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ENTREVISTA


Massimiliano Gioni e Pipilotti Rist. Curador e artista na exposição Pipilotti Rist: Parasimpatico 
- Fondazione Nicola Trussardi, 
Cinema Manzoni, Milão © designboom

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MASSIMILIANO GIONI


Massimiliano Gioni quer ser estrangeiro na própria terra. Italiano radicado em Nova Iorque, onde é um dos diretores do New Museum, ele será o curador da próxima Bienal de Veneza, a maior mostra de arte contemporânea do mundo, que começa em junho. Aos 39, Massimiliano Gioni é o mais jovem a ocupar o cargo em mais de cem anos. Ele diz que a mostra terá a perspectiva de novos artistas e observa ansiedade e compulsão na arte contemporânea. Entrevista de Silas Martí.*


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A sua escolha aponta duas mudanças em relação às edições mais recentes da mostra − primeiro porque traz um italiano de volta ao comando e segundo por ele ser o curador mais jovem a assumir o posto em mais de cem anos.

Gioni considera uma desvantagem trabalhar no seu próprio país, já que vê no estranhamento entre as culturas um dos fatores mais potentes por detrás de uma exposição. Mas verifica na sua juventude a possibilidade de “realinhar o mundo das artes visuais dentro de uma nova perspectiva”.

“Sempre gostei de fazer exposições que pareçam estrangeiras, em que os trabalhos sejam cada vez mais estranhos”, diz Gioni em entrevista à Folha de São Paulo. “Quero parecer um estrangeiro no meu país.” Essa condição é uma constante na carreira de Gioni até aqui. Ele trabalha em Nova Iorque e já esteve à frente de grandes mostras em Berlim, Gwangju, na Coreia do Sul, e San Sebastián, em Espanha.

“Não sei se farei um bom trabalho em Veneza, que é diferente, com pressões muito maiores”, afirma Gioni. “Mas gosto de fazer exposições com uma coerência semântica, então talvez me critiquem ou elogiem por ser específico demais. Não podemos ter regras em excesso, a beleza da arte é ela não ser enquadrada em nenhuma lógica, não ser classificável.”

Gioni, aliás, está a pensar numa mostra que seja um reflexo da temporalidade inclassificável do mundo atual − a obsessão pela tecnologia e a comunicação como tónica de uma era que aprendeu a embaralhar presente e futuro, resgatando o passado remoto com a facilidade de uma pesquisa na internet.

“Gosto da minha geração por sermos muito conscientes do passado, talvez por causa da tecnologia”, diz. “Sempre misturo artistas contemporâneos e históricos, porque tudo está ao alcance, é só um clique no Google. Somos uma geração hiper-histórica, que nunca esquece o passado e sempre traz essa memória para a superfície.”

Fora da mostra principal, organizada por ele, Gioni também observa uma “perspectiva da nova geração”, com países indicando nomes mais jovens para os seus pavilhões nacionais. É o caso de Anri Sala, no pavilhão francês, e Jeremy Deller, que vai representar o Reino Unido.

“Não posso pensar a minha curadoria de acordo com os pavilhões nacionais”, diz Gioni. “Mas é essa pluralidade de vozes que interessa a Veneza, não o poder concentrado de um curador principal.”
Se a mostra − aclamada pela crítica − que organiza agora no New Museum [Ghosts in the Machine, 2012] oferecer alguma indicação do que fará em Veneza, Gioni deve tratar de questões como a tecnologia e o seu impacto na arte, pensando ao mesmo tempo na forma como os artistas são capazes, na visão dele, de “reprogramar uma sociedade”.

Gioni diz ver no panorama atual um “realismo histérico” ou uma arte pautada pela “paranoia, uma ansiedade relacionada com a comunicação”.

“Muitos jovens artistas refletem sobre a indústria da comunicação nos seus trabalhos”, diz Gioni. “Eles são compulsivos, tagarelas. Vivemos num estado de histeria constante. Essa é uma consequência dos nossos tempos.”


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Nota *: Entrevista de Silas Martí publicada originalmente no suplemento Ilustrada do jornal Folha de São Paulo, a 4 de setembro de 2012.