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ARQUITETURA E DESIGN




Vistas da exposição “E depois, a história - Go Hasegawa, Kersten Geers, David Van Severen”, Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto, de 28 de junho a 15 de outubro de 2018. Fotos Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.


Vistas da exposição “E depois, a história - Go Hasegawa, Kersten Geers, David Van Severen”, Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto, de 28 de junho a 15 de outubro de 2018. Fotos Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.


Vistas da exposição “E depois, a história - Go Hasegawa, Kersten Geers, David Van Severen”, Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto, de 28 de junho a 15 de outubro de 2018. Fotos Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.


Vistas da exposição “E depois, a história - Go Hasegawa, Kersten Geers, David Van Severen”, Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto, de 28 de junho a 15 de outubro de 2018. Fotos Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.

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DEPOIS, A HISTÓRIA: GO HASEGAWA, KERSTEN GEERS, DAVID VAN SEVEREN

GIOVANNA BORASI, GO HASEGAWA, KERSTEN GEERS, DAVID VAN SEVEREN


 

Besides, History: Go Hasegawa, Kersten Geers, David Van Severen, patente de 28 de Junho a 15 de Outubro de 2018 na Biblioteca de Serralves, é uma exposição organizada pelo Canadian Centre for Architecture (CCA), e comissariada por Giovanna Borasi, curadora geral no CCA. A adaptação curatorial à Biblioteca de Serralves é da responsabilidade de Carles Muro, curador adjunto dos programas de arquitetura do Museu de Serralves.

 

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Esta é uma conversa a três partes, agora apresentada em formato espacial. Envolve Go Hasegawa, estabelecido em Tóquio; Kersten Geers e David Van Severen (OFFICE), estabelecidos em Bruxelas; e a história da arquitetura. Trata-se de uma conversa iniciada pelo CCA — Centro Canadiano de Arquitetura, uma instituição fundada na convicção de que estudar as ideias da arquitetura implica usar o passado e o presente como instrumentos para perspetivar o futuro.

Qual a sua relação com aquilo que existiu antes de si? Interessa-se pela história e pela forma como ela infuencia o seu trabalho? Ou isso não acontece de todo? Como estuda a arquitetura do passado? Porque existe neste momento um interesse renovado na história, numa era em que parece que estamos a viver um conceito interminável de presente? Foram estas as questões que colocámos aos arquitetos.

A arquitetura está inevitavelmente ligada ao desejo de projetar o futuro; consequentemente, um novo Novo é sempre imaginado, mas um edifício não pode evitar ter antecessores. Os arquitetos da geração atual operam na convicção de que já tudo foi feito, mas argumentam contudo que deveríamos construir algo de significativo para o nosso tempo.

Esta exposição constitui um depoimento que respon- de a tudo isto. É um espaço em que se pode vivenciar sicamente a conversa que teve lugar entre os três ar- quitetos sobre o seu trabalho na presença da história. Ao adotar o formato de uma conversa, esta permanece suspensa e em aberto; tenta clari car os seus termos mantendo a sua ambiguidade verbal e transfere para o espaço um argumento intelectual sem pretender esgotá-lo. Categorias históricas tradicionais, como autoria, são postas em causa quando um arquiteto se apropria do trabalho de outro e o representa com os seus próprios métodos, comparando-o com o seu próprio trabalho para revelar semelhanças e diferenças; objetos da coleção do CCA foram incluídos na exposição para demonstrar e recorrência e a familiaridade de certas ideias.

Ouvir atentamente esta conversa permite entender melhor o renovado interesse por parte da atual geração de arquitetos em olhar para a história da arquitetura. Longe de um posicionamento pós-moderno, que evocava lite- ralmente formas arquitetónicas históricas, e longe do trabalho da geração precedente que usou a história para criar uma fundamentação teórica para a arquitetura, a história torna-se aqui uma constelação de referências selecionadas, recolhidas em muitos períodos e geografias — Andrea Palladio, John Hejduk, Aldo Rossi, Kazunari Sakamoto —, que revela uma atitude muito diferente de indagação, mais diretamente relacionada com a procura e a abordagem estética dos arquitetos, sem se tornar es- tritamente operacional ou literal. Esta conversa é sobre a construção de uma nova narrativa da arquitetura em torno do trivial e do banal, em torno da materialidade da arquitetura e de como se conjuga, tanto conceptual como composicionalmente. É sobre a redescoberta de elementos arquitetónicos muito simples (como a coluna ou o telhado), de elementos tipológicos (revelados num interesse obsessivo na planta ou no corte de um edifício) e outras coisas mais.

Tudo isto pode ser lido como uma espécie de novo manifesto, em que os arquitetos combinam referências históricas escolhidas e o seu próprio trabalho para construir um novo enquadramento para a arquitetura de hoje, baseado na banalidade aparente, na celebra- ção do trivial, na de nição de um caráter específico, na redução intencional dos meios de construção e na precisão da resposta.

 

 

Giovanna Borasi
Arquiteta, editora e escritora, e curadora-chefe do Canadian Centre for Architecture desde 2014. Comissariou diversas exposições e foi editora de várias publicações centradas no tema de como as questões ambientais sociais influenciam o urbanismo e a arquitetura de hoje, incluindo: Environment: Approaches for Tomorrow (2006), Some Ideas on Living in London and Tokyo (2008), Journeys: How Travelling Fruit, Ideas and Buildings Rearrange our Environment (2010) e The Other Architect (2015). Mais recentemente, comissariou a exposição Besides, History: Go Hasegawa, Kersten Geers, David Van Severen (2017) e foi editora do respetivo catálogo.

 

 

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GO HASEGAWA, KERSTEN GEERS E DAVID VAN SEVEREN CONVERSAM SOBRE ARQUITETURA 

 

A exposição "Besides, History: Go Hasegawa, Kersten Geers, David Van Severen", evidencia uma conversa que envolve estes arquitetos e a história da arquitetura.

Esta conversa que aqui continuará coloca-se no centro de um dos debates mais interessantes da prática arquitetónica contemporânea e investiga o papel que a história da arquitetura - de passados recentes ou mais distantes- tem no trabalho duma nova geração de arquitetos.

Kersten Geers, David Van Severen e Go Hasegawa pertencem a uma geração nascida na segunda metade dos anos setenta, que não só tem desenvolvido uma consistente série de projetos e obras, mas também apresentam uma clara posição teórica. As suas vozes estão muito presentes e são ouvidas com força na conversa mais ampla que a disciplina da arquitetura está a desenvolver nesta segunda década do século XXI. 

 

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[Go Hasegawa, David Van Severen, Kersten Geers e Giovanna Borasi. Fotografia: Jean-Marc Abela]

 

KG: Como arquiteto, estás sempre à procura de uma condicionante, como as necessidades do cliente, o local, o contexto ou o programa. A história acrescenta complexidade a tudo isto: oferece-te uma interessante condicionante cultural. Ajuda-te a não abraçar inteiramente o mundo atual tal como ele é, a estabelecer uma distância saudável em relação ao presente.

GH: Gosto de fazer projetos que me desafiam e que me levam a descobrir alguma coisa de novo. Uma condicionante como a história é muito importante para me ajudar a ir além da minha imaginação, do meu contexto ou da minha experiência. Por isso, um diálogo com a história — e claro, com as pessoas e os lugares — é essencial. Isto é uma nova atitude da nossa geração; durante muito tempo, a história era uma espécie de inimiga dos arquitetos, era algo a superar.

KG: Creio que o que as nossas práticas fazem com a história é procurar constante e implicitamente referências — o tipo de referências que são parte do mundo cultural. Se o teu trabalho perde essas referências não sobra nada. Precisamos de compreender aonde pertence algo; gostaríamos de nos inscrever a nós próprios e ao nosso trabalho na longa linha da história da arquitetura.

DVS: Todas estas ideias, todas estas referências, todas estas soluções e todos estes princípios são uma “caixa” muito grande. Mas creio que a diculdade é como ativar tudo isto. Como podes ativá-lo sem o tornar gratuito? Podes usar toda e qualquer coisa. Quando é que uma coisa funciona e quando é que não funciona? Penso que Go, Kersten e eu partilhamos o interesse nesta questão e não temos uma resposta clara para ela.

KG: Enquanto ateliê de arquitetura, eu e o David estamos muito interessados na história. Mas isso significa que estamos interessados na história de tipos arquitetónicos. Estamos interessados na história de qual é o aspeto da arquitetura, e ela tem sempre um aspeto diferente. Estamos interessados em referências, mas usamo-las ao de leve. A boa arquitetura não é simplesmente uma tradução de uma ideia; é sempre uma tradução de muitas ideias.

GH: Para mim a história é uma forma de comunicar com o tempo através do edifício.
Os elementos e as tipologias da arquitetura existem há muitíssimo tempo. Hoje em dia são tomados como símbolos e modelos, como algo morto. Mas estão muito longe de estar mortos. Permanecem profundamente associados à vida humana, por isso deveriam ser
considerados algo vivo que ainda pode ser apurado e melhorado. Quando repensados, tornam-se algo que é simultaneamente novo e antigo.
Não há um período específico para o qual olhe — estou interessado em tudo. Nunca penso se uma ideia é contemporânea ou não. Usamos materiais e técnicas contemporâneas, o que significa que no final fazemos arquitetura contemporânea, mas isso não é feito de propósito. Somos contemporâneos, por isso fazemos arquitetura contemporânea.

KG: Concordo totalmente com o que o Go está a dizer: fazes um edifício hoje, por isso deveria ser feito com materiais atuais, no contexto atual e com a lógica económica atual. A história não te dá apenas ideias. Dá-te um contexto e mostra-te como certos contextos produzem certas ideias.

DVS: Quando a geração mais antiga tomava Palladio como referência, o resultado era uma cópia de uma coluna ou um frontão. Mas nós gostamos de Palladio e fazemos os nossos próprios edifícios. Poder-se-ia chamar a isto uma falsa leitura da história, mas é produtivo e fundamental para a nossa prática.

 

 

Go Hasegawa
Licenciou-se em Engenharia pelo Instituto de Tecnologia de Tóquio em 2002, após o que trabalhou no gabinete de arquitetura Taira Nishizawa Architects antes de fundar Go Hasegawa & Associates em 2005. Em 2015, completou o doutoramento em Engenharia pelo Instituto de Tecnologia de Tóquio. Tem lecionado como professor convidado na mesma instituição, mas também na Accademia di Architettura di Mendrisio, na Oslo School of Architecture and Design e na Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA) e, mais recentemente, na Graduate School of Design da Universidade de Harvard. Recebeu uma série de prémios, entre os quais se destacam o Shinkenchiku Prize, em 2008, e o AR Design Vanguard em 2014.

Kersten Geers
Licenciou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Gent e pela Escola Técnica Superior de Arquitetura de Madrid (ETSAM). Trabalhou em Roterdão para os gabinetes de arquitetura Maxwan Architects e Neutelings Riedijk Architects. Lecionou na Universidade de Gent e foi professor visitante na Accademia di Architettura di Mendrisio, na universidade de Columbia em Nova Iorque e, mais recentemente, na Graduate School of Design da Universidade de Harvard. Atualmente leciona na Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL). É membro fundador e editor da revista de arquitetura San Rocco.

David Van Severen
Licenciou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Gent e pela Escola Técnica Superior de Arquitetura de Madrid (ETSAM). Desde 1995 projetou e produziu diversos objetos, mobiliário e instalações. Trabalhou nos gabinetes de arquitetura Stéphane Beel Architects, Xaveer De Geyter Architects e Atelier Maarten Van Severen. Foi professor e crítico convidado na Academia de Arquitetura de Amsterdão, na Universidade Técnica de Delft, no Berlage Institute de Roterdão, na escola de arquitetura de Versalhes e na Graduate School of Design da Universidade de Harvard.

Em 2002, Kersten Geers e David Van Severen fundaram o gabinete de arquitetura OFFICE Kersten Geers David Van Severen. Em 2008 receberam o Prémio de Arquitetura Belga e em 2010 o Leão de Prata da 12ª Bienal de Arquitetura de Veneza.