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ENTREVISTA


Rui Prata


Exposição New Life, New Document. Mosteiro de Tibães. Encontros da Imagem 2011.


Exposição New Life, New Document. Mosteiro de Tibães. Encontros da Imagem 2011.


Exposição New Life, New Document. Mosteiro de Tibães. Encontros da Imagem 2011.


Ditte Haarlov Johnsen, Sisters. Exposição Homeless/One Day/Sisters no Mosteiro de Tibães. Encontros da Imagem 2011.


Céu Guarda - Kamera Photo. Exposição Collateral Damages no Museu D. Diogo de Sousa. Encontros da Imagem 2011.


Óscar Fernando Goméz, La Mirada del Taxista. Mosteiro de Tibães. Encontros da Imagem 2011.


José Pedro Cortes, Thing here and thinghs still to come. Museu Nogueira da Silva. Encontros da Imagem 2011.


Mark Curran. Exposição Extracts from Éden no Mosteiro de Tibães. Encontros da Imagem 2011.


André Cepeda, Ontem. Museu da Imagem. Encontros da Imagem 2011.


André Príncipe, Please don’t reproch me for how my life has become. Museu da Imagem. Encontros da Imagem 2011.

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RUI PRATA - ENCONTROS DA IMAGEM


Longe de escalas monumentais, por vezes efémeras, de afirmação cultural e de grandes mediatismos que caracterizam a produção de eventos artísticos na época contemporânea, desde a sua criação, em 1987, os Encontros da Imagem de Braga são um caso raro de persistência e de consolidação de um projecto. Constituindo um dos mais antigos festivais da Europa, com princípios e valores próprios, de mudança na continuidade, os Encontros fazem-se sem grandes arrogâncias, mas com muito acerto, aliando potencialidades locais e garantias de um estatuto firme no circuito internacional de eventos dedicados à fotografia.

Rui Prata é o fundador deste festival internacional de fotografia e foi com ele, via email, que falámos sobre a história passada e presente dos Encontros da Imagem, que nesta sua 21ª edição se apresentam a partir do tema “Novas Visões na Fotografia Social”, com um conjunto abrangente de autores e exposições que decorrem, até 30 de Outubro, em diferentes espaços de Braga.


Setembro de 2011
Por Sandra Vieira Jürgens



P: Queres contar-me o teu percurso no meio da fotografia e das artes visuais. Como é que chegaste à fotografia?

R: O meu interesse pela fotografia começou aos 14 anos quando o meu avô me ofereceu uma máquina fotográfica. Curioso como era, e ainda com essa idade, comprei um tanque de revelação de filmes e a aventura foi crescendo. Assim, o meu contacto com a magia da fotografia iniciou-se por uma curiosidade alquímica.

Nada conhecendo sobre a História da Fotografia, as minhas informações chegavam através de revistas e concursos de amadores. Em 1983, numa passagem casual por Arles dei-me conta de uma realidade diferente da fotografia nos Rencontres d’Arles. Embora conhecesse os Encontros de Coimbra, foi a partir dessa fugaz passagem pelo berço dos festivais que a minha perspectiva da fotografia se foi alterando, conduzindo a uma investigação mais profunda que acabou por me levar à realização de um mestrado na área.



P: Vinte e uma edições dos Encontros da Imagem. Depois de todos estes anos o que representam? Como vês a transformação dos Encontros desde 1987?

R: As transformações são muitas e resultantes de vários factores. Naquela época a fotografia a preto e branco predominava e em formatos tradicionais (30x40 cm, 40x50 cm…), o que permitia custos consideravelmente mais baixos. As molduras, em geral em alumínio, eram usadas de umas edições para outras. Hoje, devido às características do mercado, os formatos são bastante maiores, há necessidade de novas produções, a que se juntam elevados custos de transporte e seguros, factores que contribuíram para um enorme disparar de custos.
Também, naquela época, se verificava uma maior atenção aos autores clássicos, sendo que, actualmente o enfoque vai mais em direcção à chamada fotografia contemporânea.



P: Os projectos, para se manterem, têm de ser reinventados. De onde vem a energia e o empenho necessários para realizar um evento que se repete ao longo de vinte e uma edições?

R: Estes projectos para durarem no tempo carecem de paixão. Vivendo em Braga e longe dos centros de influência política e empresarial, as dificuldades são acrescidas. Porém, o carinho e reconhecimento quer por parte dos fotógrafos quer por parte de instituições, particularmente internacionais, dá-nos ânimo para continuar a lutar contra todas as contrariedades.



P: Os Encontros da Imagem foram convidados a representar Portugal enquanto país convidado do ‘Mês da Fotografia’ de Bratislava, na Eslováquia. A internacionalização é um objectivo a prosseguir?

R: Não obstante a crise que se atravessa, os Encontros da Imagem dispõem de uma privilegiada rede de contactos que poderão, com baixos custos, prosseguir uma estratégia de divulgação internacional. Sentimos que existe um profundo défice da divulgação da fotografia portuguesa no estrangeiro e pensamos que podemos concorrer para colmatar essa lacuna.



P: Costumas circular por encontros e eventos da fotografia no estrangeiro. Para que eventos olhas com mais atenção e interesse?

R: Desde os festivais no formato tradicional, a feiras, até pequenos eventos que gravitam em torno de leitura de portefólios, em cada um se descobre sempre algo de novo. Noorderlicht, na Holanda é sempre uma descoberta; Arles, um ponto de encontro; PhotoEspaña, uma boa perspectiva contemporânea; Paris Photo, o barómetro do mercado. Depois, ao longo do ano acontecem sempre conferências e seminários com interesse.



P: Nestes vinte anos a abordagem que se faz à fotografia transformou-se muito. Como é que encaras estas transformações e que tendência seguem os Encontros?

R: Com a inclusão das novas tecnologias, a fotografia alterou-se profundamente. Contudo, na minha opinião, essas transformações, verificam-se mais no mercado direccionado para os amadores. Na denominada fotografia de autor, os novos meios vieram agilizar as produções, porém o fundamental continua a ser a narração e consistência de cada projecto.

Os Encontros, presentemente, procuram estar atentos àquilo que de mais “fresco” se vai fazendo nos diferentes territórios da fotografia, estando particularmente atento ao que se passa nos países nórdicos e nos Estados Unidos.



P: O que é o mais importante numa fotografia?

R: A maioria dos teóricos estão de acordo no que respeita ao uso de um conjunto de elementos comuns à fotografia – tempo, luz, técnica, papel social, indexicalidade. As divergências surgem na forma como inscrevem e analisam esses elementos. Devido à sua multifuncionalidade a fotografia é, com toda a probabilidade, uma das formas de representação visual mais complexa. Afinal, do que falamos quando falamos de fotografia? O que nos faz distinguir um retrato de Thomas Ruff daquele obtido numa loja comercial?

Como é possível definir esta disciplina, que abarca suportes que vão do daguerreótipo, calótipo, película 35mm e outros formatos, polaroids até à fotografia digital? Nenhum outro suporte visual abrange um leque tão vasto de funcionalidades como a fotografia: fotografia forense, científica, álbum de família, registo de viagens de lazer, reproduções de obras de arte, até à intencionalidade do fazer artístico.

Walter Benjamin diz-nos que “A necessidade de trazer as coisas para mais «próximo», espacial e humanamente, é quase uma obsessão hoje em dia, tal como a tendência para negar o carácter único ou efémero de um dado acontecimento reproduzindo-o fotograficamente. Há uma compulsão cada vez mais intensa para reproduzir o objecto fotograficamente, em grande plano ...”. Esta afirmação de Benjamin, proferida nos finais da década de 1930, adquire hoje uma maior actualidade com o advento, popularização e massificação da captação digital, em que se observa uma voracidade de registo do acontecimento através da fotografia. O acto de fotografar tornou-se tão banal como o de respirar.

Mais recentemente Victor Burgin afirma que “é quase tão insólito passar um dia sem ver uma fotografia como passar um dia sem ver algo escrito. Num ou noutro contexto institucional – a imprensa, instantâneos familiares, painéis publicitários, etc. – as fotografias invadem o ambiente, facilitando a formação/reflexão/inflexão do que damos por adquirido. (...) A fotografia que partilha a imagem estática com a pintura, e o uso da câmara com o cinema, tende a situar-se «entre» esses dois meios, mas é abordada de um modo fundamentalmente distinto por cada um. Para a maioria, a pintura e o cinema são apenas o resultado de um acto voluntário que inclui claramente um investimento de tempo e/ou dinheiro. (...) Enquanto que a pintura e o cinema se apresentam perante a crítica como objectos, as fotografias percepcionam-se quase como um contexto, um envolvimento.”



P: O que é que as pessoas podem esperar ver nestes Encontros?

R: Os Encontros da Imagem têm pautado a sua intervenção no espaço fotográfico através de abordagens que procuram ir ao encontro de tendências subjacentes às representações de cada momento. Desde o historicismo fotográfico que pontuou as primeiras edições, às expressões mais plasticizantes, às questões de género, atravessando a paisagem, temos dado corpo a diferentes territórios da fotografia. Numa época em que a imagem adquiriu uma imensa banalidade resultante da evolução tecnológica, em que cada um de nós é um potencial fotógrafo, consideramos importante reflectir em torno da fotografia documental. Para concretizar tal intenção seleccionou-se um conjunto de projectos que, exprimindo diferentes abordagens, constituem uma amostra significativa do conceito.


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Encontros da Imagem
www.encontrosdaimagem.com