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ENTREVISTA


Anthony Huberman


Contemporary Art Museum Saint Louis


Contemporary Art Museum Saint Louis


Contemporary Art Museum Saint Louis


Contemporary Art Museum Saint Louis


Ei Arakawa


Vlatka Horvat


“The Steins”


“The Steins”


“The Steins”

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ANTHONY HUBERMAN


Em Agosto de 2007, Anthony Huberman foi nomeado curador principal do Contemporary Art Museum de Saint Louis, no Missouri. Tendo sido curador no Palais de Tokyo, em Paris, no P.S.1 e no Sculpture Center, em Nova Iorque, Anthony tem vários projectos paralelos: “The Steins” (com Larissa Harris); colaborações com Dexter Sinister, Dot Dot Dot (publicação de Stuart Bailey, que recentemente editou o seu texto Teoria dos Conjuntos Naïve, versão breve de texto publicado anteriormente, IX Information, em Afterall, número 15, 2007) e outros artistas.

Por Ana Cardoso



“A informação é o inimigo”

P: Anthony, tiveste o privilégio de ser convidado a agir num espaço periférico (o Contemporary Art Museum de St. Louis) e a trabalhar inserido num ponto desviado – como refere Brian Sholis na Artforum (Maio 08) – visando a ideia de informação limítrofe. Através de formas de colaboração variadas, sobreposição e fluir constantes, o que estás a produzir no Museu?

R: Estou entusiasmadíssimo por me ter sido dada a oportunidade de dirigir o programa de exposições do Contemporary Art Museum de St. Louis. Mais do que tudo, o objectivo do novo programa de curadoria será identificar e apoiar os artistas mais relevantes e promissores que trabalham hoje em dia, internacional, nacional e localmente. De uma forma específica, o programa englobará a experimentação e ajudará constantemente os artistas a arriscar e a experimentar ideias novas. Como disseste, o programa é elaborado em torno de um sistema de pares, de duas coisas lado a lado — dois artistas e dois tipos de exposições existindo a par.


P: E a sobreposição monta uma plataforma rápida, informativa de relações complexas?

R: Sim, no Contemporary há dois tipos de pares que acontecem a qualquer altura. Nas galerias principais há exposições “de museu” com duração de três meses. Implicam grandes encomendas, produções novas, visitas guiadas, publicações substanciais, etc. Apesar de poder vir certamente a haver excepções, apresentaremos geralmente dois artistas: uma única exposição em colaboração (John Armleder e Olivier Mosset), duas monografias separadas (Lutz Batcher e Aïda Ruilova) ou uma proposta de curadoria que associa dois artistas (Gedi Sibony e Bruce Nauman). Simultaneamente com a exposição das galerias principais há um segundo tipo de exposição, que forma outro par: a Sala de Entrada. Nesse espaço de cubo pequeno e branco, apresentaremos exposições breves, de uma, duas, ou três semanas ou talvez só de dias, consoante o projecto. Não é um espaço de projecto escondido e retirado num canto do museu, mas uma “sala de entrada” em posição de destaque, que saúda o visitante quando ele entra no edifício. Exposições de artistas jovens, eventos especiais de projecção, performance e outras intervenções irão estabelecer, nessa área e no museu, um lugar artístico e de curadoria que permanecerá vivo, reactivo, que dá lugar à improvisação e que nunca estagnará — um factor importante numa instituição dedicada à cultura contemporânea. Nesta última Primavera, houve exposições com artistas como Ei Arakawa, Oscar Tuazon, Alex Hubbard, Gardar Eide Einarsson, Max Schumann, Vlatka Horvat, Eva Weinmayr e outros! Para além dessas breves exposições com artistas, a Sala de Entrada é também um local para projectos carte blanche com outras organizações. Esses projectos incluem áreas com programas empolgantes: áreas dirigidas pelo(s) artista(s), kunsthalles e também livrarias e lojas de discos experimentais, etc. Convidadas para a Sala de Entrada com uma carte blanche, essas organizações têm a liberdade de ocupar a galeria como entenderem, com uma intervenção específica, uma representação do seu programa ou outra coisa completamente diferente. Interessa-me ver como podem entrar e sair da forma reconhecível de uma “exposição” e talvez mesmo entrar e sair da arte. Estou convencido de que esta multidão de vozes que chega a Saint Louis será uma inspiração para o nosso público e revelará a riqueza e a diversidade da arte contemporânea. E com a Sala de Entrada a mudar com tanta frequência, a sobreposição com a exposição das galerias principais é continuamente renovada, reajustada e nunca estagna.


P: Também gostas de explorar um estado contemporâneo de não saber e não compreender. É um motivo nas tuas conversas experimentais. Até onde é que isso pode ir?

R: Não diria que essa ideia faz parte das minhas conversas experimentais…essa ideia é central na minha maneira de pensar sobre a arte, sobre fazer exposições e sobre pedagogia. Para mim, a melhor arte, exposições e experiências de museu são as que despertam a nossa curiosidade, mas que ainda assim nós não entendemos. Isso faz de nós espectadores activos e interessados e enche-nos a cabeça de ideias, muito tempo depois de deixarmos o museu. Tentar perceber uma coisa é um processo de reflexão intensa, uma experiência emocionante e inspiradora. O momento libertador é aquele em que percebemos que a arte não é um código que precisa de ser decifrado, mas que ela convive com a nossa subjectividade própria e nos leva a imaginar opiniões novas, a reajustar velhas hipóteses e a mudar a nossa maneira de entender as coisas. De certa forma, a arte ajuda-nos a perceber “menos” o mundo e inspira-nos sim a manter a curiosidade, a reflexão e a ficar alerta.


P: Uma conversa é uma forma dialéctica de educação, em que a informação alterna com lacunas na percepção… Ou será a educação um grande mal-entendido?

R: Gosto da ideia de a educação ser um mal-entendido! Mas não sei se o diria assim… Penso talvez que a “educação” não tem de ter como objectivo a “compreensão”. Um espectador educado é um espectador que consegue olhar para um quadro e expressar com clareza uma opinião fundamentada sobre esse quadro. Um espectador educado é um espectador que está sempre a aprender, não é alguém que aprendeu, compreendeu e depois parou. Voltando ao meu programa de exposições, espero que as exposições breves na Sala de Entrada, ao proporem sobreposições diferentes com as galerias principais, estimulem os espectadores a aprender e a reaprender as obras de arte. Nesse sentido, um espectador educado é um espectador que nunca compreende e que, além disso, tem prazer na emoção do processo de aprendizagem que sucede indefinidamente. Nenhum grau de “educação” explicará a Mona Lisa, mas um espectador educado achará nela uma fonte interminável de imaginação, reflexão e curiosidade.


P: O teu texto Teoria dos Conjuntos Naïve revela um esquema de informação, uma curiosidade funcional aplicada à comunicação da arte contemporânea. Entre informação a mais e informação a menos, quem decide é o artista?

R: Este texto começa com a ideia de que na arte contemporânea a informação é o inimigo. Passa depois a discutir a relação entre informação e curiosidade – esta última desenvolve-se quando a primeira existe apenas em quantidade moderada – e traça então explicitamente uma variedade de caminhos, onde os artistas contemporâneos procuram parar, destruir ou comprometer o fluxo de informação e subverter o processo de identificação. Ao criar situações de informação a mais, de informação a menos, de informação dispersa ou informação privada, os artistas fazem com que nos seja difícil identificar a sua prática e identificá-los.


P: Dizes que preferes “as coisas que não gostas de não gostar”. São essas as questões propulsoras, incisivas, que temos de dominar e discutir, as questões que opõem resistência? Como é que isso funciona exactamente?

R: Não se trata propriamente de resistência… uma palavra que receio. As coisas que eu não gosto de não gostar são coisas que não entendo mas quero entender… Significa que me incomoda o facto de uma coisa me incomodar. Vejo uma obra de arte que me constrange, mas algo me impele a descobrir o que há nela de reconfortante. Não me satisfaz o facto de a achar constrangedora, por isso continuo a pensar nela, a avaliá-la, a avaliar a minha própria subjectividade, a tentar percebê-la (e a perceber-me) de forma diferente. Estas são as obras propulsoras, como dizes.


P: Queres falar sobre a experiência de trabalhar como curador no Palais de Tokyo, em Paris, um período de formação em área e local de relações múltiplas, de parentesco?

R: Entrei no Palais de Tokyo como curador por ocasião da nomeação de um novo director, Marc-Olivier Wahler. Foram ele e a sua visão de curadoria que me atrairam ao Palais e decidimos construir uma nova identidade para o programa de exposições daquele centro de arte tão popular. Concebidas como um programa para vários anos e não como projectos isolados, as exposições formaram um todo coeso, sucederam-se a um ritmo preciso e levaram o Palais de Tokyo numa direcção nova.


P: “The Steins”, programada a um ritmo desigual – “Exposições curtas numa sala pequena, às vezes” –, organizada em colaboração com Larissa Harris na cave da galeria Miguel Abreu (Lower East Side), expressa uma ideia de proximidade.

R: “The Steins” é um espaço artístico que Larissa Harris e eu abrimos em Nova Iorque, no Lower East Side, e que está quase sempre fechado. Sim, mas às vezes está aberto. O nome vem duma citação de James Lee Byars, em que ele diz que as pessoas do século XX que prefere são Stein, Einstein e Wittgenstein. Liga-se com aquilo que tenho vindo a debater… É um espaço para as nossas coisas preferidas, coisas que nos fascinam mas que não compreendemos totalmente. Até agora, desde Dezembro passado, fizemos exposições com Robert Filliou, Terry Riley, Bruno Munari, Remy Charlip e o filósofo William James. São exposições que não podemos organizar nos museus maiores onde trabalhamos, porque não conseguimos explicá-las. Mas temos muita curiosidade em relação a estes artistas e queremos partilhar essa curiosidade com os nossos amigos e com quem estiver interessado, por isso mostramo-los em “The Steins”. As exposições são curtas, pequenas e esporádicas, porque “The Steins” é um lugar onde a experiência da arte se faz com generosidade e convívio e não para produzir conhecimento ou informação. Servimos vinho em copos de vidro, copos de vinho verdadeiros.