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ENTREVISTA


Gabriela Vaz-Pinheiro

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GABRIELA VAZ-PINHEIRO


Gabriela Vaz-Pinheiro é entrevistada este mês de Fevereiro a propósito do seu programa para as Artes e Arquitetura no âmbito da Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012. Gabriela Vaz Pinheiro é licenciada em Escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, com European Scenography Master of Arts pelo Central Saint Martin’s College, Mestrado em Theory and Practice of Public Art & Design pelo Chelsea College of Art & Design e Doutoramento por Projecto com o Chelsea College, com a tese: Art from Place: the expression of cultural memory in the urban environment and in place-specific art interventions.

Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, da Secretaria de Estado da Cultura, da Contemporary Art Society e The London Institute. Realizou vários seminários de natureza interdisciplinar em Portugal e no estrangeiro e publicou textos em revistas de arte e investigação artística. Enquanto artista, expõe colectiva e individualmente desde 1985, em Portugal e no estrangeiro, tendo recebido diversos prémios e menções.


Por Patrícia Trindade
Fevereiro de 2012



P: Como surgiu o convite para dirigir o programa cultural relacionado com as Artes Plásticas e a Arquitetura na Guimarães CEC?

R: Julgo que o convite partiu de duas coisas: das minhas publicações, em particular Curadoria do Local e da minha participação no projeto Import/Export organizado pelo Laboratório das Artes nas fábricas desativadas de Couros em Guimarães em 2007. Penso que os organizadores se aperceberam da relevância dos meus interesses e da forma contextual como tenho trabalhado e pensado para o projeto Guimarães 2012. A dimensão social da prática artística, a experimentação em torno da psicogeografia, a importância do posicionamento crítico, presumo que estas questões possam ter dado confiança que faria um programa relevante para o contexto artístico contemporâneo mas também que fizesse sentido – e trouxesse novos sentidos – à cidade e ao meio em que estamos a trabalhar.


P: No dia 21 de Janeiro deu-se o arranque oficial de Guimarães Capital Europeia da Cultura. Qual o balanço destas primeiras semanas? Qual a vibração sentida na cidade?

R: A cidade tem uma especial apetência para gestos coletivos. Veja-se a forma como se apropriou da personalização do logótipo tridimensional em cartão da Guimarães 2012. Julgo que o arranque oficial conquistou de novo a confiança dos vimaranenses. Repare-se que é uma cidade muito orgulhosa que tem uma reputação de excelência, e, por isso, não pode ter sido fácil lidar com uma imprensa pouco favorável ao longo de vários meses. Julgo no entanto que a cidade sempre percebeu que o programa a incluía de diversas formas e está agora disponível para o receber e nele se envolver. Devo acrescentar que estamos todos conscientes de que a adesão que teve lugar a partir do arranque oficial não é para ser tomada por garantida. Temos ainda um caminho difícil pela frente porque nem tudo é apenas festa. O meu programa já tinha começado no início de 2011 com a Obra de Papel. Neste arranque em 2012, temos o projeto Cartografias, que testa os limites do gesto íntimo do ilustrador e da visibilidade pública da sua linguagem poética; e o workshop dos EXYZT que irá construir, com a colaboração de cerca de trinta estudantes de arte e arquitetura, o espaço do Laboratório de Curadoria, um espaço que instaura uma forma de trabalhar, pensar, construir, comunicar, fazer curadoria, trocar ideias, publicar, que se tem demonstrado muito pouco comum, produtiva e que irá certamente despertar consciências.


P: Como lidaram internamente com as polémicas que foram sendo levantadas na imprensa sobretudo em relação à distribuição do orçamento e às campanhas publicitárias?

R: Pessoalmente continuei o trabalho que sabia que tinha que fazer. Nunca perdi de vista que o meu programa é um conjunto de conteúdos artísticos e críticos. Não foi muito fácil, sentir que tinha algumas respostas para alguns daqueles problemas, e não ver isso representado na imprensa porque o programa só mais tarde viria a ser comunicado. Por exemplo, a alegação de falta de atenção dada à cidade e ao contexto é completamente desajustada porque o meu programa e, não é o único na programação, é maioritariamente constituído por obra feita a partir e para o contexto, com uma dimensão internacional que coloca a realidade cultural do Concelho num âmbito muito mais alargado. Repito, no entanto, que senti sempre um entendimento público que a programação e os programadores não tinham responsabilidade direta na representação mediática do evento que estava a ter lugar.


O seu percurso académico é bastante relevante no que diz respeito ao trabalho, no domínio das artes plásticas, que se pretende seja desenvolvido in loco. Como é que essa place specificity, essa relação entre artistas e a cidade será conseguida?

R: Essa relação já está a ter lugar há muitos meses nas residências que muitos artistas têm levado a efeito. O meu programa tem uma dimensão de contingência que o torna simultaneamente entusiasmante e difícil de implementar. Temos algumas exposições, no sentido mais habitual do termo, que recebem obras, exigem montagens, inauguração, lançamento de catálogos e que são importantes. Mas grande parte do trabalho produzido vive da reação ao contexto. Do ponto de vista artístico e da relação com a cidade é extraordinário perceber como, mesmo numa pequena escala, os artistas afetam as pessoas porque demonstram interesse e refletem sobre a sua cultura e práticas, identitárias, culturais, quotidianas. O objetivo é que esta paisagem cultural seja vista por outros olhares e que nesse processo a autoperceção possa progredir, que os olhares dos próprios sobre si possam ser reposicionados, ao mesmo tempo que este contexto é transformado, e transportado, pelos artistas no seu trabalho.


P: A programação de Arte e Arquitetura organiza-se em quatro ciclos, a saber: Sobre Audiências, Modos de Produção, Escalas e Territórios e um Ciclo intitulado Novas Linguagens e Espaço Público. Quais as iniciativas mais relevantes destes ciclos?

R: Os Ciclos foram um importante ponto de partida para mim. Permitiram articular o programa em torno de questões que me pareciam e ainda parecem cruciais num evento artístico e cultural neste momento. No Ciclo Sobre Audiências terei que destacar o Curators’ Lab / Laboratório de Curadoria. É um projeto realmente inovador, que supõe uma generosidade muito particular entre profissionais, entre estudantes e participantes, entre públicos. Mas teria que referir também o projeto que Michelangelo Pistoletto vai trazer à cidade e que é profundamente atual na forma como ativa um sentido de participatividade. Modos de Produção tem despertado muito interesse da comunidade artística. Explora as relações entre as disciplinas, os seus processos e influências. É o Ciclo mais denso e teria muitos projetos a destacar. Refiro o CCC, Collecting Collections and Concepts, comissariado por Paulo Mendes e que irá trazer a Guimarães representações de algumas coleções nacionais importantes, ao mesmo tempo que dá oportunidade a vários olhares de artistas contemporâneos sobre as questões do colecionismo. No Ciclo Escalas e Territórios refiro Missão Fotográfica, um projeto que irá revelar novos ângulos sobre a paisagem do concelho e que foi paradigmático também do efeito do trabalho dos artistas a partir de residências e da generosidade com que têm respondido aos reptos lançados pela Guimarães 2012. No Ciclo Novas Linguagens e Espaço Público refiro o projeto Obra de Papel, que tem sido acarinhado no mundo inteiro e que dissemina a imagem da obra de arte sob a forma de jornal ou obra gráfica de 24 artistas de origens e idades muito diferentes. Cumpre vários pressupostos do programa, nomeadamente um sentido de inclusividade e de convivência da obra entre pares com diferentes posicionamentos nas suas carreiras.


P: Ao ler o programa, o projeto Olhares e Processos, destaca-se. Os artistas convidados, Ângela Ferreira, Emese Benzcur, Alfredo Jaar, Marysia Lewandowska e CollinFournier, Michelangelo Pistoletto, Raqs Media Collective, Ricardo Basbaum, entre outros, já começaram a trabalhar? Vão estar mesmo a produzir na cidade? Como e onde se irão apresentar os seus projetos? Como serão divulgados?

R: No momento desta entrevista está em Guimarães o Alfredo Jaar para a sua segunda visita. Os restantes já todos visitaram e trabalharam de formas muito diversas na cidade. Quando se diz “produzir na cidade” deveria ter-se em mente que se trata do processo artístico no sentido lato, ou seja desde a disponibilidade para interpretar o contexto e interagir com ele, até à utilização do carpinteiro local. Mas também temos filmes captados no Concelho e editados na Índia. Parte do trabalho nasce em Guimarães mas os artistas viajam, acrescentam, laboram, física e simbolicamente, noutros locais do globo. Há uma curadoria de proximidade que implica atravessar fronteiras. Os projetos irão ser apresentados em vários locais, na rua, na paisagem, na Fábrica ASA. Não é um projeto fácil de “orquestrar”, mas tem sido fantástico ver os artistas responder ao projeto de maneiras tão diversas. A apresentação pública do projeto começa a 29 de setembro, mas haverá uma finissage a 8 de dezembro em que será lançado o catálogo porque queremos que toda a convivência do projeto com o contexto faça parte do seu documento de registo.


P: O Ciclo Novas Linguagens e Espaço Público pretende sensibilizar o público para a noção de “novas linguagens” e de espaço público participativo. Em que medida?

R: A ideia de disseminação é uma ideia que me interessa bastante. Vivemos um tempo em que a circulação das imagens e, as imagens são sempre culturais, é absolutamente crucial para o fazer da(s) cultura(s). Interessou-me instigar alguns projetos que questionassem os limites desta circulação, que permitissem criar situações em que uma disrupção, ainda que incipiente, de sentido – um jornal que não é um jornal, um painel publicitário que não é um anúncio, um monumento que é apenas temporário, um monumento definitivo que se anuncia como ideia e por aí fora – em que estas disrupções, dizia, pudessem abrir campos de ativação que, não sendo novos, não são muito usuais. A participação tem muitas formas, do questionar o sentido de uma imagem em que “tropeçamos” no espaço público ao envolvimento efetivo na construção de uma obra. E isto também faz novas audiências.


P: Os primeiros jornais já saíram em 2011. Quem é o público-alvo destas publicações? Como é que o público em geral tem acesso às mesmas? A periodicidade bastará para que o público comece a entrar num esquema de colecionismo destas edições de artista?

R: Temos já a coleção de 2011 publicada e os primeiros números de 2012 a sair. São distribuídos em grupos de três numa mailing list que continua a crescer. E há uns milhares que são distribuídos em mão pelos museus, galerias e outros locais. A ideia era essa, sim, que as pessoas se começassem a aperceber que há uma continuidade, que se tornam objeto desejado, que fazem sentido como um todo. São acoplados de forma curatorial, como se colocam quadros numa exposição... Tenho gostado muito deste projeto, da relação de curadoria no fazer do objeto, na forma como têm sido recebidos. São 5000 por mês, haverá um limite mas enquanto houver exemplares continuaremos a distribuí-los de forma gratuita.


P: Matt Mulican, Mauro Cerqueira, Cristina Mateus, Rita Castro Neves, Martina Schmid, Susana Mendes Silva, Lawrence Weiner, António Olaio, Miguel Leal, Julião Sarmento, Francisco Queiróz, são os alguns dos artistas anunciados para este projeto. Quem mais estará envolvido nesta iniciativa?

R: Teremos um número realizado pela Ana Hatherly que está a trabalhar numa peça nova, o que me deixou mesmo muito feliz. Temos a Patrícia Almeida, o Daniel Blaufuks, mas não queria revelar já todos os nomes. Afinal é uma coleção mensal...


P: O Laboratório de Curadoria está a funcionar? Quais os projetos de destaque?

R: O Laboratório está no seu arranque: o workshop pelos EXYZT em que se está a construir o espaço de residências para o Momento # 1, bem como o espaço que irá acolher conversas, conferências, concertos e performances ao longo de 2012. Mas já está na verdade a funcionar há muitos meses no processo de trabalho que envolve os arquitetos, os artistas, os designers, eu própria e a Lígia Afonso que colabora comigo e organiza a programação, os estudantes que envolvemos na pesquisa e na construção. É um grupo muito grande de pessoas, é uma forma de trabalhar em cadeia, em processo contínuo, mas os resultados já se começam a ver. Este projeto pode ser acompanhado na página do Facebook: Curators’ Lab / Laboratório de Curadoria. A estrutura base do Laboratório é formada pela conceção espacial: EXYZT, João Mendes Ribeiro e Inês Botelho; pelo projeto editorial. Barbara Says..., Pedro Nora e Sofia Gonçalves; e por uma residência coletiva: Soopa com a rádio Sonores, Embankment, e a escola Maumaus. Não teria aqui espaço para destacar mais, a programação é muito intensa e constante e esperamos que atraia muitos parceiros e interessados.


P: No âmbito das Artes Plásticas, quais os projetos mais relevantes para o primeiro semestre?

R: É muito difícil assinalar relevâncias num programa que procurou estruturar-se em torno de questões em vez de uma lista de nomes ou exposições... Temos um período de pré-programa que decorre neste momento, com o Cartografias, a construção do Laboratório de Curadoria, não é Arte mas também não é só arquitetura, e a Obra de Papel. Temos o depois o momento #1, com o Castelo em 3 Atos comissariado pelo Paulo Cunha e Silva mas que na verdade é muito mais do que Artes Plásticas, o CCC que já referi, no momento # 2 o Flatland Redux, com curadoria do Delfim Sardo, o Emergências 2012 – Novos Media comissariado pela Marte de Menezes que atravessa media artísticos, o Christian Boltanski.


P: No âmbito da Arquitetura, quais os projetos mais relevantes para o primeiro semestre?

R: O que é curioso é que nunca penso nesta divisão... O Ser Urbano, projeto de investigação sobre o Nuno Portas que até nem é uma exposição de arquitetura, o Performance Architecture que é menos arquitetura que instalação performática, o Devir Menor que explora formas de construir incomuns.


P: Fala-se muito do futuro de Guimarães como possível pólo cultural em Portugal. Nas palavras do Primeiro-Ministro, “Guimarães tem uma excelente oportunidade de se afirmar como um cluster cultural de referência, de se afirmar como um pólo agregador e produtor de talentos, de se afirmar como uma grande casa da criatividade e da beleza nas suas múltiplas manifestações”. Acredita que este ano de eventos, experiências e vivências irão ter uma sequência relevante no contexto nacional findo o ano de 2012?

R: Acredito que realizar este projeto neste momento traz uma responsabilidade que só fazia sentido para mim incorporar programaticamente. Que significa produzir arte e cultura no país atual, em resistência e míngua, numa Europa de estrutura instável, de futuro incerto, num mundo fragmentário e obcecado com flutuações de mercado? Que sentido faz pensar arte e cultura neste contexto? Quis pensar um programa que pudesse facilitar espaços que debatam sentido(s) para esta questão, porque só com base nela se pode equacionar a relevância da experiência para o futuro. O problema está em que o poder político e, não falo apenas de Portugal, é um problema de dimensão quase global, também se exonera da responsabilidade sobre a produção cultural e sobre a manutenção do património. Veja-se a redução brutal do apoio à UNESCO. Que sociedade seremos sem educação, sem cultura ou sem arte? O que espero é que a experiência de realizar este evento num ano tão difícil como este, possa deixar como legado a demonstração que sem estas dimensões da atividade humana será a própria Humanidade que deixará de fazer sentido. Para o Concelho de Guimarães o que espero é que a cidade e os seus habitantes retirem do evento uma capacitação e experiência que lhes permitam posicionarem-se na produção e na criação contemporâneas de forma consistente e com futuro. Estamos a trabalhar para que seja um evento de referência no contexto nacional e no Norte do país.



GUIMARÃES 2012 CEC
www.guimaraes2012.pt