-12-02


PEQUENO ELOGIO DO ARCAICO


2010-11-02


CABRACEGA


2010-10-01


12ª BIENAL DE ARQUITECTURA DE VENEZA — “PEOPLE MEET IN ARCHITECTURE”


2010-08-02


ENTREVISTA | FILIPA GUERREIRO E TIAGO CORREIA


2010-07-09


ATYPYK PRODUCTS ARE NOT MADE IN CHINA


2010-06-03


OS PRÓXIMOS 20 ANOS. NOTAS SOBRE OS “DISCURSOS (RE)VISITADOS”


2010-05-07


OBJECTOS SEM MEDO


2010-04-01


O POTENCIAL TRANSFORMADOR DO EFÉMERO: A PROPÓSITO DO PAVILHÃO SERPENTINE EM LONDRES


2010-03-04


PEDRO + RITA = PEDRITA


2010-02-03


PARA UMA ARQUITECTURA SWISSPORT


2009-12-12


SOU FUJIMOTO


2009-11-10


THE HOME PROJECT


2009-10-01


ESTRATÉGIA PARA HABITAÇÃO EVOLUTIVA – ÍNDIA


2009-09-01


NA MANGA DE LIDIJA KOLOVRAT


2009-07-24


DA HESITAÇÃO DE HANS, OU SOBRE O MEDO DE EXISTIR (Parte II)


2009-06-16


DA HESITAÇÃO DE HANS, OU SOBRE O MEDO DE EXISTIR


2009-05-19


O QUE É QUE SE SEGUE?


2009-04-17


À MESA COM SAM BARON


2009-03-24


HISTÓRIAS DE UMA MALA


2009-02-18


NOTAS SOBRE PROJECTOS, ESPAÇOS, VIVÊNCIAS


2009-01-26


OUTONO ESCALDANTE OU LAPSO CRÍTICO? 90 DIAS DE DEBATE DE IDEIAS NA ARQUITECTURA PORTUENSE


2009-01-16


APRENDER COM A PASTELARIA SEMI-INDUSTRIAL PORTUGUESA OU PORQUE É QUE SÓ HÁ UMA RECEITA NO LIVRO FABRICO PRÓPRIO


2008-11-20


ÁLVARO SIZA E O BRASIL


2008-10-21


A FORMA BONITA – PETER ZUMTHOR EM LISBOA


2008-09-18


“DELIRIOUS NEW YORK” EXPLICADO ÀS CRIANÇAS


2008-08-15


A ROOM WITH A VIEW


2008-07-16


DEBATER CRIATIVAMENTE A CIDADE: A EXPERIÊNCIA PORTO REDUX


2008-06-17


FOTOGRAFIA DE ARQUITECTURA, DEFEITO E FEITIO


2008-05-14


A PROPÓSITO DA DEMOLIÇÃO DO ROBIN HOOD GARDENS


2008-04-08


INTERFACES URBANOS: O CASO DE MACAU


2008-03-01


AS CORES DA COR


2008-02-02


Notas sobre a produção arquitectónica portuguesa e sua cartografia na Architectural Association


2008-01-03


TARZANS OF THE MEDIA JUNGLE


2007-12-04


MÚSICA INTERIOR


2007-11-04


O CIRURGIÃO INGLÊS


2007-10-02


NÓS E OS CARROS


2007-09-01


Considerações sobre Tempo e Limite na produção e recepção da Arquitectura


2007-08-01


A SUBLIMAÇÃO DA CONTEMPORANEIDADE


2007-07-01


UMA MITOLOGIA DE CARNE E OSSO


2007-06-01


O LUGAR COMO ARMADILHA


2007-05-02


ESPAÇOS DE FILMAR


2007-04-02


ARTES DO ESPAÇO: ARQUITECTURA/CENOGRAFIA


2007-03-01


TERRAIN VAGUE – Notas de Investigação para uma Identidade


2007-02-02


ERRARE HUMANUM EST…


2007-01-02


QUANDO A CIDADE É TELA PARA ARTE CONTEMPORÂNEA


2006-12-02


ARQUITECTURA: ESPAÇO E RITUAL


2006-11-02


IN SUSTENTÁVEL ( I )


2006-10-01


VISÕES DO FUTURO - AS NOVAS CIDADES ASIÁTICAS


2006-09-03


NOTAS SOLTAS SOBRE ARQUITECTURA E TECNOLOGIA


2006-07-30


O BANAL E A ARQUITECTURA


2006-07-01


NOVAS MORFOLOGIAS NO PORTO INDUSTRIAL DE LISBOA


2006-06-02


SOBRE O ESPAÇO DE REPRESENTAÇÃO MODERNO


2006-04-27


MODOS DE “VER” O ESPAÇO - A PROPÓSITO DE MONTAGENS FOTOGRÁFICAS


share |

O VERNACULAR CONTEMPORÂNEO

ANTÓNIO COXITO




Vernacular contemporâneo é um neologismo e um aparente oxímoro que convém esclarecer desde logo.
O vernacular, na arquitectura ou no desenho de equipamento, refere-se àqueles materiais e formas de os trabalhar mais acessíveis e menos eruditas. O clima local e a disponibilidade de matéria-prima levou a que em algumas regiões a cultura vernacular tivesse dado origem e se refira à construção em pedra com junta seca, noutros à madeira e feltro no caso dos yurts, ao adobe em diversas latitudes ou ao gelo para lá do Círculo Polar Árctico.

Mas o vernacular adquiriu novas características com a contemporaneidade. Os materiais mais disponíveis, mais baratos, mais inteligíveis e mais apropriáveis da actualidade são aqueles com os quais são construídas as favelas, os musseques, as bidonvilles, as barracas, os slums e as shanty towns.
Independentemente de se esses meios são ou não são terrenos da arquitectura e do design, estas implantações representam uma parcela muito significativa da construção e consumo de artefactos global.
Apesar da sua variedade geográfica e cultural, une-as a materialidade: chapas, cartões, andaimes, tijolo não rebocado, supra-estruturas e soluções avulsas.
A única característica do vernacular que se alterou hoje foi, à semelhança de muitos outros hábitos e materiais, o ter deixado de ser específico de um local. Hoje, este vernacular é global e recorre à redundância de sistemas e artefactos multinacionais que lhe são próximos.

Estes materiais foram organizados em quatro grupos: os meta-materiais, os materiais ocultos, os materiais de carácter industrial e as embalagens.
O primeiro grupo refere-se àqueles que são de apoio às obras convencionais de arquitectura mas que saem da obra quando esta está concluída. Engloba andaimes e cofragens mas estende-se a todo o estaleiro e suas estruturas efémeras, incluindo casas de banho portáteis e contentores.
Encontram-se fundamentalmente (mas não exclusivamente, como qualquer um dos outros grupos) em países desenvolvidos, onde circulam nas sucatas vendidos a peso ou em mercado de usados. Nos yards e nos squats londrinos e de Amsterdão são aplicados de forma diversa que nos trailer parks norte-americanos.
O segundo grupo refere-se àqueles que integram a obra mas que raramente afloram, normalmente exclusivamente estruturais, como as vigotas de betão ou os ferros de armação mas também as peças de canalização. O tijolo perfurado, quando não revestido, faz parte deste grupo.
Estes são mais frequentes entre os Trópicos, especialmente na periferia das metrópoles da América do Sul e do Sul Asiático.
Em terceiro, aqueles que se tornaram de utilização convencional por parte de arquitectos e designers na cidade e na própria habitação mas que têm uma origem e um propósito industrial, rude e pragmático, como as chapas, ferragens, redes ou o cimento à vista. Estes, são já vulgarmente referidos como vernaculares industriais [1].
A presença dos materiais deste grupo é transversal a todas estas implantações, em qualquer parte do globo. A ferrugem nas chapas e alguns planos pintados de cores vivas conferem a esta manta o seu padrão mais característico.
Finalmente as embalagens, responsáveis por mais de quarenta por cento dos resíduos mundiais e frequentemente recicladas para estas construções. Referimo-nos aos cartões, toldos e plásticos, vasilhames e invólucros de peças industriais e ao seu habitual suporte, as palettes.
Os materiais deste quarto grupo têm apropriações muito diversas, desde os acampamentos ciganos da Europa ao design reciclável de autor, passando pelos mais insalubres bairros de respigadores de lixo das cidades costeiras do Golfo da Guiné, estimulando toda a tradição bricoleur da actividade humana.
Em Portugal, as embalagens de peças para a industria automóvel são muito procuradas para construções ad-hoc, tanto para fins de habitação na periferia das cidades como para barracões agrícolas.

No entanto, esta materialidade não é dissociável dos seus programas e dos seus processos, como é comum ver-se em soluções epidérmicas.
Os seus programas não pressupõem um conforto estanque e os processos não são representados cartesianamente. A diversidade cultural que albergam impede as soluções hegemónicas. A reflexão não procura a solução final mas apenas o passo seguinte, intuitivamente seguindo a linha de Prigogine e jogando com a criatividade não determinística da natureza.
Os materiais não são escolhidos no procurar mas no encontrar, na disponibilidade sustentável de um processo de serendipidade. Aqui, o engenho liga-se ao bricoleur e não ao engenheiro, contrapondo à lógica estruturalista uma outra sem necessidade de cunho e avessa a ser historiografada.
Todo um ponto de partida, um sistema e um objectivo é alterado neste modus operandi em relação à praxis do arquitecto ou do designer.

Suponhamos que um camião de entulho de obra é despejado na margem de uma estrada secundária peri-urbana próxima de nós. Por entre os cacos conseguimos recuperar mais de trezentos mosaicos de pavimento ainda com a sua forma quadrada preservada, mas com cimento agarrado na sua face inferior. Tinham obviamente sido arrancados de um páteo qualquer. Depois de coleccionados verifica-se que existem cinco padrões distintos. São sessenta e cinco mosaicos amarelo custarda planos, cinquenta e dois vermelho vinho planos, cento e um com um ponto no centro, quarenta e nove com uma linha transversal ornamentada e trinta e seis com uma linha diagonal simples.
Em casa, no espaço onde se faz o fogo, o chão é em terra que cobrimos de areão no ano passado. O Zé Gato tinha aproveitado um atrelado que lhe tinham emprestado para ir buscar uma carrada a um sítio que ele sabia.
Os mosaicos vinham mesmo a calhar mas não chegam para o chão todo. A reflexão desenvolvida para aferir da zona a cobrir e da disposição dos mosaicos vis-a-vis a sua disponibilidade e os seus padrões inverteu o processo de desenho/construção para o de disponibilidade/desenho e renovou o campo das possibilidades.

No paradigma demográfico e ecológico em que o planeta se encontra, estes processos que recorrem ao disponível em lugar de conceberem autocraticamente o desenho final ganham sentido.
Estes materiais, tais como um Lego ou um Meccano, colocam nas mãos do utilizador a possibilidade da sua autonomia em relação às vicissitudes da marginalidade intrínseca ao processo capitalista.
São as ferramentas vernaculares contemporâneas que permitem configurar os programas segundo a idiossincrasia de cada cultura, de cada comunidade, de cada indivíduo.

É incontornável a realidade dos problemas sociais, nas suas facetas laboral, alimentar e sanitária, que se encontram frequentemente associados a estes lugares. Esta abordagem daria origem a uma discussão muito mais complexa e parcialmente fora do alcance de designers e arquitectos.
Mas tal não impede de nos apropriarmos das suas qualidades, cujos direitos não teremos de pagar aos seus autores que permanecerão no esquecimento inexorável dos inventores primordiais.

:::
[o autor escreve de acordo com a antiga ortografia]
:::


António Coxito
Arquitecto pela UAL. Encontra-se a desenvolver doutoramento na Universidade de Évora nos moldes research by design, através da construção efectiva de uma utopia em Vila Velha de Ródão.




::::::::::::::::


Bibliografia

Attila Kotanyi; Raul Vaneigem. Programme élémentaire du Bureau d'Urbanisme Unitaire. Internationale Situationniste #6, 1961.

Bernard Rudofsky. Architecture without architects. MOMA, 1965.

Cameron Sinclair; Kate Stohr. Design Like You Give A Damn: Architectural Responses To Humanitarian Crises. Distributed Art Publishers, 2006.

Stephen Kieran; James Timberlake. Refabricating Architecture. McGraw-Hill Professional, 2003.

Kenneth Frampton. Reflections on the Autonomy of Architecture: A Critique of Contemporary Production. Out of Site: A Social Criticism of Architecture. Edited by Diane Ghirardo. Bay Press, 1991.

Ilya Prigogine; Isabelle Stengers. La fin des certitudes. Odile Jacob, 1996.